Ser ou não ser o ‘mini Uno’, eis a questão
Levamos para o 'divã' (testamos) o Fiat Mobi na versão Like On
Patrocinado
Resumo do teste
Com um preço mais competitivo e atraente, e uma mecânica mais moderna, o Fiat Mobi pode ser um carro interessante e reunir atributos para figurar entre os mais vendidos. Hoje, porém, não tem argumentos contundentes para convencer o consumidor
- Torque
- 9,93850 kgfm
9,5 kgfm a 3850 rpm (G) - Consumo Cidade
- 11,9 km/l (E)
8,4 km/l (G) - Consumo Estrada
- 13,3 km/l (E)
9,2 km/l (G) - Bagagem/carga
- 235 litros
- Câmbio
- Manual,
5 marchas

Sobraram críticas. Alguns não encontraram motivos para sua existência. Outros bateram duro na falta de novidades mecânicas, principalmente. Muitos pegaram pesado no preço. E todos o chamaram de ‘Mini Uno’ – uma ofensa para a Fiat. Fato é que antes cercada de expectativas, a chegada do Mobi ganhou contornos de dúvida. Suas chances de sucesso haviam sido reduzidas a commodity de fracasso anunciado. Mas será que o subcompacto da marca italiana é isso mesmo – uma sonora decepção – ou apenas um caso de primeira impressão desastrosa. Para resolver este dilema, nada melhor que rodar (muito) uma semana com o pequenino.
A versão avaliada foi a Like On 1.0 Flex parte de R$ 42.300. Sim é alto. Muito alto, aliás. Porém, vamos deixar esta questão financeira para depois. Quero entender o Mobi, antes de tudo, como carro. Como máquina.
O visual não é arrebatador. Subcompactos, normalmente, não são bonitos. São, no máximo, simpáticos. E para mim, este Fiat é apenas ‘ok’. Passa completamente desapercebido. Tem quem goste. Que capta carisma em seus faróis grandes e, realmente, marcantes. E em sua traseira achatada, de lanternas ‘quadradas arredondadas’ e tampa do porta-malas preta, ao melhor estilo Volkswagen UP! TSi.
























Entro e me sinto dentro de um…Uno! O volante multifuncional com comandos para a mão direita. O painel de instrumentos pequeno, velocímetro grande e centralizado com o computador de bordo no centro. Os botões do ar-condicionado. Os comandos dos vidros elétricos nas portas. Os materiais utilizados no acabamento interno – dominado pelo plástico. As texturas. Tudo faz lembrar o Uno.


Completamente compreensível que a Fiat utilize peças de outros modelos – isso torna os custos de produção menores -, mas, falando em acabamento, algumas diferenciações são fundamentais para dar personalidade ao modelo. E falta isso ao Mobi: personalidade.
E com a proposta de ser um ‘urbanoide’, um city car, o porte do Mobi, claro, é mais acanhado. São 3,56 metros de comprimento, sendo apenas 2,30 metros de distância entre os eixos (Uno tem 7 centímetros a mais, o que faz uma grande diferença). Se na frente duas pessoas viajam tranquilamente, atrás o mesmo não acontece. Apesar de ter cintos de segurança para até três passageiros – aquele que viaja na posição central terá que se contentar com um cinto de somente dois pontos -, o Mobi leva relativamente confortáveis apenas duas pessoas. E elas não podem ter muito mais de 1,70 metro de altura, pois os joelhos vão raspar no encosto dos bancos dianteiros.
O visual não é arrebatador. Subcompactos, normalmente, não são bonitos. São, no máximo, simpáticos. E para mim, este Fiat é apenas ‘ok’
Para quem tem filho pequeno, como é o meu caso, não há ISOFIX para fixação da cadeirinha. E o espaço traseiro não é ideal: ou o passageiro da frente puxa o assento e se encolhe, ou a criança fica mais apertadinha. Definitivamente, não é um carro para a família.
O porta-malas também não é de se esperar muito. São modestos 215 litros. Ideal para pequenas compras no supermercado e viagens curtas, que não exigem malas para uma semana no sítio. E esqueça grandes objetos, como um carrinho de bebê. Não cabe de jeito nenhum!

Rodando
O motor é o mesmo do Uno: 1.0 8V (quatro cilindros) bicombustível de até 75 cv de potência e 9,9 kgf.m de torque a medianas 3.850 rotações. E pesando 946 kg (apenas 9 a menos que o ‘irmão’), o Mobi consegue entregar boa agilidade nas retomadas, mas principalmente nas saídas. Muito deste ímpeto está no escalonamento da transmissão manual de cinco marchas, que é a mesma do Uno nas duas primeiras marchas, mas foi ligeiramente encurtada nas demais. Pensando que é um carro para rodar na cidade, a decisão da engenharia da Fiat foi acertada, pois estamos falando de raramente passar – falando de São Paulo – dos 70 km/h.
Os números de consumo são ‘ok’. De acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro, no perímetro urbano os índices são de 8,4 km/l (etanol) e 11,9 km/l (gasolina), enquanto em regime rodoviário 9,2 (etanol) e 13,3 km/l (gasolina). No entanto, se comparados com os de concorrentes diretos que possuem motores conceitualmente mais modernos, como o Volkswagen Up!, por exemplo, os dados de consumo do Mobi deixam a desejar.
O motor é o mesmo do Uno: 1.0 8V (quatro cilindros) bicombustível de até 75 cv de potência e 9,9 kgf.m
Neste ponto, acho que a Fiat bobeou. Deveria ter trabalho para que o Mobi chegasse equipado com motor de três cilindros. Este propulsor já foi anunciado para o Uno 2017 – que também terá uma opção 1.3 substituindo a atual 1.4 – e, naturalmente, deverá ser repassado ao Mobi. Infelizmente, quem já comprou o city car da Fiat poderá, em um curtíssimo espaço de tempo, ter um carro defasado e, sim, menos eficiente. Isso acaba com o humor de qualquer consumidor…

A direção é hidráulica, mas poderia ser elétrica, como alguns concorrentes de preço até inferior já tem – caso do Chevrolet Onix Joy. A suspensão – McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira – é firme e trabalha bem na absorção dos buracos das vias. A inclinação da carroceria é mínima em curvas e frenagens acentuadas. E por falar em freios, as rodas da frente utilizam discos (257 mm) e a traseira, tambor – sistemas ABS (antitravamento) e EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem) são de série.
Esperava um rodar mais barulhento, com o som do motor invadindo o interior. A Fiat, no entanto, fez um bom trabalho no revestimento acústico.

Valores
Independente da justificativa – ambição das fabricantes, carga tributária pesada, falta de dinheiro por parte do consumidor (ou todas elas) -, fato é que carro zero no Brasil está caro. E o Mobi não é exceção partindo de R$ 42.300 – a versão avaliada, na cor cinza Scandium (R$ 1.250), custa R$ 43.550. O contraponto deste valor, pelo menos, é uma lista de equipamentos de série boa. Nada de outro mundo, no entanto. Estou falando de ar-condicionado, travas e vidros elétricos (dianteiros), faróis de neblina, airbag duplo frontal, rodas de liga leve de 14 polegadas (pneus 175/65 R14), sensor de estacionamento traseiro e rádio integrado ao painel com RDS, entradas USB e auxiliar, viva voz Bluetooth e função Áudio Streaming, e alarme.
As revisões periódicas acontecem a cada 10.000 km ou 12 meses – aquele que ‘chegar’ antes. Somando as seis primeiras manutenções, o proprietário de um Mobi desembolsará R$ 3.340. Destaque negativo para o valor do serviço realizado aos 60.000 km: R$ 1.172,00.
Em termos de seguro, o preço médio da apólice – cotado junto ao AutoCompara – foi de R$ 2.015. Já o valor da franquia ficou um pouco mais salgado: R$ 2,715,00.
Revisões
| 10.000 km ou 12 meses | R$ 208,00 |
| 20.000 km ou 24 meses | R$ 408,00 |
| 30.000 km ou 36 meses | R$ 608,00 |
| 40.000 km ou 48 meses | R$ 556,00 |
| 50.000 km ou 60 meses | R$ 388,00 |
| 60.000 km ou 72 meses | R$ 1.172,00 |
Conclusão
Pensando nos grandes centros, o conceito city car do Mobi é interessante. Fato: nas metrópoles é comum encontrar diversos carros parados nos congestionamentos com apenas uma pessoa. Fato: com estacionamentos cada vez mais apertados – de prédios, shoppings e supermercados -, ter um carro pequeno é ideal. No caso desta versão Like On vejo dois problemas: o preço inicial alto – se custasse abaixo dos R$ 40.000 a conversa poderia ganhar outro rumo – e o conjunto mecânicos que está longe de ser um primor de eficiência e modernidade, e que pode (deve) ficar defasado com a possível chegada do propulsor de três cilindros, que já foi anunciado para o Uno 2017.
Com relação às críticas que o modelo recebeu no lançamento e que mencionei no primeiro parágrafo, concordo com algumas. É, sim, um carro sem novidades mecânicas. Tem, sim, um preço pouco atraente e competitivo. E, sim, tem muito de Uno em uma versão reduzida. No entanto, com a chegada do novo motor três cilindros e um leve reposicionamento nos preços, o Mobi, acredito, pode ser um dos 10 carros mais vendidos do País…
Prós
- Traz o conceito do city car
- Lista de itens de série relativamente interessante
Contras
- Conjunto mecânico defasado em relação à concorrência
- Preço inicial poderia ser mais competitivo

Ficha Técnica
Comparar veículo- Câmbio Manual, 5 marchas
- Tração Dianteira
- Potência 75 cv a 6250 rpm (E)
- Torque 9,93850 kgfm / 9,5 kgfm a 3850 rpm (G)
- Velocidade Máx. 154 km/h
- 0-100 km/h 13,8 s
- Consumo Cidade 11,9 km/l (E) / 8,4 km/l (G)
- Consumo Estrada 13,3 km/l (E) / 9,2 km/l (G)
- Comprimento 3566 mm
- Largura 1633 mm
- Altura 1500 mm
- Capacidade do tanque de combustível 47 litros
- Capacidade de bagagem/carga 235 litros
- Peso Líquido 946 kg
- Rodas e Pneus Aço, 175/65 R14 (diant.) / 175/65 R14 (tras.)
- Airbags 2 – Dianteiros
- Freios ABS com EBD Possui
- Direção com assistência Hidráulica
- Ar-condicionado Manual/convencional
- Número de lugares 5 lugares
- Material principal dos bancos Tecido
- Vidros elétricos dianteiros Convencional
- Travas elétricas Possui
- Ajuste retrovisor elétrico Possui
- Alarme – com acionamento à distância Possui
Pontuação do Especialista
Fiat Mobi
-
No bolso Preço, itens de série, seguro, revisões, consumo e garantia: o impacto real do veículo no seu orçamento, da compra à manutenção.
8.7/10
-
Tecnologia Multimídia, conectividade, assistentes de direção, câmeras e sensores: avaliamos todos os recursos tecnológicos embarcados no veículo.
8.4/10
-
Vida a bordo Conforto, ergonomia, qualidade dos materiais, espaço interno e porta-malas: como é a experiência real de motorista e passageiros no dia a dia.
8.8/10
-
Desempenho Aceleração, retomadas, frenagem e consumo de combustível ou energia: tudo sobre a performance real do veículo nas estradas e no cotidiano.
8.9/10
-
Opinião do Especialista Pontos fortes, limitações e veredicto final: a análise técnica e imparcial de quem entende de carro sobre custo-benefício e posicionamento no segmento.
8.7/10
Avaliamos cada veículo com base em critérios como consumo de combustível, custo-benefício, tecnologia, inovação em design, segurança, desempenho e muito mais.