Perniciosas, as motos conseguem tirar do sério até quem está confortavelmente instalado no banco com ajustes elétricos da perua Volvo. Com o sensor de estacionamento ligado dianteiro e traseiro é impossível ouvir rádio numa avenida como a 23 de Maio, em São Paulo: a moto passa esbarrando no pára-choque e aciona o sinal sonoro, que interrompe o som do rádio para chamar a atenção do motorista. Um pequeno botão no console nos livra do sistema e, portanto, da interrupção da música ou notícia, provocada pela aproximação do motoqueiro. Mas nesse caso perdemos o sensor de estacionamento, o que pode provocar uma ralada no carro ou um pequeno acidente. O sistema é automaticamente acionado toda vez que o motorista dá na partida. A propósito, não é preciso girar a chave para fazer o carro funcionar, mas apenas apertar o botão no painel.
Esse não é o único toque de delicadeza desse carrão de 4,84 metros de comprimento, com espaço de rei no banco traseiro: o freio de estacionamento, elétrico, também revela a leveza com que o carro foi construído, com o objetivo de oferecer ao seu usuário o mínimo de esforço para acionar qualquer botão: um leve toque com o dedo para frente no botão do freio trava as quatro rodas; ao acionar o botão em sentido contrário o freio é liberado.
O porta-malas, grande e de fácil acesso, abre com o comando elétrico na chave e fecha com um leve toque num botão no interior da tampa traseira. Tudo para facilitar o entra e sai de bagagem e evitar sujar as mãos caso o carro esteja empoeirado.
O sistema de ar-condicionado é um capítulo à parte. Nesse carro, todos os passageiros são beneficiados com o conforto da climatização. As áreas determinadas de emissão de ar, quente ou frio, são efetivamente atendidas. O ar chega exatamente onde o sistema indica: na cabeça, no peito ou nos pés dos ocupantes, da frente e de trás. Os da frente são privilegiados: exalam dos bancos ar quente ou gelado, na bunda e nas costas, à escolha do freguês. Os espelhos retrovisores externos, com piscas acoplados, são recolhidos quando o carro é desligado, o que aumenta a segurança. No interno, um indicador digital revela a direção que estamos indo: Norte, Sul, Leste ou Oeste. As crianças gostaram da brincadeira: cada vez que mudava a direção era uma farra. Mas, cá entre nós: se eu não me perder com o carro na Floresta Amazônica, não vejo utilidade nessa informação.
Perua é um tipo de carro que agrada boa parcela do público feminino, mas a mulher, que tem menor estatura que o homem, tem dificuldade de dirigir o V 70, pois apesar dos grandes recursos de acionamento elétrico, o banco do motorista não tem regulagem de altura. É preciso esticar a cabeça para suplantar o painel e enxergar a frente do carro.
O desenho da perua XC 70 é forte, a grade dianteira dá um ar destemido e o tamanho e o peso do carro garantem ao motorista esse poder que muita gente busca no trânsito. Mas, mais do que isso, ele oferece conforto incomum aos seus ocupantes.
O motorzão de 238 cavalos, um 3.2 de seis cilindros, garante a potência necessária para qualquer situação de condução. Estilo crossover, o XC 70 enfrenta com a mesma categoria uma rodovia de primeira e uma estrada de terra esburacada, beneficiado pela tração permanente nas quatro rodas. O carro tem até sistema automático de freio motor, que é acionado em caso de direção perigosa, em descidas íngremes.
No teste, não medi o gasto de combustível, mas a impressão é de que o carro é um beberrão. E o preço do carro também é pra quem não tem muito problema de dinheiro: R$ 200 mil!
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