- Quando uma empresa lança um sedã pequeno, o segundo maior segmento de mercado automotivo no Brasil, a idéia é que ela ofereça um produto competitivo, certo? Nem sempre. Basta ver o caso da Peugeot, que saiu com o 207 Passion a partir de R$ 38,79 mil. Quem já tem mais tempo de estrada no país não se arrisca a cair no mesmo erro, como mostrou a Volkswagen com o Voyage, que, em sua versão 1.0, com motor 1-litro, começa nos R$ 28,99 mil.
É um preço um pouco mais alto do que a Fiat cobra pelo Siena Fire, também com motor 1-litro, mas bem mais defasado que o modelo da Volkswagen, ainda que custe quase R$ 1.000 a menos R$ 28.917. Neste segmento, aliás, ninguém bate em preço o Chevrolet Classic, que custa R$ 25.379. Para quem não se importa em comprar um carro novo que há mais de dez anos tem o mesmo desenho, é um negócio a analisar. Mas, se a preocupação for com espaço interno, quem não encontra rival é o Renault Logan, que, por R$ 27,89 mil, oferece mais do que um Toyota Corolla. Em um ambiente assim, como o Voyage poderia se sobressair? Com um pouco de tudo o que cada um tem de melhor.
Com entreeixos de 2,47 m, ele não chega a ameaçar os 2,63 m do Logan. Também não se atreve a competir, com seu porta-malas de 480 l, com o de 510 l do concorrente francês, mas está em posição de vantagem frente a todo o restante dos concorrentes. O Siena até tem um porta-malas maior, de 500 l, mas tem 10 cm a menos de entreeixos e oferece bem menos espaço interno, além de não ser nenhuma novidade. O Classic é menor em todas as medidas e é o mais antigo da turma.
Pode parecer implicância, mas quanto mais novo é um projeto, menor é a chance de ele sofrer mudanças a curto prazo. Isso que garante uma compra menos preocupada com a possibilidade de breves desvalorizações. E, dentre todos os que estão no mercado atualmente, o do Voyage é o mais atual.
Outra vantagem do modelo da Volkswagen é o desenho. Apesar de um bocado conservador e sem muita personalidade, ele é mais bem aceito que o do Logan, considerado quadrado demais por muitos consumidores.
Um mal que afeta a todos os veículos citados, com exceção do 207 Passion, é o fato de serem bastante desprovidos de equipamentos. Para ter um Voyage como o desta reportagem, com ar-condicionado, toca-CD com MP3, direção hidráulica etc., os R$ 28,99 mil serão insuficientes. E, considerando o gasto adicional, é sempre mais vantagem pensar em um veículo com motor mais forte.
Ao volante
A aura de novidade do Voyage confere a ele outras vantagens sobre os concorrentes. Os ajustes para a melhor posição de dirigir, por exemplo, são mais completos. O volante pode ter regulagem de altura e de distância. No Logan, isso não existe nem como opcional, uma falha que não deve ser resolvida tão cedo, se é que vai.
O banco do motorista com ajuste de altura é item de série, um exemplo que deveria ser seguido pela concorrência, ainda que a alavanca de ajuste no sedã da VW seja um bocado desajeitada, grande demais.
Outro item de série do Voyage, alardeado como vantagem pela marca alemã, é a abertura interna do porta-malas por comando elétrico. Considerando que a tampa não tem nenhum dispositivo de abertura que não a chave poderia ter algum tipo de maçaneta, a abertura interna é quase necessária. E tende a se tornar padrão, se pensarmos que o Ford Ka, mais barato que o Voyage, também a oferece.
Com o Voyage em movimento, o que se nota é um bom casamento do motor 1-litro com os 970 kg do sedãzinho, que reage bem às demandas do acelerador. É evidente que, com um motor tão pequeno, ele não poderia ter desempenho esportivo, mas não decepciona. Em estrada, com a devida dose de cuidado, pode-se fazer ultrapassagens com bastante confiança. O motor VHT, que privilegia o torque, garante essa tranqüilidade.
Em termos de economia, a Volkswagen, seguindo os preceitos da norma NBR 7024, divulga que o Voyage faz 14,1 km/l de gasolina e 9,6 km/l de álcool na cidade. Na estrada, a marca chega a 18,6 km/l de gasolina e 12,6 km/l de álcool. Em nossa medição, feita só na cidade, com o ar-condicionado ligado, atingimos 5,3 km/l com álcool, o que não invalida, de modo nenhum, os números informados pela Volkswagen.
Como sempre fazemos questão de explicar, a norma NBR 7024 disciplina uma medição de consumo em dinamômetro, num ambiente de laboratório, que todas as montadoras podem reproduzir. Com isso, ninguém sai favorecido e o consumidor pode comparar qual veículo é mais econômico. E o Voyage, diante da concorrência, não tem do que reclamar.
Moderno, econômico e espaçoso, o novo sedã pequeno da marca alemã promete cumprir sua missão: a de ajudar a Volkswagen a ampliar sua participação de mercado e voltar a brigar pela posição de líder do mercado brasileiro. Resta saber se a concorrência vai assistir sem fazer nada ou reagir.
FICHA TÉCNICA – VW Voyage 1.0
| MOTOR | Quatro tempos, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, refrigeração a água, a gasolina, 999 cm³ |
| POTÊNCIA | 72 cv gasolina e 76 cv álcool a 5.250 rpm |
| TORQUE | 95 Nm gasolina e 104 Nm álcool a 3.850 rpm |
| CÂMBIO | Manual de cinco velocidades |
| TRAÇÃO | Dianteira |
| DIREÇÃO | Por pinhão e cremalheira; hidráulica |
| RODAS | Dianteiras e traseiras em aro 14” |
| PNEUS | Dianteiros e traseiros 175/70 R14 |
| COMPRIMENTO | 4,23 m |
| ALTURA | 1,46 m |
| LARGURA | 1,66 m |
| ENTREEIXOS | 2,47 m |
| PORTA-MALAS | 480 l |
| PESO em ordem de marcha | 970 kg |
| TANQUE | 55 l |
| SUSPENSÃO | Dianteira Independente , tipo McPherson,; traseira Interdependente, com braços longitudinais |
| FREIOS | Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira |
| CORES | Branco, preto, prata, cinza, vermelho e azul |
| PREÇO | R$ 28,99 mil sem opcionais |