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Teste WebMotors: JAC J3 Turin surpreende até os mais céticos

Sedã compacto inovou o mercado, mas ainda gera dúvidas

Rodrigo Ribeiro
Rodrigo Ribeiro

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– Pela garagem do WebMotors já passaram diversos modelos, incluindo utilitários, esportivos e microcarros. Mas poucos geraram tantos questionamentos quanto o JAC J3 Turin. Afinal, todos podem admirar uma Ferrari, mas um sedã completo que ainda custa R$ 39.900 tem muito mais apelo perante o público – que é até mais exigente.

O fato de a 458 Italia não ter vidros elétricos do tipo “um toque” não vai impedir que seu futuro proprietário assine um cheque de R$ 1,5 milhão. Mas em um segmento onde cada centavo conta e, ainda por cima, se é um novato, qualquer detalhe pode fazer com que se perca uma venda. Nas vendas o J3 Turin parece superar isso – até a publicação desta matéria foram vendidos mais de 6.500 unidades do sedã chinês.

Carro do Faustão
O índice mostra que há uma boa parcela de corajosos no segmento de sedãs compactos. Não que o J3 Turin seja uma bomba. Porém, por mais bem construído e completo que seja um veículo, poucos desejam investir uma quantia razoável de dinheiro quando pontos como manutenção e revenda ainda são obscuros.

O motivo por tantos estarem comprando um carro que não se sabe como irá se comportar daqui a um ano foi dado no lançamento do J6. Em um vídeo mostrado no evento, diversos compradores da minivan afirmaram terem adquirido-a devido à credibilidade de seu famoso garoto-propaganda.

Felizmente o J3 Turin não depende só dos comerciais para se dar bem nas revendas. Mirando nas versões três volumes de Fiat Palio, VW Gol e Ford Fiesta RoCam, o JAC procura se igualar no preço das versões básicas ou intermediárias dos rivais, porém com mais conteúdo. Quando chegou ao mercado, o J3 Turin era o único a ter trio elétrico, direção hidráulica, ar-condicionado, ABS e airbag duplo de série. A reação veio em semanas, com a Ford equipando e tabelando o Fiesta Sedan para que ficasse idêntico ao rival oriental.

Arredondamento
Correção: quase idêntico. Isso porque enquanto todos os seus concorrentes têm motor 1,6L, o J3 Turin é empurrado por um propulsor de 1,3L. A fábrica prefere afirmar que o quatro-cilindros 16V de 1.332 cm³ é um 1,4L, mas o WebMotors optou por manter o arredondamento matemático padrão.

Sérgio Habib, presidente da JAC do Brasil, talvez possa ter pensado que seria difícil vender um sedã 1.3 contra um mercado repleto de 1.6. Mas se a cilindrada do J3 Turin pode gerar dúvidas entre os mais céticos, a potência de 108 cv resolve o problema.

Com força similar ou até superior, no caso do Voyage, o J3 Turin tem fôlego de sobra para o trânsito urbano. Acelerações mais vigorosas ou ladeiras íngremes pedem por rotações mais altas – os 14,1 kgfm de torque têm seu pico a 4.500 rpm -, mas tal atitude não irá interromper sua conversa, graças ao bom isolamento acústico. O câmbio tem relações curtas para a estrada, mas acompanha o ritmo do motor com engates precisos. O ponto fraco fica apenas por conta do curso da alavanca, muito longo.

Moleza brasileira
Independente nas quatro rodas, a suspensão teve sua altura elevada e sua rigidez alterada por conta das peculiaridades do “ótimo” asfalto brasileiro. Os céticos podem dizer que isso transformou o sedã em um carro alto e molenga, péssimo para curvas rápidas. Eles não estão errados. Mas para a maioria dos consumidores o J3 é um sedã confortável e que não tem medo de valetas. Em locais onde até o New Fiesta raspava os para-choques, o J3 Turin passava de maneira imbatível. É uma questão de preferência. A JAC optou por seguir a escola Fiat de suspensão, enquanto quem prefere uma tocada mais esportiva poderá optar pelos modelos da VW ou Ford.

Porém a maior parte das pessoas que compra um sedã está preocupada com espaço. Bem, dentro do carro o J3 tem espaço razoável para quatro adultos, como na maioria de seus rivais – exceção feita ao Renault Logan, maior do que todos eles por dentro e no porta-malas 510 litros. Justiça seja feita, com 490 litros, o compartimento de carga o J3 Turin só perde pro líder nessa categoria e para o Siena 500 litros.

A competitividade do J3 Turin continua na hora de abastecer. Se por um lado o fato de só beber gasolina é um demérito no “país do carro flex”, o pequeno chinês compensa com moderados 7,8 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada, com o ar-condicionado ligado em 50% do tempo. O climatizador, aliás, mostrou-se adequado para o clima brasileiro e possui acionamento macio e silencioso, detalhe que ajuda a vender carro no showroom.

O que não vai ajudar muito é a regulagem da altura da direção, muito dura, e algumas características chatas dos modelos chineses, como o plugue USB no padrão Mini, menor do que o habitual. Um cabo adaptador vem no porta-luvas de todos os carros, mas nem todo mundo gosta de ver seu pen drive chacoalhando no ar ou dançando no porta-trecos logo abaixo do CD-Player.

Precursor
Confortável, espaçoso, recheado e com um preço tentador. O J3 chegou ao Brasil com uma artilharia imbatível. Contudo, provavelmente nem Sérgio Habib, presidente da JAC do Brasil, imaginou o tamanho do impacto que seus carros provocaram no mercado. Longe dos microfones, é unânime o discurso de que a montadora, ao lado da conterrânea Chery, foi o estopim para a polêmica mudança do IPI.

O J3 Turin tem defeitos – como seus rivais, aliás. Mas suas virtudes superam isso e obtiveram o reconhecimento indireto da área mais improvável: a concorrência. O governo pode ter mudado as regras do jogo para combater os chineses, mas tudo indica que cada vez mais a garagem do WebMotors será cada vez mais frequentada por carros produzidos na China.

Confira a nossa avaliação em vídeo:


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Rodrigo Ribeiro

Escrito por Rodrigo Ribeiro

Repórter, WM1

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