O Golf GTI da geração 8,5 entrega tudo aquilo que sempre se espera da versão apimentada do hatch médio da Volkswagen. Mas agora restrita para poucos
Pode parecer um contrassenso, mas há carros que não foram feitos para vender muito. São automóveis que os fabricantes lançam não com o objetivo de se tornarem best-sellers, mas de serem cultuados quase como um troféu pelo poucos privilegiados que conseguirem colocar as suas mãos em um exemplar. É o caso desse Volkswagen Golf GTI.
Embora lá fora o GTI seja "só" uma das configurações esportivas da gama Golf - ou seja, a versão apimentada de um automóvel relativamente popular -, esse carro chegou ao Brasil com aura de automóvel exclusivo: custando caro - a partir de R$ 430 mil - e com uma oferta limitadíssima de unidades, que permitiu até que a marca restringisse o hot hatch apenas para donos de esportivos do Grupo Volkswagen.
Afinal, o que a Volkswagen quer mesmo é que você continue comprando Polo, T-Cross, Tiguan e cia. É nessas horas que eu agradeço o privilégio de ser jornalista automotivo e poder testar carros como esse Golf sem precisar sair do Brasil. E já adianto que esse carro ainda tem toda a fórmula para agradar aos fãs dos GTI do passado.
Para a Volkswagen, o Golf é como o pão francês de uma padaria tradicional. Modas como o morango do amor e o bolo de pote vêm e vão, enquanto aquele pãozinho de todos os dias permanece o mesmo.
Coloque lado a lado cada uma das oito gerações do Golf e você verá um automóvel que se moldou às tendências automotivas de cada época. Mas sem perder os elementos que sempre fizeram com que fosse facilmente reconhecido.
No caso desse Golf 8,5, a icônica carroceria com coluna "C" bem larga - e os elementos típicos de um GTI, como os apliques em vermelho, o escape com dupla saída e as rodas de liga leve de 18 polegadas - é combinada a elementos estéticos típicos dos Volkswagen mais recentes, como a grade frontal com LEDs decorativos até o emblema da Volks.
Típico - e raro - hatch de porte médio nesses tempos em que - praticamente tudo - é um SUV, o Golf GTI repete nessa geração 8,5 um traço das gerações passadas: o fato de ser um esportivo versátil o suficiente para tapar buraco no papel de carro de família.
Além do bom espaço para as pernas no banco traseiro, há até saídas de ventilação e controle de temperatura independente para o sistema de ar-condicionado. E o porta-malas - com 344 litros de capacidade - é mais do que o suficiente para um casal com um filho pequeno.
Mas o foco desse carro, mesmo, é no motorista. Ou seria piloto? Mesmo com concessões à modernidade como o quadro de instrumentos digital de 10,9 polegadas e a multimídia de tela grande - 12,9 polegadas - esse Golf GTI faz com que o condutor se sinta como se "vestisse" o automóvel.
E não poderia faltar a opção do interior com os bancos no tradicional tecido xadrez. É uma pena que o exemplar que testei estivesse equipado com os bancos de couro opcionais. Troca que eu nunca faria.
O Golf GTI combina pontos altos e baixos em sua lista de equipamentos. Estão presentes pacote ADAS completo, seis airbags, bancos climatizados e com ajustes elétricos, iluminação ambiente configurável, seletor de modos de condução e teto solar, sistema de som premium Harman Kardon e sistema de ar-condicionado de três zonas.
Por outro lado, o hatch da Volkswagen fica devendo no "pacote Brasil" itens bacanas que estão disponíveis no carro vendido lá na Alemanha, como o head-up display, o sistema de estacionamento automático, câmera de 360 graus, e a suspensão com amortecedores adaptativos.
E por falar no pacote Brasil, o nosso Golf GTI tem 20 cv de potência a menos que o europeu.
Reflexo do processo de tropicalização do modelo para o nosso combustível e adequação às nossas normas de emissões. Mesmo assim, são saudáveis 245 cv de potência despejados pelo motor 2.0 turbo a gasolina, casado com um câmbio automatizado DSG de sete marchas e dupla embreagem.
A tração é dianteira. E o GTI acelera de zero a 100 km/h em 6,1 segundos. Já o consumo é de 9,8 km/l (cidade) e 12,8 km/l (estrada).
O pacote inclui também freios a disco nas quatro rodas, diferencial de deslizamento limitado e um sistema de suspensão com conjunto McPherson na dianteira e multilink na traseira.
Seja aquele Mk3 que marcou a estreia do Golf no Brasil, ou até mesmo aquele bisonho hatch de geração 4,5 que só foi fabricado no Brasil: todo Golf é um carro bacana de guiar. Ainda mais se for um GTI.
Não é diferente nesse Golf GTI 8,5. Mesmo que os 245 cv de potência não pareçam grande coisa nesse mundo em que muitos SUVs ultrapassam os 300 cv de potência, o hatch da Volkswagen é mais uma mostra de que bom comportamento dinâmico é mais importante que cavalaria pura.
E o Golf é pura dinâmica: a combinação de suspensão firme e direção precisa faz com que esse GTI seja uma delícia de guiar principalmente nas estradinhas mais sinuosas. E no modo Sport, então, tudo fica melhor: o acelerador fica ainda mais sensível, a direção se torna ligeiramente mais pesada e o câmbio fica agilíssimo nas trocas de marcha. E como esse 2.0 turbo ronca bonito!
O GTI não chega a ter o comportamento nervoso de outros hatches esportivos. Mas é divertidíssimo de guiar, sempre passando a impressão de que o limite do carro vai muito além da vontade do motorista.
Ao mesmo tempo, no modo Eco de direção você tem um automóvel que ainda é bastante ágil, mas capaz de superar os 14 km/l de média na estrada. E, nessa tocada mais pacata, quem brilha são os assistentes inteligentes de direção do pacote ADAS, que funcionam com suavidade e precisão tipicamente germânicas.
Pois é. Meu trabalho permite guiar essas máquinas sem precisar colocar a mão no bolso. Mas também exige que eu teste a direção semiautônoma em esportivos divertidíssimos de guiar à moda antiga.
O plano de manutenção do Golf GTI prevê paradas a cada 12 meses ou 10.000 quilômetros. E para fazer as cinco primeiras revisões, o proprietário terá que desembolsar R$ 7.212,90. Já a garantia é de três anos, sem limite de quilometragem.
O Golf GTI realmente é fenomenal. Um automóvel ótimo de guiar e que tem uma história importantíssima.
Sem contar o pequeno volume de unidades importadas oficialmente pela Volkswagen para o Brasil. Algo que, certamente, vai influenciar positivamente nos preços desses carros em alguns (poucos) anos.
Mas se você parar para pensar racionalmente - ainda que por alguns segundos -, verá que existem opções de hatches na mesma faixa de preço ou até mais baratos, que são mais insanos que o GTI. Como o Honda Civic Type R (R$ 430.500), o Toyota GR Yaris (R$ 359.990).
Será que existe preço para um sonho? Muita gente acha que não.
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VOLKSWAGEN - GOLF - 2019 |
2.0 350 TSI GASOLINA GTI DSG |
R$ 151530 |
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