VW Eos diverte com competência


  1. Home
  2. Testes
  3. VW Eos diverte com competência
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

- Unir qualidades de um conversível e de um cupê atrai cada vez mais compradores no mundo. Na Europa, podem chegar a 170.000 por ano já em 2007. O teto dobrável de aço no lugar da tradicional capota de lona traz várias vantagens, além de aumentar a segurança patrimonial e evitar atos de vandalismo. Com a capota fechada o automóvel apresenta uma silhueta mais elegante e bonita, há ganhos substanciais em aerodinâmica, nível de ruído, vedação e ainda segurança adicional em caso de capotagem.

Utilizar o recurso nos conversíveis é idéia antiga. A Peugeot reivindica o lançamento do primeiro com essas características em 1937, o 402 Eclipse. Marcas americanas também já fizeram incursões neste campo, como o Ford Fairlane 500 de 1957. A empresa francesa lançou a moda atual ao popularizar o 206 CC. Agora mais de 10 fabricantes oferecem opções na categoria cupê-conversível, que conquista clientes especialmente em países de clima frio ávidos pela sensação plena de guiar tendo o sol como testemunha.

A Volkswagen produziu mais de um milhão de conversíveis desde o advento do Fusca, incluindo Karmann-Ghia, Golf e New Beetle. Sucessor do Golf cabriolet, o Eos, apresentado no Salão de Frankfurt do ano passado, é fabricado em Setúbal, Portugal. O nome se refere, na mitologia grega, à deusa do alvorecer. Diz a lenda que Eos, irmã de Hélios, deus do sol, todas as manhãs emergia das profundezas do oceano com sua carruagem para trazer a luz do dia à humanidade. O Eos será comercializado, no Brasil, a partir do início de 2007, mas exibido antes no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.

A fábrica alemã destaca que seu primeiro cupê-conversível quebra regras, pois não se trata de um modelo existente adaptado. Enfatiza ser o primeiro nessa categoria com teto solar integrado de vidro, que levou a dividir a capota de aço em cinco seções, duas a mais em relação aos concorrentes. Pode parecer pouco, mas a luminosidade proporcionada pelo teto transparente de 0,4 m² traz bem-estar aos proprietários de conversíveis, porque durante quase 10 meses do ano eles são forçados, pelo frio intenso, a manter a capota de aço ou de lona fechada.

O sistema da VW mostra outra vantagem. A curvatura do teto permite que o quadro do pára-brisa avance menos sobre o interior do carro, facilitando entrada e saída dos passageiros e incidência mais direta do sol com a capota aberta. Abri-la ou fechá-la é operação de apenas 25 segundos, apesar de movimentos aparentemente complexos, porém suaves. Afinal, o conjunto do teto possui 470 componentes. Pode ser acionado mesmo em garagem de teto baixo e há sensores que detectam obstáculos. A estrutura recolhida é compacta, permitindo desenho elegante na traseira. O volume do porta-malas, no entanto, se reduz de 380 litros para acanhados 205 litros com a capota recolhida. A tampa da mala possui fechamento elétrico automático.

Estilo e mecânica

Um dos pontos altos do Eos, seu estilo moderno dosa equilíbrio e ousadia, com destaque para o teto em arco, típico da marca alemã. A frente, semelhante à do Jetta, apresenta novo conjunto ótico e o capô forma delicadas “sobrancelhas” sobre os faróis. Suas proporções — 4,41 m de comprimento, 1,79 m de largura e 1,44 m de altura — são interessantes, pois adota o mesmo entreeixos do Golf 2,58 m, mas com bitolas iguais às do Passat ambos, na realidade, compartilham a arquitetura. Isso tornou as caixas de rodas bem salientes, o que garante charme especial e aparência arrojada. A traseira mantém o estilo musculoso, sem exagero, e lanternas derivadas das do Passat. A antena fica embutida na tampa em plástico do porta-malas, para completar o desenho limpo. De perfil e aberto, o Eos parece um conversível maior do que suas dimensões reais sugerem.

O interior para quatro passageiros é novo, apesar de alguns elementos de outros modelos VW. Painel, consoles, laterais de portas e bancos traseiros estão redesenhados. Há opção de dois bancos elétricos dianteiros com memória, algo bastante útil em um automóvel de duas portas quando passageiros entram e saem do banco traseiro. Acabamento é de couro no volante e nas alavancas de câmbio e de freio. Sistema de áudio com 10 alto-falantes tem 600 W de potência.

Destaque ainda para a segurança: corretor eletrônico de trajetória, airbags frontais e laterais estes protegem cabeça e tórax, apoios de cabeça dianteiros ativos e arco de proteção retraído capaz de levantar em 0,25 s, se detectadas situações de risco de capotagem, entre outros dispositivos. Os faróis bixenônio possuem, além de iluminação dinâmica em curvas, luzes fixas laterais muito úteis em várias situações, como cruzamentos.

Estão disponíveis três motores a gasolina de quatro cilindros 115 cv a 200 cv, todos com injeção direta, e uma opção a diesel. Os câmbios manuais são sempre de seis marchas. A versão mais potente, V6 de 3,2 litros/250 cv, disponível só no terceiro trimestre deste ano, oferece o esplêndido câmbio de duplo acoplamento DSG que proporciona trocas de marchas instantâneas sem interrupção de potência, incluindo o modo automático.

Ao volante

No lançamento internacional à imprensa, a VW elegeu a bela região de Attica, nos arredores de Atenas, capital da Grécia, para avaliação do Eos. O circuito consistia de três trechos, cerca de 60 km cada, por ruas, estradas e auto-estradas. Infelizmente, nenhum dos carros estava equipado com o motor de 250 cv e o câmbio DSG. Em dois terços da viagem, foi utilizada a versão de 150 cv, inicialmente a única a ser vendida aqui.

A ergonomia perfeita é a primeira constatação. Tudo à mão e no lugar certo. Especial destaque para a grande precisão e maciez de engates da caixa de câmbio e um bem definido apoio para o pé esquerdo. O banco do motorista possui ajuste elétrico de 12 posições para atender os mais exigentes. No primeiro trecho, com capota fechada, houve especial atenção aos ruídos de vento. Afinal, o fabricante atrasou o início das vendas em alguns meses a fim de superar alguma deficiência de vedação, durante o processo inicial de produção. Não se pode afirmar que atingiu a perfeição neste mister, mas o nível alcançado está bom, considerando dimensões e características da capota. Em velocidades acima de 110 km/h, o ruído de vento aumenta bastante com o teto solar aberto, mesmo levantando seu defletor.

Ao abrir a capota, mantendo os vidros das portas levantados, a turbulência do ar é menor do que em outros conversíveis já avaliados, comprovando o trabalho de acerto aerodinâmico bem feito. Ocupantes do banco traseiro são pouco incomodados pelo vento desde que até uns 100 km/h. Na auto-estrada, acima de 130 km/h, viajando apenas motorista e acompanhante, basta colocar um defletor sobre o banco traseiro, fácil de instalar. Quando dobrado e guardado no porta-malas, suas dimensões reduzem-se a um quarto.

O sistema de ar-condicionado foi projetado para uso em conversível, mesmo com o teto aberto. Não se sentem vibrações no volante típicas de conversíveis nem movimentos do painel. A rigidez torcional da carroceria, conjugada às bitolas largas em relação ao comprimento, à suspensão dianteira do Golf e à suspensão traseira multibraço do Passat tornam bastante fácil e segura a condução rápida do Eos. Esse juízo saiu fortalecido no terço final da avaliação, já com o impressionante motor turbo de 2 litros/200 cv, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em 7,8 s 2 s mais rápido, com consumo médio de 12,2 km/l quase igual ao de 150 cv, segundo o fabricante.

O preço do Eos começa em torno dos € 30.000,00, na Europa, mais caro que rivais diretos, como o Peugeot 307 CC. Considerando, porém, seu bom arranjo interno, equipamentos e refinamento mecânico, justificam-se os prováveis R$ 130.000,00 que a VW deve cobrar pela versão de 150 cv. No Brasil, o mercado é muito limitado, mas parece interessar à fábrica o efeito demonstração da presença competitiva superior em todos os segmentos.
_______________________________
E-mail: Comente esta matéria

Comentários

Ofertas Relacionadas

logo Webmotors