Cayenne Electric: mais Porsche, menos SUV
Seja na estrada ou na pista, a nova geração do modelo prova que é possível unir eletrificação e prazer ao dirigir
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É possível abraçar as tendências sem abrir mão da tradição? Eu costumava achar que não. Ainda mais pensando em Porsche Cayenne. Quando a primeira geração do SUV surgiu, lá em 2002, era um tremendo contrassenso: um caixotão sobre rodas com o logotipo de uma marca que fez história pelos seus leves e relativamente compactos esportivos.

Mas, conforme as gerações passavam, o Cayenne mudava também de forma. E eu, de ideia. Esse SUV nunca deixou de ser enorme e trambolhudo, mas se aproximava cada vez mais da fórmula dos 718 e 911. Tanto em desenho quanto na pegada mais próxima dos esportivos que dos utilitários esportivos.
Pois agora chegamos à quarta geração – chamada de Cayenne Electric -, que acaba de estrear no mercado brasileiro. E que leva essa filosofia para um outro patamar.

Cayenne Electric: qual é a desse SUV?
Opção elétrica
O Cayenne Electric começou a ser vendido no início deste ano no mercado europeu. E recebeu esse nome justamente pelo fato de não ser um substituto para a terceira geração do modelo, lançada em 2017, mas um complemento. Afinal, os carros elétricos andam em alta aqui e no mundo…
Esse carro é baseado na plataforma Premium Platform Electric (PPE) do Grupo Volkswagen, usada também em modelos como o Porsche Macan e o Audi Q6 e-tron, e estreia no Brasil nas configurações Cayenne, Cayenne S e Cayenne Turbo.
Todas equipadas com um conjunto motriz de dois motores e tração integral. A diferença principal está na entrega de potência: são 442 cv no Cayenne, 666 cv no “S” e 1.156 cv no Turbo. E, além da carroceria SUV, está presente também a variação Coupe.
E os preços? Confira a tabela a seguir:
- Cayenne SUV: R$ 900.000
- Cayenne Coupe: R$ 950.000
- Cayenne S SUV: 1.080.000
- Cayenne S Coupe: R$ 1.130.000
- Cayenne Turbo SUV: R$ 1.410.000
- Cayenne Turbo Coupe: R$ 1.460.000

Como é guiar o Cayenne Electric?
Interior familiar
Geralmente os carros elétricos de alto desempenho são mais interessantes em linha reta do que em curvas. Justamente por oferecerem toneladas de torque – disponíveis desde o momento em que o veículo é ligado – que, não necessariamente, são acompanhadas por um conjunto feito para segurar toda a brutalidade do conjunto motriz.
Mas esse Cayenne Electric é diferente. Tive a oportunidade de guiar as três variações da linha no Autódromo Velocitta, no interior de São Paulo, e nas estradinhas entre as cidades de Mogi Guaçu e Águas de Lindoia.
E o DNA Porsche fica evidente antes mesmo da partida, em itens como o botão de partida na esquerda, a disposição dos instrumentos e a facilidade de se encontrar a posição ideal para guiar. Seja você um motorista com mais de 1,80 m ou alguém com porte de jóquei, como eu, que tenho 1,65 m de altura.

A concessão à modernidade está na tela multimídia, que é dobrada no meio, com um desenho que lembra muito um celular dobrável na horizontal – e na tela dedicada ao passageiro, que permite até mesmo jogar vídeo game para se distrair enquanto o piloto se diverte na pilotagem. E há menos botões do que eu gostaria. Mas o essencial está lá, o que ajuda muito no processo de adaptação.
O Cayenne Electric oferece essa pegada de Porsche, mas com espaço de sobra na cabine para levar três pessoas atrás e mais bagagem. E com aquele luxo que se espera de um carro de R$ 1 milhão, com itens como ar-condicionado automático de quatro zonas, além dos bancos climatizados e com ajustes elétricos até mesmo para os passageiros do assento traseiro.
















Tudo como deveria ser
Prático e versátil, o Cayenne Electric também é muito divertido de guiar. Mesmo com a diferença brutal de potência entre o Cayenne e o Cayenne Turbo, ambos têm em comum o fato de serem carros competentíssimos na hora de contornar curvas.
A direção é extremamente direta e a suspensão – com amortecedores adaptativos – equilibra como poucos conforto e estabilidade em níveis extremos. Não espere um comportamento ágil como o de um 911, afinal o Cayenne Electric é um SUV com mais de 2,5 toneladas. Mas fiquei com a sensação de que o elétrico contorna curvas com mais tranquilidade que o utilitário esportivo a combustão.
Mas a grande diferença está na patada nas costas quando se pisa no acelerador. O Cayenne tem ótimos 85,2 kgfm de torque, mas entrega um comportamento relativamente manso, enquanto o S – com um conjunto motriz que despeja 110,1 kgfm de torque -, já tem fôlego de sobra. Na minha opinião, está de bom tamanho.

O Turbo, por sua vez, é insano. São 153 kgfm de torque e a capacidade de acelerar de zero a 100 km/h em irrisórios 2,5 segundos. Na prática, sabe o que isso significa?
Usando o controle de largada, basta soltar o pé do freio para você sentir, em milésimos de segundos, como se todos os seus órgãos fossem jogados violentamente para trás. E é inevitável não soltar um sonoro palavrão.
Aliás, o Turbo é o único da linha com o sistema de bloqueio do diferencial traseiro Porsche Torque Vectoring Plus e um sistema de suspensão adaptativo Porsche Active Ride, ainda mais refinado que o das versões mais mansas. E, com isso, esse Turbo sem turbo tem ainda mais chão que o restante da gama.

Sonoridade de V8
Normalmente esses sistemas de emulação de som em elétricos entregam um experiência frustrante. Você saca na hora que o som é artificial. Mas a Porsche fez um belíssimo trabalho nesse Cayenne Electric.
É possível rodar com ruído zero como qualquer elétrico. Mas basta selecionar a configuração sonora Sport Plus para tudo mudar.
Nela, o sistema de som do veículo emite um ronco que lembra uma mistura de motor V8 a combustão com um timbre que parece saído de uma nave espacial. Parece uma combinação bizarra, mas o resultado final é tão convincente que alguém desavisado poderia facilmente dizer que existe um oito cilindros queimador de gasolina escondido nesse elétrico.
E para aqueles que acham que o ronco do motor é parte da experiência de guiar um esportivo, isso ajuda a deixar o Cayenne Electric ainda mais empolgante.
É como aqueles sucos de caixinha com 30% de suco. Você sabe que é mais água e açúcar do que fruta. Mas não deixa de ser agradável. Principalmente em um dia de calor.

O Cayenne Electric é um bom elétrico?
Equipado com uma bateria de 113 kWh, o Cayenne Electric vai longe, mas não chega a ser um recordista em alcance: a autonomia atinge 481 quilômetros no Cayenne, 489 quilômetros no Cayenne S e 493 quilômetros no Cayenne Turbo.
A vantagem do modelo é a compatibilidade com carregadores ultrarrápidos de até 390 kW, permitindo a recarga da bateria de 10% a 80% em menos de 16 minutos. E o SUV esportivo ainda é compatível com o carregador a indução Porsche Wireless Charging, de 11 kW, que passará a ser oferecido em breve no Brasil.
Mas mais do que um elétrico competente, o Cayenne Electric agrada por ser um automóvel extremamente versátil: potente e ótimo de guiar, mas com interior agradável, bela lista de equipamentos e espaço de sobra.
Quem dera todo elétrico familiar fosse assim…

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