SUV é um dos poucos que ainda ostentam a tração 4x4. Mas ele também é muito mais do que isso.
Poucos carros no mercado brasileiro dividem tantas opiniões quanto o Jeep Renegade. Basta abrir qualquer publicação sobre o SUV nas redes sociais para encontrar comentários dizendo que ele bebe demais, que o porta-malas é pequeno ou que existem opções melhores pelo mesmo preço. Mas será que toda essa fama faz sentido?

Depois de colocar o SUV à prova no asfalto e no fora de estrada, saí do teste com uma conclusão diferente da que normalmente aparece nos comentários da internet.
Não, o Renegade não é perfeito. Aliás, nenhum carro é. Mas também está longe de ser o carro ruim que muita gente insiste em dizer.
Antes de qualquer comparação, vale lembrar uma coisa. Cada carro atende a um perfil diferente. É comum comparar todos os SUVs compactos como se eles precisassem ser os melhores em absolutamente tudo. Não precisam.
Se o seu objetivo é comprar um SUV com o maior porta-malas possível ou o melhor espaço interno da categoria, talvez realmente existam opções mais interessantes.
Agora, se você procura um utilitário esportivo para usar todos os dias na cidade, viajar nos finais de semana e ainda enfrentar uma estrada de terra sem medo quando o asfalto acabar, a conversa muda completamente.
É justamente aí que o Renegade Willys mostra por que continua sendo um produto tão diferente.
Entre os SUVs compactos vendidos hoje no Brasil, ele segue como um dos poucos a oferecer tração 4x4, câmbio automático de nove marchas, seletor de terrenos e uma capacidade fora de estrada que faz jus ao nome Jeep. Ponto para o Renegade.
Existe outro detalhe que muitas vezes acaba ficando de lado. Hoje o mercado de SUVs compactos é extremamente disputado. Volkswagen T-Cross, Chevrolet Tracker, Hyundai Creta, Honda HR-V, Nissan Kicks... As opções são inúmeras.
Mas antes dessa explosão acontecer, o Renegade foi um dos responsáveis por consolidar esse segmento no Brasil.
Assim como o Ford EcoSport abriu caminho anos antes, o Renegade ajudou a transformar o SUV compacto em desejo de consumo do brasileiro.
Não por acaso, mais de 700 mil unidades já foram produzidas no País e mais de 580 mil foram emplacadas desde sua estreia.
Basta olhar para qualquer grande cidade para perceber que ele continua muito presente nas ruas. E dificilmente um carro conquista esse resultado se simplesmente não entregar aquilo que promete.
Mas vamos ao teste...
Mesmo depois de tantos anos no mercado, acho difícil olhar para o Renegade e confundi-lo com qualquer outro SUV.
Os faróis redondos, a tradicional grade de sete fendas, as lanternas em formato de "X" e as caixas de roda trapezoidais fazem parte da identidade da Jeep.
Na versão Willys, isso fica ainda mais evidente. Ela é a única configuração da linha equipada com tração 4x4 e consegue transmitir exatamente essa proposta mais aventureira.
Os pneus de uso misto, os detalhes exclusivos, o selo Trail Rated, os adesivos no capô e o acabamento específico fazem parecer que o carro está sempre pronto para deixar o asfalto.
O Renegade Willys é um daqueles carros que fazem você querer pegar uma estrada bonita no fim de semana.
Ele desperta uma vontade de viajar. Mesmo quem não costuma fazer trilhas acaba imaginando destinos diferentes quando está ao volante.
Uma das grandes novidades da linha é justamente a cabine. A nova central multimídia de 10,1 polegadas domina o console e passa uma sensação de tecnologia muito superior à geração anterior.
Ela oferece espelhamento sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, além da integração com a plataforma Adventure Intelligence, que incorpora assistente virtual Alexa, informações do veículo e serviços conectados.
O painel de instrumentos totalmente digital, de 10,25 polegadas, também evoluiu bastante e traz uma leitura clara das informações.
No console central, a Jeep reorganizou alguns comandos e criou novos porta-objetos, além de incluir carregador de celular por indução com sistema de refrigeração, duas entradas USB (A e C) e saídas de ar para quem viaja no banco traseiro.
Agora há saída de ar para quem viaja atrás, carregador de celular por indução refrigerado, novos porta-objetos e uma nova manopla do câmbio. A versão Willys ainda recebe banco do motorista com ajustes elétricos.
No geral, a cabine transmite uma sensação de qualidade bastante acima da média. Os encaixes são muito bons, os materiais agradam ao toque e tudo parece bastante sólido. É aquele tipo de acabamento que reforça a impressão de robustez que sempre acompanhou o Renegade.
Sob o capô está o conhecido motor 1.3 turbo T270, capaz de entregar 180 cv com gasolina, 185 cv com etanol e 27,5 kgfm de torque.
O conjunto trabalha sempre com câmbio automático de nove marchas e tração integral sob demanda.
Vamos a um comparativo rápido? O T-Cross, atual SUV compacto mais vendido do Brasil, tem 150 cv de potência na versão mais forte. Tracker e Creta também perdem, com 139 cv e 176 cv, respectivamente.
Na prática, isso se traduz em um carro bastante agradável de dirigir. O motor responde rapidamente quando você pede mais aceleração. Nas retomadas e ultrapassagens, principalmente em rodovias, ele transmite bastante segurança.
É justamente nessas situações que a combinação entre o motor turbo e o câmbio de nove velocidades mostra seu melhor lado.
O escalonamento das marchas é muito bem acertado e ajuda a aproveitar melhor o torque disponível desde baixas rotações.
Se você precisa fazer uma ultrapassagem ou acelerar para entrar em uma rodovia, dificilmente terá a sensação de que o carro ficou devendo desempenho.
Até porque, segundo a Jeep, o SUV acelera de zero a 100 km/h em 9,7 segundos com etanol (9,9 segundos com gasolina) e atinge velocidade máxima de 202 km/h.
Se existe um aspecto em que o Renegade ainda pode evoluir, provavelmente é o consumo.
Segundo dados do Inmetro, o SUV registra:
Não são números ruins para um SUV equipado com tração integral permanente e câmbio automático de nove marchas. Mas também não colocam o modelo entre os mais econômicos da categoria.
Foi no circuito off-road que o Willys lembrou por que continua sendo diferente da maioria dos SUVs compactos.
Enquanto muitos concorrentes praticamente encerram suas capacidades quando o asfalto termina, o Renegade parece apenas mudar de ambiente.
O sistema Jeep Active Drive Low oferece cinco modos de condução — Auto, Snow, Sand, Mud e Rock — além das funções 4WD Low, 4WD Lock e Hill Descent Control.
Na prática, tudo funciona de forma muito intuitiva. O motorista praticamente escolhe o terreno e deixa o restante para a eletrônica.
A suspensão trabalha muito bem, a carroceria permanece firme e o conjunto transmite bastante confiança mesmo em pisos de baixa aderência.
Ao mesmo tempo, não existe aquele desconforto típico de alguns utilitários preparados para o fora de estrada.
Apesar da proposta aventureira, o Renegade continua sendo um SUV bastante fácil de conduzir nas cidades.mSão 4,26 metros de comprimento, 1,80 metro de largura, 1,73 metro de altura e 2,57 metros de entre-eixos.mO raio de giro de 10,8 metros facilita bastante manobras em estacionamentos e ruas estreitas.
Já para quem pretende explorar trilhas, os números também impressionam. A altura livre do solo chega a 213 mm, enquanto os ângulos de entrada, saída e transposição são de 31°, 33,6° e 23,7°, respectivamente.
Quem viaja na segunda fileira percebe que ele não é o SUV mais generoso da categoria, principalmente quando comparado a modelos como Volkswagen T-Cross ou Hyundai Creta.
O porta-malas também continua entre os menores do segmento, com 314 litros de capacidade. Para ser justa, novamente, um breve comparativo: ele, junto com o Tracker, tem o menor entre-eixos entre os rivais citados: 2,57 metros. E também a menor capacidade volumétrica de porta-malas: 314 litros. Nessa disputa, quem vence é o Creta, com 433 litros.
Esse é um número que certamente deve ser considerado por quem costuma viajar com a família ou transportar muita bagagem.
Mas aqui vale um comentário importante: o Renegade nunca prometeu ser o SUV mais espaçoso da categoria.
Por isso, acho injusto resumir o carro apenas ao tamanho do porta-malas. Ele entrega outras qualidades que muitos concorrentes simplesmente não oferecem.
Outro aspecto que merece destaque é o pacote de segurança. A versão Willys reúne uma lista bastante completa de assistentes de condução.
Entre eles estão frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, detector de fadiga, reconhecimento de placas de velocidade, monitoramento de ponto cego, alerta de colisão frontal, comutação automática do farol alto, sensores de estacionamento e câmera de ré.
O conjunto trabalha de forma discreta, sem emitir alertas exagerados o tempo todo, e transmite uma sensação constante de segurança durante a condução.
A versão Jeep Renegade Willys tem preço sugerido de R$ 189.990.
Segundo a Jeep, o plano de manutenção prevê revisões a cada 12 meses ou 12 mil quilômetros, o que ocorrer primeiro. As cinco primeiras revisões somam R$ 7.287.
O modelo conta ainda com cinco anos de garantia, além de uma ampla rede de concessionárias espalhadas por todo o Brasil.
Como já mencionado, é impossível falar do Renegade sem olhar para os principais rivais. O Volkswagen T-Cross oferece mais espaço interno, porta-malas maior e consumo mais eficiente. O Chevrolet Tracker também leva vantagem na economia de combustível. Já o Hyundai Creta aposta em refinamento e conforto para quem roda majoritariamente no asfalto.
O Renegade Willys, por outro lado, segue praticamente sozinho quando o assunto é capacidade fora de estrada.
Nenhum desses concorrentes reúne tração 4x4, câmbio automático de nove marchas, modos específicos para terrenos de baixa aderência e o histórico da Jeep em veículos voltados ao off-road. É justamente essa personalidade que faz dele um produto diferente dentro da categoria.
Depois de passar uma semana inteira dirigindo a versão Willys, a resposta que encontrei foi bem diferente daquela que costuma aparecer nas redes sociais. O Renegade realmente não é o SUV mais espaçoso da categoria. Também não é o mais econômico.
Mas reduzir o carro apenas a isso talvez seja ignorar tudo o que ele entrega. Ele oferece um nível de acabamento muito bom, um motor competente, comportamento seguro na estrada e, principalmente, uma capacidade fora do asfalto que praticamente nenhum concorrente direto consegue acompanhar. Mais do que isso, ele tem personalidade.
Em um segmento onde muitos SUVs compactos acabam parecendo versões diferentes da mesma receita, o Jeep Renegade continua carregando um DNA muito próprio. É um Jeep de verdade.
Se existe uma conclusão depois desse primeiro contato, é que o Jeep Renegade continua sendo um carro que faz muito sentido para quem procura um SUV compacto com verdadeiro espírito aventureiro. Talvez ele não seja a escolha certa para todo mundo. Mas, para o público certo, continua sendo uma das opções mais autênticas do mercado brasileiro.
Saiba mais:
Sim. A versão Willys é equipada com tração integral sob demanda, seletor de terrenos, função 4WD Low e controle eletrônico de descida.
O Jeep Renegade Willys utiliza o motor 1.3 Turbo T270 Flex, que entrega até 185 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, sempre com câmbio automático de nove marchas.
O preço sugerido do Jeep Renegade Willys é de R$ 189.990.
Segundo o Inmetro, faz 8,9 km/l na cidade e 10 km/l na estrada com gasolina. Não é o mais econômico da categoria, mas compensa com o conjunto mecânico e a capacidade off-road.
Se a prioridade for espaço interno ou porta-malas, há opções mais adequadas. Mas, para quem busca um SUV compacto com tração 4x4, bom desempenho, acabamento de qualidade e verdadeira aptidão para o fora de estrada, o Jeep Renegade continua sendo uma das escolhas mais completas do mercado.
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JEEP - RENEGADE - 2027 |
1.3 T270 TURBO FLEX WILLYS 4X4 AT9 |
R$ 189490 |
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