Um dos pontos mais criticados durante o lançamento foi o painel de instrumentos central, que dificultava a visualização do marcador de combustível (muito pequeno) e o de velocidade. A marca tratou de escurecer o grafismo do visor, mas a solução não eliminou o maior problema. A visualização do equipamento ainda é ruim. Além disso, o encaixe do painel é de má qualidade. Durante o teste foi possível soltar a peça com apenas um dedo.
Calor brasileiro
Aliás, o acabamento geral do carro em nada lembra o refinamento e os encaixes perfeitos do irmão Corolla. Depois de deixar o modelo por cerca de uma hora em um estacionamento descoberto a cola cedeu e a borracha da vedação da porta traseira direita se soltou. Provavelmente por conta do Sol e da temperatura de 30 graus (nada muito diferente do que se encontra em um dia de verão no Brasil). Uma falha gravíssima.
A Toyota terá dificuldade em mudar a atual receptividade do público, já que outros pontos criticados desde o lançamento não foram corrigidos. É o caso da abertura do porta-luvas, que apesar de refrigerado (quando o carro é equipado com ar-condicionado) continua batendo na perna do carona quando aberto. As saídas do ar-condicionado também são desproporcionais. Existem três voltadas para o banco do carona e apenas um para o motorista. Culpa do projeto pensado para a Índia, que tem mão inglesa, com o volante na direita e não na esquerda como aqui.
Racional
A Toyota se apoiou em um discurso racional para a venda do Etios. E o modelo tem algumas racionalidades. É o caso do bom espaço interno para a categoria. O modelo é capaz de transportar quatro adultos avantajados sem problemas. O porta-malas do sedã também merece elogios. Comporta até 562 litros de carga. O desenho também é racional, traz linhas retas para baratear a construção. Há ainda 17 porta-objetos espalhados pela cabine.
Porém algumas racionalidades não fazem sentido frente à concorrência. É o caso do cinto de segurança sem ajuste de altura ou da necessidade de usar a chave para abrir a porta (na versão XS, vendida por R$ 41.790), algo típico dos carros da década de 90, mas quase uma raridade hoje em dia.
O Etios também é espartano nos equipamentos. Além da direção elétrica (bem leve, por sinal), o modelo tem freios ABS com EBD, duplo airbag e rádio com CD player e entrada USB como os principais equipamentos. Nada das “firulas” vistas nos rivais, que contam com kit multimídia, piloto automático, sensores de estacionamento, crepuscular, entre outros.
Bom de rodar
Mas nem tudo está perdido no Etios. A mecânica, esta sim, lembra um verdadeiro Toyota. O motor escolhido para o sedã foi o 1.5 16v flex de 96,5 cavalos de potência máxima quando abastecido com etanol. O propulsor é valente para empurrar o sedã. Mesmo com o porta- malas abastecido é possível retomar a velocidade com relativa facilidade. O câmbio tem engates precisos e trocas suaves.
A suspensão não deixa a carroceria rolar em demasia e filtra bem as imperfeições do solo. Segue a linha dos demais veículos da marca. É macia e privilegia o conforto dos ocupantes.
Ou seja, o Toyota Etios sedã derrapa feio no acabamento, na lista de equipamentos e na ergonomia, mas traz um bom espaço interno, um porta-malas avantajado e um bom conjunto mecânico. É um carro racional, mas que mesmo com as atualizações terá dificuldade em se tornar um campeão de vendas.