Toyota Corolla Flex 2008

Muita pompa, pouca circunstância


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- Foi no Brasil que a Toyota abriu sua primeira fábrica fora do Japão, a unidade de São Bernardo do Campo, SP, em 1961. E é no País que japonesa lança agora seu primeiro e único veículo flexível em combustível, o médio-compacto Corolla – também em sua versão perua, a Fielder.

Mas o lançamento do 1º Toyota flex demorou tanto que se esperavam mais novidades do que as efetivamente apresentadas. Mesmo os jornalistas japoneses presentes ao grandioso e bem organizado evento realizado no Guarujá, SP contestaram a falta de ousadia. O modelo está em seu 5º ano nesta geração, a nona desde seu lançamento. O novo Corolla deverá vir apenas no início de 2008, do que dependerá a ampliação da fábrica de Indaiatuba, SP.

Além da capacidade de rodar com álcool ou gasolina, houve apenas algumas mudanças na linha, já 2008, e oferta de equipamentos de série. A versão XLi passa a ser oferecida com o motor 1,8-litro, escolhido para tornar-se flexível em combustível. O 1,6-litro de 110 cv ficará restrito a uma versão apenas com câmbio automático destinada a portadores de necessidades físicas especiais, frotistas ou sob encomenda R$ 58.526,00, 1,5% mais caro do que a linha anterior.

Agora o XLi traz de série airbag duplo e rodas de liga leve, além dos anteriormente oferecidos ar-condicionado, direção com assistência hidráulica, retrovisores, travas e vidros elétricos e regulagem de altura para o volante, entre outros itens. Vendido por R$ 56.565,00 na versão com câmbio manual e R$ 61.101,00 com caixa automática.

A XEi soma aos itens acima sistema de freios antitravamento ABS com distribuição eletrônica das forças de frenagem EBD, travamento automático das portas e cintos de segurança com pré-tensionador. A novidade é o revestimento dos bancos de couro oferecido de fábrica. Versão manual, R$ 62.233,00 1,4% mais caro ou R$ 63.944,00 com couro. Automático, R$ 66.880,00 1,3% acima e R$ 68.591,00 com o revestimento. A Fielder nessa versão custa R$ 67.144,00 com câmbio manual e R$ 71.729,00 com o automático, acréscimo no preço de 1,7% e 1,6%, na ordem.

Na SE-G estão todos os equipamentos que o Corolla oferece de série. Bancos de couro, retrovisor eletrocrômico, ar-condicionado automático e digital, toca-CD com leitor de arquivos MP3 e computador de bordo, pelo qual se pode aferir o consumo médio do veículo, ainda não declarado pela fábrica, entre outros. Custa R$ 79.676,00. A perua Fielder também passa a ser oferecida nessa versão, por 83.712,00 – como o sedã, apenas com câmbio automático.

E foi só. Alterações no desempenho não houve. O motor de 1,8 litro e 16 válvulas permanece com a mesma potência de 136 cv a 6.000 rpm, com qualquer um dos combustíveis. O torque também está inalterado, de 17,5 kgfm a 4.200 rpm. A Toyota afirma que com álcool há mais força disponível nas baixas rotações – mas é pouco para que se note diferença, especialmente com câmbio automático, a opção mais vendida e a única oferecida para avaliação.

A Toyota é a última competidora desse segmento a apresentar seu produto flex. As mudanças para a implementação da nova tecnologia foram apenas as necessárias para a flexibilidade, sem qualquer ousadia. Ajustes de materiais ao maior poder corrosivo do álcool, reprogramação do gerenciamento eletrônico do motor, sistema de partida a frio com bicos injetores individuais um por cilindro e tanque auxiliar para gasolina com acesso pelo cofre do motor - e não como o Honda Civic, com a portinhola na lateral. Sim, o tanque principal de combustível está maior. Passou de 55 para 56 litros de capacidade.

O objetivo da fabricante nipônica foi manter a potência a gasolina: não houve mudança na taxa de compressão, que permitira melhor aproveitamento do álcool. Mais resistente à detonação, o combustível vegetal permite taxas maiores e também a gasolina se beneficiaria de taxa em torno de 11:1, em vez da atual de 10:1. A própria engenharia da Toyota admite que a tecnologia aplicada "não é tão inovadora”.

“Conservadora” talvez fosse mais adequado. A marca afirma que agiu dessa forma por algumas razões. Entre elas, a flexibilidade ainda não é fator decisivo nessa faixa de produto, sendo mais relevante em veículos de segmento inferior. Nisso tem relativa razão: o concorrente Renault Mégane vende mais na versão 2-litros, a gasolina, do que na 1,6-litro flex. Outro motivo é o desenvolvimento da tecnologia, ainda muito recente para o “desenvolvimento constante” da Toyota.

Finalmente, aumentar a taxa para dar mais potência com álcool poderia causar efeito colateral quando fosse usada gasolina – de má qualidade. Ainda que fossem aplicados sensores de detonação, esses recursos poderiam gerar efeito reverso, diminuindo a potência e aumentando o consumo. Mesmo assim, essa hipótese seria possível apenas em caso de combustível de péssima qualidade. E não se imagina o consumidor do Corolla abastecendo em qualquer posto.

A fábrica japonesa permanece sem declarar números de consumo ou desempenho de seus modelos, mas deixa escapar alguns dados. Segundo a engenharia, quando abastecido com álcool o Corolla flex tem autonomia de 400 km. Divida-se pela capacidade do tanque de 56 litros e tem-se 7,14 km/l. É média razoável para circuito misto cidade/estrada, próxima à observada em concorrentes. Durante a avaliação do modelo Fielder SE-G, no curto percurso de estrada obtivemos 8 km/l.

O Corolla permanece exibindo o bom desempenho, embora o motor 1,8-litro seja algo ruidoso e vibre excessivamente. Sua suspensão segue receitas conhecidas, independente tipo McPherson na dianteira e por eixo de torção na traseira. É primorosamente acertada e, ao contrário do que se apregoa, permite uma tocada mais esportiva, sim. E é igualmente eficaz ao lidar com as irregularidades do piso, garantindo conforto.

Posição de dirigir não é das melhores, principalmente para motoristas mais altos. Além do deslocamento longitudinal limitado do banco, o volante tem apenas regulagem de altura – faz falta o ajuste em distância. À parte a vibração do motor, o Corolla tem interior silencioso e bem-acabado. Os bancos acomodam bem, embora a regulagem do encosto pudesse ser milimétrica, em vez da atual, por alavanca.

Conclui-se que o lançamento da versão flexível em combustível do Corolla tem por objetivo tentar barrar as vendas crescentes de seu principal concorrente: o Civic. Nos quatro primeiros meses deste ano o Toyota perdeu terreno para o Honda, que está 532 unidades vendidas à frente no acumulado de janeiro a abril: 11.246 ante 10.714. E, com a ampliação da fábrica de Sumaré finalizada, o ritmo de produção Honda passará a 400 unidades/dia, permitindo atender à lista de espera, o que deve melhorar sua performance. Inclusive, a Toyota estima que venderá este ano menos do que em 2006, fechando em 34 mil unidades do Corolla 9 mil da Fielder. Ano passado foram vendidas 35.336 unidades do Toyota, enquanto o Civic ficou em 29.131.Chevrolet Vectra

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Volkswagen Jetta

Honda Civic

Nissan Sentra

Ford FusionAudi TT cupê

Golf x Focus x Stilo

Honda CR-V x Toyota RAV4

Mitsubishi Pajero Full 2008

Nissan Sentra 2.0SL x Honda Civic EXS

Volvo C30
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