Volkswagen Jetta mostra o prazer que há na solidez

Sedã mexicano, com 170 cv e câmbio automático de seis marchas, oferece dirigibilidade e espaço quase impecáveis


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- Carros alemães são conhecidos por sua solidez, só que ela normalmente era reservada às marcas mais caras, como BMW e Mercedes-Benz. Não mais. Em um carro como o Passat, isso até pode ser visto como natural, por sua faixa de preço, mas a VW demonstra cabalmente que quer levar essa característica a seus outros automóveis com o Volkswagen Jetta. Já conhecido dos brasileiros, ele agora chega com 170 cv, gerados pelo mesmo motor 2,5-litros de cinco cilindros.

Casado com um câmbio automático de seis marchas, também único em sua faixa de preço que começa nos R$ 86,26 mil, mas pode bater nos R$ 102.375, como na unidade que avaliamos, o Jetta exibe um comportamento digno de nota. É, entre os sedãs à venda no mercado brasileiro, certamente um dos mais gostosos de dirigir.

O prazer em conduzir este VW começa quando se dá a partida no carro. Silencioso, o motor só se manifesta, e de modo musical, quando o motor passa dos 3.000 rpm. O som é um ronco característico de modelos mais caros. Encorpado, grave, demonstra disposição, mas é respeitoso. Não sai dizendo a todo mundo que é bom. Nem precisa. Basta ver o carro deslizando nas ruas para saber que seu coração é forte.

O que o Jetta não consegue é ser comedido no consumo. Na estrada, ele fez 7,8 km/l; na cidade, 4,5 km/l. Importante dizer que ele andou o tempo todo com ar-condicionado ligado e não exatamente devagar, ainda que sempre dentro do limite de velocidade.

Outra possível explicação para isso é algo que já notamos no Passat e que certamente é algum ajuste de fábrica, uma vez que o Passat não tem um câmbio automático comum, mas sim um câmbio robotizado de dupla embreagem, o DSG. Quando se está em trânsito pesado, depois de ter mantido o carro freado por algum tempo, é preciso pisar forte no acelerador para o carro responder. É como se o conversor de torque não estivesse completamente carregado. Um toque sutil no acelerador, nesses casos, trará uma resposta muito lenta. Mesmo com as seis marchas. Esse é um dos únicos pênaltis deste sedã mexicano.

Em movimento, não há nada que o carro se negue a fazer. Os 228 Nm de torque do motor parecem estar sempre à disposição e as ultrapassagens podem ser feitas com muita segurança. Reduzir marchas, com o kick-down, é tão fácil que o sistema de trocas manuais do câmbio Tiptronic chega a ser dispensável.

Se o motor e o câmbio ajudam, suspensão, freios e direção também não fazem feio. O Jetta encara buracos, valetas e curvas com a firmeza certa. Nem a moleza exagerada dos carros que se preocupam apenas com conforto nem a dureza dos modelos com inclinações de competição. Os freios também param o sedã em espaços curtos, com precisão e sem esforço. A direção, por sua vez, leva o carro para onde o motorista aponta.

Encontrar uma boa posição de dirigir é fácil. O volante tem regulagem de altura e distância, o banco tem regulagem de altura e o ajuste de inclinação do encosto é elétrico. Isso acaba não fazendo muito sentido. Se há um ajuste elétrico, ele deveria se estender a todas as posições do banco distância e altura incluídas. Ainda mais para um carro nessa faixa de preço, que não é exatamente a mais cara do mercado brasileiro, mas está no limite do que uma família de classe média consideraria como “extravagante”.

O acabamento do Jetta, assim como o do Passat, é um primor. Esse, por exemplo, seria um dos quesitos em que ele poderia bater seu conterrâneo, o Ford Fusion. Todos os mostradores, inclusive os do rádio, seguem uma identidade única e os materiais são de alta qualidade. O couro não é Alcântara, mas cumpre perfeitamente bem o seu papel.

A visibilidade, para todos os lados, também não deixa a desejar, mesmo considerando que o Jetta é um sedã e que essa categoria de veículos nem sempre permite uma boa visão na traseira. Os retrovisores são grandes e chamam a atenção, num primeiro momento, por conta dos repetidores integrados. Quando eles se iluminam, especialmente à noite, dão a impressão de que há um carro próximo ao lado. Com o tempo, essa sensação passa. Por costume.

O espaço interno não é tão grande quanto o preço poderia sugerir. Com 2,58 m de entreeixos, o Jetta pode ficar devendo em espaço até para o futuro Fiat Linea, que tem 2,60 m de entreeixos. O Renault Logan, pechincha como ele só, tem 2,63 m.

Ainda assim, o bom acabamento e a sensação de conforto que ele proporciona compensam. Três passageiros têm no banco traseiro um espaço razoável, ainda que o ideal seja a presença de apenas duas pessoas adultas em viagens longas. No porta-malas, 538 l de capacidade não deixam a mala de ninguém para trás. Ali também há nichos para carregar objetos pequenos, muito úteis para compras pequenas.

A unidade que testamos tinha faróis de xenônio, teto solar e outros equipamentos a mais, mas a versão básica do carro já vem com tudo que ele tem de melhor: o motor musical, o estilo imponente, ainda que discreto, e uma dirigibilidade que dá saudade em quem tem de devolver o carro à fábrica depois da avaliação. Para quem pode comprá-lo, a pedida é boa.

FICHA TÉCNICA – VW Jetta


MOTOR Quatro tempos, cinco cilindros em linha, transversal, quatro válvulas por cilindro, refrigeração líquida, 2.480 cm³
POTÊNCIA170 cv a 5.000 rpm
TORQUE 228 Nm a 3.750 rpm
CÂMBIO Automático de seis velocidades
TRAÇÃO Dianteira
DIREÇÃO Hidráulica, por pinhão e cremalheira
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 16”, de liga-leve
PNEUS Dianteiros e traseiros 205 / 55 R16
COMPRIMENTO 4,55 m
ALTURA 1,46 m
LARGURA 1,78 m
ENTREEIXOS 2,58 m
PORTA-MALAS 538 l
PESO em ordem de marcha 1.431 kg
TANQUE55 l
SUSPENSÃO Dianteira independente, tipo McPherson; traseira com multilink
FREIOS Discos ventilados na dianteira e discos simples na traseira
PREÇO R$ 102.375


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