VW Amarok pode ser considerada a melhor de sua turma

Ainda que com detalhes a melhorar, picape média se destaca por comportamento e conforto


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Bariloche, Argentina - Essa é a primeira avaliação que escrevemos sem poder dizer a nossos leitores se o carro em questão é bom negócio ou não. Isso, evidentemente, depende do preço, e a Volkswagen, no lançamento mundial da Amarok à imprensa especializada, preferiu não entrar nessa seara, o que é comum em eventos mundiais de apresentação de produtos. O preço só deve ser divulgado quando as primeiras unidades da primeira picape média da marca chegarem às revendas, em abril. Em todo caso, até abril os leitores do WebMotors podem guardar uma certeza: a Amarok vai dar bastante trabalho à concorrência.

Essa conclusão não se baseia apenas no estilo agradável da picape, que vai deixar gregos e troianos satisfeitos, mas também a diversas qualidades que, em seu segmento, apenas a Amarok oferece.

Um desses aspectos, importante para quem gosta de dirigir, é a boa ergonomia. A picape da VW tem volante regulável em altura e distância por enquanto, é a única com essa opção, bancos dianteiros reguláveis em altura, comandos dos vidros e dos retrovisores elétricos no apoio de braço do motorista e bancos que acolhem bem os passageiros da frente.

A Amarok também surpreende em conforto. O ar-condicionado digital Climatronic tem regulagens de temperatura independentes para motorista e passageiro. A iluminação do painel, vermelha, tornará menos cansativa a vida de quem tiver de ou quiser dirigi-la à noite. O sistema de som, RCD 510, tem disqueteira para seis CDs, tela sensível ao toque, que ocupa quase toda a parte central do painel, e tem entrada para cartão SD.

Na traseira, os bancos não são rasos como os de picapes tradicionais, sem apoio para as coxas, o que acaba cansando os passageiros em viagens mais longas. Na Amarok, quem viaja atrás terá mais conforto. Com assento e encosto rebatíveis, o banco traseiro também pode dar lugar a um espaço para malas ou compras, por exemplo.

A caçamba há de interessar aos que pensam na Amarok como meio de trabalho. Ela tem 1,56 m de comprimento, 1,62 m de largura máxima e 1,22 m de largura mínima e 53 cm de altura. Isso dá 1,33 m³ de carga, ou um volume de 1.330 l. A capacidade de carga da picape, para o Brasil, será de 1.047 kg.

O acabamento, mesmo que com bastante plástico, emprega materiais de boa qualidade. Na picape que avaliamos, possivelmente um modelo pré-série, ou seja, ainda sem os acertos de produção final, os tais plásticos, assanhados, já faziam um ruído aqui e ali. Esperemos que a versão de produção em série elimine essa promessa de uma sinfonia indesejada.

Ao volante

Escolhida a melhor posição de dirigir, nota-se que a Amarok oferece excelente visibilidade em qualquer direção. A barra de proteção no vidro traseiro não é impedimento à visão, como na irmã menor da Amarok, a Saveiro. Chega a hora de dar a partida na criança de 5,25 m de comprimento, 1,95 m de largura, 1,83 m de altura e 3,10 m de entre-eixos.

É aí que a ficha técnica fornecida pela Volkswagen parece conter algum erro. Como, afinal, pode uma picape desse tamanho e com esse peso 1.882 kg ser animada por um motor de apenas dois litros? Pois pode. O propulsor CRTDI Biturbo R4 tem 163 cv a 4.000 rpm e 400 Nm de torque entre 1.500 rpm e 2.000 rpm. É torque de motor V8, e o comportamento da picape é quase digno de um não fosse o peso.

As acelerações são vigorosas desde o início, mesmo em rotações baixas. Isso se deve justamente aos dois turbos do motor, um menor, para encher o motor rapidamente, e um maior, para rotações mais altas. A progressividade impressiona, como é padrão dos motores turbinados da Volkswagen. Nada de dupla personalidade, como nos motores T-JET da Fiat: 1,4-litro abaixo de 1.800 rpm e 2-litros acima dessa rotação.

A Amarok poderia ter seguido uma receita nova e adotado o monobloco, mas recorreu à mesma receita de sua maior concorrente, a Toyota Hilux, e se apoiou em um chassi convencional. O comportamento de picapes assim é normalmente o de uma sambista, com carroceria que torce e requebra bastante. Na passarela, é bonito de ver. Na estrada, compromete a dirigibilidade. Não na Amarok.

Uma picape nunca conseguirá deixar de ser uma picape, ou seja, um veículo pesado, feito para levar carga e, portanto, não muito amigo do bom comportamento dinâmico, mas a picape média da Volkswagen quase chega lá.

No lado positivo, ela não torce como uma picape qualquer torceria, mesmo em terrenos acidentados. Até se ouve a suspensão sofrendo com os buracos e imperfeições, mas a carroceria não entra em convulsão, como acontece com muitas concorrentes. A alavanca de câmbio também não vibra e a transmissão, de seis marchas com quinta e sexta marchas voltadas ao consumo baixo de combustível, tem engates suaves.

No negativo, que a mantém como uma legítima picape, estão o peso da embreagem e a distribuição de peso. Apesar de hidráulica, ela é um pouco dura. A suspensão é firme e bem acertada, mas não consegue evitar a sensação de que, com a caçamba carregada a da picape que avaliamos tinha um lastro de 200 kg, a traseira pode passar à frente da dianteira em qualquer bobeada. Como dissemos, picapes não foram feitas para grandes arroubos esportivos.

O que acaba salvando a Amarok são os diversos dispositivos eletrônicos de segurança, como o controle de tração ASR, de estabilidade ESP, opcional como as rodas de aro 19” e o ABS, que tem o modo de asfalto e um especial para estradas de terra. Pena é a Amarok ter discos só no freio dianteiro. A traseira usa tambores, o que não surpreende em um veículo com eixo rígido e feixe de molas.

Ainda que não seja perfeita, a Amarok está mais para automóvel do que para picape, quando está no asfalto, e desempenha seu papel de veículo de carga com desenvoltura. Será o melhor veículo de seu segmento quando começar a ser vendida nas 736 concessionárias VW do Brasil. Não surpreende que a marca não tenha divulgado preços. Se eles forem baixos, ou competitivos, como disse Thomas Schmall, presidente da marca no Brasil, a concorrência vai ter de se retorcer para diminuir a vantagem alemã. Para que antecipar a necessária reação, não é mesmo?

FICHA TÉCNICA – VW Amarok

MOTORQuatro tempos, quatro cilindros em linha, transversal, refrigeração a água, 1.968 cm³, a diesel, biturbo
POTÊNCIA 163 cv a 4.000 rpm
TORQUE400 Nm de 1.500 rpm 2.000 rpm
CÂMBIOManual de seis velocidades
TRAÇÃO Traseira ou nas quatro rodas, com reduzida
DIREÇÃOPor pinhão e cremalheira, com assistência elétrica
RODAS Dianteiras e traseiras em aro 18” de liga-leve, com aro 19” opcional
PNEUS Dianteiros e traseiros 255/60 R18
COMPRIMENTO 5,25 m
ALTURA 1,83 m
LARGURA 1,94 m
ENTRE-EIXOS 3,10 m
CAÇAMBA1.330 l
PESO em ordem de marcha 1.882 kg
TANQUE80 l
SUSPENSÃO Dianteira independente, com braços triangulares sobrepostos Double Wishbone; traseira com eixo rígido e feixes de molas de dois estágios
FREIOS Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
CORESBranco Cristal, Verde Tropical, Prata Vegas, Prata Sargas, Cinza Iron, Azul Island, Marrom Safári e Preto Mystic
PREÇOEm torno de R$ 120 mil


Gustavo Henrique Ruffo viajou a Bariloche a convite da Volkswagen


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