Veja avaliação da nova geração do Audi A6

Audi investe na imagem tecnológica do A6 para ganhar vendas nos segmentos premium superiores


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- Munique/Alemanha – As vendas da Audi crescem ano a ano mundo afora. A ponto de já querer brigar com BMW e Mercedes pela liderança mundial entre as marcas premium – situação impensável 10 anos atrás. Mas há um detalhe: a Audi cresceu muito ao inventar novos segmentos premium, em geral, de carros menores e mais atraentes para jovens. Estão nesse caso o A4, o A3, o recente A1 e o futuro A3 sedã, mostrado no Salão de Genebra. Com o público de mais idade, pesa a tradição de BMW e, principalmente, Mercedes-Benz. E é esse sectarismo tradicionalista que a marca premium do Grupo Volkswagen pretende atacar com o novo A6 – modelo que começou a ser vendido este ano na Europa e desembarca no Brasil no segundo semestre. Um bom desempenho no segmento de médios-grandes representaria a aceitação da Audi como marca de luxo entre consumidores de faixas etárias mais avançadas.

Mas, paradoxalmente, a Audi decidiu combater a tradição com armas tecnológicas. Por exemplo: a versão do A6 que vem para o Brasil tem um motor turbo 3.0 V6 com injeção direta e dois intercoolers, um câmbio mecânico de sete marchas com dupla embreagem e modo sequencial, braços da suspensão e vários componentes da estrutura em alumínio – que baixaram o peso do modelo em até 80 kg em relação ao antecessor –, tração integral permanente Quattro, sistema drive select, que altera os parâmetros de condução, como peso da direção e mapeamento da injeção e ignição. Isso citando apenas os recursos que afetam o comportamento dinâmico do carro. Aliás, o propulsor gera redondos 300 cv entre 5.250 e 6.500 rpm, 44,9 kgfm de torque entre 2.900 e 4.500 giros.

Há muitos outros confortos a bordo do sedã de luxo. Como o park assist, que estaciona o carro em vagas paralelas à rua sem interferência do motorista. Outros recursos interessantes do sedã médio-grande são o controle de cruzeiro adaptativo, que trabalha em conjunto com o sistema pre-safe. O primeiro é um cruise control capaz de manter uma distância predeterminada do veículo à frente. Quando a pista está livre, ele reassume a velocidade inicialmente escolhida. O sistema pre-safe também utiliza o sensor de obstáculos à distância e é capaz de acionar o freio e até parar o veículo. A conjugação dos dois sistemas permite que o carro acompanhe o fluxo do trânsito, pare e arranque, acompanhando carro à frente.

Mesmo acreditando no poder de sedução da tecnologia, a Audi não descuidou das características que costumam seduzir os tradicionalistas. Principalmente a sofisticação e o cuidado no acabamento. O habitáculo é recoberto com materiais muito bem escolhidos, numa composição bastante feliz. Inclusive de cores, com cromados, alumínio, detalhes em raiz de madeira marrom escuro e acabamento em couro – cinza ou preto.

Mas no A6 é difícil escapar da tecnologia. Acima do painel há uma tela escamoteável de sete polegadas que exibe os mapas de navegação, monitora o som e as configurações do veículo, entre outras funções. Os comandos são dados por um enorme botão redondo no console central, que funciona como um joy-stick, e por quatro botões – cada um representa uma das opções, que ficam nos cantos da tela. Ainda no console, ao lado da alavanca de marchas, há um touchpad onde se pode escrever, com a ponta do dedo, o endereço para o sistema de GPS ou o nome para uma busca na agenda telefônica.

Como muito itens são opcionais, o preço de um A6 completo vai passar facilmente dos R$ 300 mil. Na Europa, a versão TFSI 30 V6 a gasolina custa, com o pacote mais caro de acabamento e equipamentos, algo em torno de 70 mil euros na Alemanha e França – aproximadamente R$ 160 mil. Com isso, a função do A6 no Brasil fica um pouco diferente que tem lá fora. Enquanto na Europa o A6 tem de enfrentar o BMW Série 5 e o Mercedes-Benz Classe E e roubar uma fatia do mercado, por aqui é um carro de imagem. Tanto que a Audi avalia que as vendas devem ficar na casa de uma dúzia e meia por mês. Ou seja: uma exclusividade forçada pelo preço, mas provavelmente muito bem-vinda para os futuros proprietários.

Instantâneas

# A atual é a sétima geração do sedã médio-grande da Audi, sendo a quarta a utilizar a nomenclatura A6.
# Até 1995, o A6 era chamado de A100. Quando mudou de nome, já estava na quarta geração e foi o modelo que deu origem às primeiras gerações do Volkswagen Passat.
# Além do motor 3.0 V6 TFSI, previsto para ser trazido para o Brasil, o A6 é produzido com outro motor a gasolina, 2.8 FSI de 204 cv, e mais dois a diesel, 2.0 de 177 cv e 3.0 V6 de 204 ou 245 cv.
# Na Europa, opcionalmente, o A6 pode receber um sistema de assistência de visão noturna e outro que alerta para mudanças não-intencionais de faixa, o active lane assist.
# Até 1974, a Audi pertencia à Mercedes-Benz, quando foi vendida para a Volkswagen, que comprou a marca por causa da fábrica, em Ingolstadt, onde passou a produzir exclusivamente Fuscas.

Ponto a ponto

Desempenho – Apesar do porte de sedã de luxo, o A6 arranca com vigor e ganha velocidade com muita facilidade. O motor 3.0 V6 TFSI, com duplo intercooler, rende 300 cv e despeja a totalidade de seus 44,9 kgfm de torque entre 2.900 e 4.500 giros. Na prática, isso se traduz em um motor nervoso, que praticamente suplica por acelerações fortes. Mas como as reações do carro beiram a violência, pisar fundo só é mesmo possível em ambiente rodoviário, com o caminho livre – como ocorre nas "autobahnen" alemãs. Nessas situações, o câmbio de sete marchas com dupla embreagem dá uma enorme agilidade ao sedã médio-grande. O A6, segundo a Audi, estabelece o zero a 100 km/h em 5,5 segundos. A máxima é limitada eletronicamente em 250 km/h – embora no teste o velocímetro marcasse 260 km/h quando ocorreu o corte na injeção. Em trânsito urbano normal, quando dificilmente o motor passa de 2.500 giros, o turbo nem chega a ser acionado. O comportamento do A6 fica apropriadamente dócil e suave. Nota 10.

Estabilidade – O sedã da Audi tem um enorme entre-eixos, de 2,91 metros, e por isso mesmo está longe de ter um comportamento de kart. O carro se vale desse entre-eixos para apresentar uma neutralidade absoluta nas retas e nas curvas de raio longo, embora, naturalmente, fique um pouco menos à vontade em curvas de raio curto. Mesmo assim, não apresenta nenhuma tendência à rolagem. Isso porque, além da enorme parafernália eletrônica embarcada, que inclui o sistema de tração integral Quattro, a construção do modelo conta com muitos materiais leves na suspensão e de alta rigidez torcional em outras partes baixas do modelo. Nota 9.

Interatividade – A variedade de regulagens e comandos e a ergonomia dentro de um modelo premium como o A6 beiram a perfeição. A maior dificuldade é encontrar lugar no painel, console e porta para tantos controles. O A6 aspira o posto de sedã médio-grande premium mais moderno e completo da atualidade. Não tem como escapar, portanto, de sistemas interativos para som – um Bang & Olufsen –, climatização, manobras e até comportamento dinâmico. Através do sistema multimídia – chamado de MMI – é possível fazer várias configurações. Ali também pode-se ainda definir os parâmetros do drive select. Ou então iniciar o park assist. Chama atenção o cruise control adaptativo. Ele trabalha com o sistema pre-sense, que freia o carro na iminência de uma colisão. O problema, na verdade, passa a ser ganhar familiaridade com esta profusão de recursos. Nota 10.

Consumo – A Audi prevê um consumo combinado de 12,2 km/l – 9,2 km/l na cidade e 15 km/l na estrada. O A6 até poderia chegar bem próximo desses valores, se não instigasse tanto o uso do pedal do acelerador. No test-drive, feito quase totalmente em estradas, o computador de bordo acusou um média de 8,2 km/l. Bem razoável diante das exigências feitas ao modelo. Nota 7.

Conforto – No A6, a suspensão é de amplo espectro. Responde de forma suave aos pisos lisos, absorve bem as irregularidades quando preciso e não permite o rolling. No habitáculo, quatro passageiros contam com apoios de braço e assentos muito confortáveis que mais parecem poltronas – os da frente podem receber, opcionalmente, massageadores e sistema de ventilação. O quinto passageiro sofre com a falta de ergonomia do assento mais curto e do encosto esconde um apoio de braços. Sem falar no túnel do cardã. Nota 9.

Tecnologia – A aposta da Audi é tornar o A6 uma referência nesse ponto. Daí o volume impactante de eletrônica embarcada. Chassis, suspensão, motor, assistências à direção e sistemas de entretenimento são de última geração. Nota 10.
Habitabilidade – Estranhamente, o bom entre-eixos de 2,91 metros não se reverte em uma área livre tão generosa no habitáculo. Não que falte espaço para ombros, cabeça ou pernas de quatro passageiros, mas há tantos consoles e apoios de braço que os ocupantes praticamente têm de vestir o carro. Por outro lado, há poucos porta-trecos. O porta-malas é bastante espaçoso: acomoda 530 litros de bagagem. Nota 8.

Acabamento – Numa mistura de materiais, há sempre o risco de cair no exagero. Mas no interior do A6 tudo foi muito bem dosado. Couro, cromado, tecido, plásticos de várias texturas, rádica e alumínio compõem um ambiente elegante e sofisticado. Embora não tenha o requinte de modelos de alto luxo, os materiais são de boa qualidade. E a montagem é bastante atenta e cuidadosa. Nota 9.

Design – O desenho é um ponto decisivo para o sucesso – ou fracasso – comercial de um modelo. Por isso, dificilmente uma marca arrisca em segmentos de volume importante, como o de sedãs de luxo. As linhas do A6 são estudadamente sinuosas, com um agressividade dosada e uma modernidade protocolar. O resultado é bem harmônico, mas falta ousadia. Nota 8.

Custo/Benefício – Mesmo com toda tecnologia, conforto e requinte, é difícil justificar um preço em torno de R$ 300 mil. Ainda mais porque é o dobro do que esta versão custa na Europa – cerca de 70 mil euros, ou R$ 160 mil. Nota 6.
Total – O A6 totalizou 86 pontos em 100 possíveis.

Primeiras Impressões
Lobo em pele de lobo

O Audi A6 não engana ninguém. Basta um olhar para perceber que de sedã sóbrio e comportado ele não tem nada. Começa pelos faróis de desenho agressivo, que afilam em direção à grade e dão ao carro uma certa "cara de mau". Passa pelas rodas de 17 polegadas, que apesar de grandes, mal acomodam os discos de freio. E chega ao perfil longilíneo, acentuado pela pequena distância livre para o solo do modelo. Quando o motor entra em funcionamento, no entanto, é preciso prestar atenção: se os vidros estiverem fechados, dificilmente se ouvirá algum ronco. Este silêncio de catedral é a primeira evidência de que o A6 é também um carro que quer seduzir um público mais tradicionalista.

De fato, pode-se andar com o A6 como se anda com um carro qualquer, sem tomar conhecimento dos aparatos eletrônicos. Seria um veículo potente, silencioso, confortável, estável e sóbrio. Com um bom espaço interno, acabamento esmerado, sistema de som de primeira linha e bancos confortáveis e ergonômicos – os dianteiros podem até embutir massageadores no encosto. Mas fica mais interessante usufruir dos recursos que os engenheiros da Audi tanto suaram para instalar no sedã.

A começar pela eficácia do motor 3.0 V6 turbo. Apesar de ser um propulsor de litragem mediana, tem baixa inércia interna e ganha giro com enorme facilidade. O zero a 100 km/h registrado pela Audi é de módicos 5,5 segundos. A agilidade do carro é mais instigada ainda pelo câmbio sequencial de dupla embreagem e sete marchas e pelo piso perfeito da "autobahn" que liga Munique à cidade-sede da empresa, Ingolstadt. Somente acima de 200 km/h, o ímpeto de aceleração começa a amansar. Mesmo assim, o ponteiro evolui de forma contínua até apontar 260 km/h – ou 250 km/h reais, já que é o momento em que a injeção começa a cortar. Mesmo nesse ponto, não há flutuação ou necessidade de correções de trajetória.

Nas curvas, os 4,91 metros de comprimento do A6 parecem encolher. O longo entre-eixos, de 2,91 m, faz com que o A6 se mostre mais à vontade em curvas de alta, de raio longo. Mas a qualidade construtiva permite que enfrente mesmo as curvas mais fechadas sem maiores sofrimentos. No trânsito pesado da rodovia, foi possível testar a conjugação do cruise control adaptativo com o pre-safe, que é capaz de frear o carro quando detecta um obstáculo à frente. O A6 acelerava, freava, parava e depois arrancava, seguindo fielmente o ritmo do carro à frente. O maior trabalho de quem dirige, nesse caso, é manter a concentração para não dormir.

As opiniões expressas nesta matéria são de responsabilidade de seu autor e não refletem, necessariamente, a opinião do site WebMotors.

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