Espaçoso e robusto, o Toyota SW4 é um aceno à tradição em um momento em que os SUVs estão cada vez mais próximos dos carros de passeio
Poucas coisas são tão imprevisíveis quanto o mercado automotivo. E um exemplo disso é o Toyota SW4. Um SUV grandalhão, derivado da caminhonete média Hilux, e que custa mais de R$ 400 mil. Mas que fechou 2025 com pouco mais de 17 mil emplacamentos. Volume maior que o de vários modelos menores e mais acessíveis.
O SW4 parece um produto à parte. Mesmo sendo um dos SUVs veteranos do mercado brasileiro, tem resistido bravamente ao ataque dos concorrentes - sejam eles SUVs com chassi de picape e motores a diesel ou modelos mais urbanos, tecnológicos e eletrificados.
Mas, afinal, qual será o segredo do sucesso do Toyota SW4? Passei alguns dias com o SUV da marca japonesa e conto como foi essa experiência.
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E lá se vão 10 anos desde que a Toyota lançou a atual geração do SW4 no mercado brasileiro. De lá para cá, muita coisa mudou. Os SUVs dominaram as ruas e os híbridos e elétricos passaram a disputar espaço com os carros 100% a combustão.
É claro que o SW4 não viu o tempo passar sem novidades. Nesses 10 anos, ganhou mudanças na mecânica, no visual e no conteúdo. Mas nada que tenha sido capaz de alterar o DNA do modelo. Aliás, quando o assunto é SUV derivado de picape média e com motor a diesel, o líder nunca deixou de ser o SW4.
Inclusive, eu resolvi analisar os números de emplacamentos dessa atual geração do SUV da Toyota. Durante boa parte da sua trajetória no Brasil, o modelo manteve uma média de 13 mil unidades emplacadas por ano.
Quase como se o comprador do SW4 decidisse trocar anualmente o seu SW4 por outro SW4. Mas uma coisa curiosa aconteceu a partir de 2023: o modelo superou essa barreira das 13 mil unidades. Tanto que 2025 foi o melhor ano de emplacamentos dessa atual geração. Um resultado que contraria qualquer lógica.

João, o meu filho de quatro anos de idade, adora colocar apelidos nos carros que eu avalio. É joaninha para lá, carro laranja maneiro para cá, ou até mesmo carro do leão. Que é como ele se refere ao nosso Peugeot 207.
No caso do SW4, o João foi categórico do alto do seu metro de altura: é gigante. Apelido explicado pelo fato dele se sentir como se tivesse escalando o carro para acessar a cabine.
Não que o SUV seja absurdo nos números. Com 4,80 metros de comprimento, 1,86 metro de largura, 1,84 metro de altura e 2,75 metros de entre-eixos, o Toyota ocupa um espaço na vaga menor que alguns carros mais urbanos da mesma faixa de preço.
A questão é que o SW4 vende uma imagem de carro parrudo que poucos automóveis são capazes de entregar e até mesmo uma criança é capaz de sacar. E do alto dos meus 1,65 metro de altura, sou obrigado a concordar com o meu filho. É gigante, mesmo!
Enquanto muitos SUVs já partiram para a fórmula das múltiplas telas, o Toyota SW4 é uma volta para um passado não tão distante: quadro de instrumentos analógico e vários botões físicos para comandar desde o sistema de climatização da cabine até o seletor de tração e dos modos de condução.
O SW4 é como aquele pai com mais de 60 anos que valoriza uma bela experiência sonora, embora ainda brigue com o celular para usar o WhatsApp. Isso fica bem claro na multimídia, que tem som assinado pela JBL, porém com uma tela de nove polegadas com resolução apenas razoável e um layout simples.

Uma multimídia que não dispõe de muitos recursos. Por outro lado, é fácil de usar e faz o espelhamento do smartphone sem o uso de cabos.
Essa desatenção proposital com acessórios tecnológicos no SW4 é vista também na ausência do carregador por indução e das portas USB para os passageiros do banco traseiro. Que são itens indisponíveis na versão SRX Platinum de sete lugares.
E o acabamento? Aqui, o SW4 se parece mais com um SUV médio de entrada do que com um modelo premium. Tanto em materiais quanto no visual, o estilo é mais sóbrio que refinado.
Mas um ponto que não dá para criticar no SW4 é o amplo espaço interno. Cinco pessoas viajam com muito conforto no SUV da Toyota. E na versão SRX Platinum de sete lugares ainda é possível levar mais dois passageiros nos banquinhos do porta-malas com relativo conforto. Tem até saídas dedicadas de ar-condicionado. Mas o teto baixo deixa as coisas meio claustrofóbicas para quem tem mais de 1,70 metro.
Diferentemente de outros automóveis de sete lugares, nos quais os banquinhos do porta-malas se transformam no assoalho do bagageiro quando estão fora de uso, no SW4 esses assentos se transformam em bagagem e ficam - literalmente - amarrados nas laterais do porta-malas.
Na versão de cinco lugares, o SW4 tem um bagageiro para 500 litros. Capacidade que - obviamente - cai na configuração de sete lugares. Mas não muito. Mesmo com os banquinhos dobrados roubando espaço, consegui colocar três malas - de 20, 15 e 10 litros -, e ainda sobrou espaço para pelo menos mais uma três malas de 10 quilos.
Na lista de equipamentos, o Toyota SW4 SRX Platinum mistura bom conteúdo com ausências estranhas para um automóvel de mais de R$ 400 mil.
Entre os itens de conforto estão ar-condicionado automático de duas zonas, chave presencial, bancos de couro com ajustes elétricos e ventilação nos assentos dianteiros, multimídia com som JBL e oito alto-falantes, além da tampa do porta-malas com abertura e fechamento elétricos.
Já o pacote tecnológico e de segurança tem faróis de LED com acendimento automático, retrovisor interno eletrocrômico, câmera 360°, sete airbags e seletor de modos de condução. Já o pacote ADAS tem controlador adaptativo de velocidade, frenagem automática de emergência, monitor de pontos cegos, e alertas de saída de faixa e tráfego cruzado na traseira.
É uma boa lista, embora pudesse ser complementada com itens como teto solar, carregador de celular por indução, assistente de centralização em faixa e até mesmo o sensor de chuva.
O SW4 tem um conjunto motriz tradicional, sem eletrificação. O motor 2.8 turbodiesel entrega 204 cv de potência e o câmbio é automático de seis marchas. A tração é 4x4.
FICHA TÉCNICA:
E os números de consumo? Justamente por não ser eletrificado, o SW4 não registra médias impressionantes de consumo. Por outro lado, recorre a uma fórmula tradicional para ir longe: o tanque de combustível grande, com 80 litros de capacidade.
CONSUMO:
Estamos nos acostumando a um universo de SUVs, incluindo aqueles com chassi convencional, que se comportam quase como carros de passeio. Automóveis silenciosos, com direção leve e que vibram pouco.
Mas o SW4 não é assim. Ao volante do SW4, a sensação é de se estar no comando de uma caminhonete média raiz, já que a carroceria vibra como a de uma picape e a suspensão tem acerto de picape.
E basta pisar um pouco mais fundo no acelerador para o ruído do motor invadir com força a cabine. Ah, e tem a direção: no lugar da assistência elétrica usada na maioria dos automóveis atuais, o SW4 tem assistência hidráulica. Com bom peso na estrada, mas um tanto pesada em manobras.
Ou seja: o SW4 não combina com curvas feitas no limite e nem com vagas de estacionamento apertadas. Até porque o sistema de câmera 360° não tem uma resolução das melhores e vale mais a pena confiar nos sensores de estacionamento.
A pegada do SW4 é rodar tranquilo. O conjunto mecânico entrega potência e força na medida para os 2.200 quilos (2,2 toneladas) de peso desse carro. Não sobra e nem falta motor. E o câmbio automático de seis marchas faz estritamente o necessário. Não é lento em demasia, mas também não é ágil.
Por outro lado, mais uma vez, a sensação é de robustez. Quanto mais você dirige o SW4, mais você tem certeza que esse carro é capaz de suportar os piores caminhos com muita tranquilidade. Desde as crateras das cidades até aquela estrada de terra tomada pela lama.
Para fazer as cinco primeiras revisões do SW4, o proprietário terá que desembolsar R$ 1.219 por serviço, em um total de R$ 6.095. Valor baixo para um SUV dessa categoria.
O plano de manutenção do SW4 prevê paradas a cada 12 meses ou 10.000 quilômetros. E a garantia é de cinco anos, podendo ser estendida por cinco anos adicionais ou até 200.000 quilômetros no programa Toyota 10 - prazo condicionado ao cumprimento das revisões.
E o seguro? Fiz uma simulação aqui e a cobertura completa mais barata sairia por R$ 5.161,60. Valor mais elevado que os de outros SUVs na mesma faixa de preço.
O SW4 é comercializado em três versões no mercado brasileiro e, nessa configuração intermediária SRX Platinum, custa pouco mais de R$ 420 mil. Entre os concorrentes mais próximos em proposta e preço estão o SUV diesel Chevrolet Trailblazer e o híbrido plug-in Denza B5.
E depois de alguns dias com o SUV da Toyota você consegue entender como esse automóvel vende tanto. Eu diria que a explicação para esse resultado está justamente em características do modelo que muita gente não vê como virtudes. Enquanto todo mundo tenta ser mais atual, o SW4 rema contra a correnteza.
Não é o mais tecnológico do segmento, além da dinâmica de caminhonete não ser algo admirado por muita gente. Por outro lado, oferece muito espaço e bom nível de equipamentos de conforto, além de uma funcionalidade maior que a de SUVs mais "antenados".
E tem outro lado: a fama da marca e do produto no mercado. É o tipo de carro que você pode escolher sem medo para uma viagem para o fim do mundo. Tudo isso explica como que, mesmo em um mercado tão aquecido, o SW4 até ganhou vendas nos últimos tempos.
O cliente do SW4 só quer saber de SW4. E quem sente saudades dos SUVs raiz, também!
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