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Alfa Romeo Giulia impressiona e desafia

Já imaginou dirigir uma Ferrari de quatro portas? Então…

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Resumo do teste

Com um conjunto mecânico digno de ser confundido com uma Ferrari de quatro portas, o Alfa Romeo Giulia entrega agilidade impressionante – e os números de desempenho provam isso, especialmente a aceleração de 0 a 100 km/h abaixo dos 4 segundos. Nos apaixonamos pelo desempenho da tração traseira e ficamos seduzidos por sua beleza!

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Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 1d
Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 1d

Uma Ferrari quatro portas a preço acessível… Apenas saboreie estas palavras por um minuto, porque isto é exatamente o que o novo Giulia Quadrifoglio se prepara para ser. Alimentado por um motor desenvolvido pela Ferrari e criado por alguns dos mesmos profissionais de Maranello, o super sedã de 510 cv está próximo de ser tão rápido quanto a velha 458 Italia na mítica pista de Nurburgring, na Alemanha. O Giulia é nada menos do que um marco para o fabricante italiana. O primeiro carro de tração traseira da marca em três décadas, finalmente, parece ter os recursos necessários para enfrentar a dura briga com Audi, BMW e Mercedez-Benz.

Sem nenhuma chance de se tornar virtuoso, o tosco sedã Alfa 75 dos anos 1980 foi provavelmente a última chance da fabricante de carros de bater a BMW com força onde mais doía. Não por acaso, o 75 foi o último carro de tração traseira produzido pela Alfa Romeo. Os carros de tração dianteira que vieram depois, embora  talentosos, nunca foram bons o suficiente.

Tudo o que muda com o novo Giulia: “Ou vai ou racha” é assim que o chefe da Alfa Romeo descreveu o novo sedã, e ele não está brincando.

A Fiat Chrysler Automobiles, controladora da Alfa Romeo, investiu, sozinha, mais de um US$ 1 bilhão na nova plataforma de aço leve. Por uma boa razão: a nova arquitetura irá inspirar oito novos modelos, como os substitutos dos hatches MiTo e Giulietta, uma família de SUVs e um luxuoso sedã em tamanho maior, como também uma versão da perua do Giulia.

Sustentando o Giulia, a leve, porém, extremamente rígida estrutura de aço garante dianteira curta e traseira protuberante, e a mais longa distância entre os eixos da categoria. Ela também colaborou para que os engenheiros cuidadosamente embaralhassem o peso para assegurar uma distribuição equilibrada, 50/50, equiparando aos seus rivais das marcas alemãs.

Ao contrário do falho 4C esportivo, a Alfa Romeo teve bastante espaço para não economizar na suspensão e esta é a razão pela qual utiliza a melhor suspensão dianteira por braços triangulares e sistema multilink na traseira. Ambas as configurações facilitam a ampla gama de calibrações disponíveis — de forma que não há desculpas para dar errado.

 

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Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 2f
Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 2f

O “approach” sem consenso continua com a decisão em colocar a caixa de direção à frente do motor para permitir que o sistema mecânico, seja ele o poderoso twin-turbo V6 desenvolvido pela Ferrari, fique longe e abaixo no compartimento do motor.

Para manter o peso reduzido, os eixos de propulsão são de fibra de carbono para todos os modelos, o que é quase inédito para um sedã convencional. As fibras de carbono possuem fortes características e foram usadas para redução da massa no teto, capô, splitter dianteiro e spoiler traseiro. Tudo feito de material escuro.

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Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 66
Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 66

Finalmente, as demais medidas de redução de peso aplicadas a todos os modelos compreendem utilização generalizada de alumínio nos componentes da suspensão, pinças de freio, elementos transversais estruturais, portas e aerofólios. Não é nenhuma surpresa o fato de que a Alfa Romeo esteja agora reivindicando que o Giulia seja o mais leve da categoria.

Inicialmente, apenas três motores estarão disponíveis. Além da leveza e baixo peso do motor 2.1 a diesel, que reduziu 30 kg do peso – sem carga. Está disponível nas versões 150 cv ou 170 cv, com pico de torque idêntico a 1.750 rpm. Na versão a gasolina, há a opção do turbo 2.0 de 200 cv, ou para os mais fanáticos por motores, o V6 twin-turbo 2.9 de 512 cv e 61,2 kgf.m de torque, desenvolvido pela Ferrari, que alimenta o mais rápido Giulia (versão QV). Mais adiante, um plug-in híbrido chegará ao line-up, curiosamente herdando o powertrain da Chrysler Pacifica para transporte de pessoas.

O twin-turbo V6 mais potente não é totalmente novo. Na verdade, sua vida começou sob a tampa do porta-malas da Ferrari 488 GTB. Para adaptá-la ao sedã – e boatos quanto ao futuro supercarro Ferrari Dino ‘júnior’ -, os engenheiros de Maranello removeram dois cilindros do 3.9 V8 do 488 para gerar o V6.   Sim, o ângulo de 90 graus não é o ideal, mas na realidade não sofre nenhum problema de equilíbrio apresentado em outros motores nunca foi superado.

O Giulia é ofertado com transmissão manual de seis velocidades ou automática ZF de 8 marchas. A tração pode ser integral ou, para os puristas e apaixonados pelo passado da Alfa Romeo, traseira. Curiosamente, na busca para compensar o déficit de tração do QV há a opção de um novo diferencial mecânico com duas pequenas garras acomodadas uma de cada lado, representando com eficácia o dispositivo de vetorização de torque.

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Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 95
Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 95

Na pista de testes da Alfa Romeo em Balocco, no norte da Itália, em condições de pista bastante molhada, era improvável contestar a alegação da Alfa de que o QV baterá os 100 km/h em 3.9 segundos. Nem nas curtas retas do campo de provas a aproximação era possível para verificar a sua incrível velocidade máxima de 307 km/h. Mas resolvemos tentar!

Atrás do volante, na volta de apresentação na versão manual, passou uma experiência esclarecedora. O sistema de tração é notavelmente fora do normal, mas a mudança de marcha não é tão eficiente, e apenas acompanha o twin-turbo V6 uma vez que ele alimenta o interruptor automático da ignição.

Os pneus Pirelli P Zero Corsa do QV se apresentavam praticamente sem banda de rodagem. Eles são um exagero para este tipo de clima, mas ainda haverá equilíbrio se o giro for cuidadosamente efetuado. Outro motivo de satisfação está no sistema de controle de estabilidade que, em um mínimo sinal de derrapagem, prontamente o traz de volta à normalidade, exatamente na medida em que as características amigáveis do QV começam a se revelar.

Trocando o manual pelo automático de oito velocidades, agrega-se outro patamar de elegância ao repertório do QV. As mudanças de marchas são rápidas (praticamente duas rápidas embreagens) e as grandes borboletas de alumínio são ótimas. Ao contrário de alguns rivais do Alfa, vale muito a pena usá-las uma vez que o motor segura as engrenagens no limite, e neutraliza qualquer deslocamento, na troca para uma marcha superior no meio de uma curva inesperada.

Os freios são potentes, principalmente com os rotores de carbono-cerâmico opcionais.

Em pista de superfície perfeitamente lisa e zero solavanco, o campo de provas da Alfa Romeo é um pequeno desafio para o mais rápido Alfa. Lembre-se de que este lugar é famoso por agradar até a rígida suspensão do 4C. Teria sido muito bom testar o supersedan italiano pelas estradas esburacadas das proximidades, mas, com poucas unidades disponíveis, não foi possível deixar o circuito.

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Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 73
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DIESEL

O potente motor turbo-diesel 2.1 de 180 cv foi o próximo Giulia que avaliamos. A combustão do Alfa parece ser rápida mesmo com um terço da potência do QV. No entanto, o excelente torque é o principal responsável por fazer o Giuli chegar aos 100 km/h em apenas 7,1 segundos. O que não é muito bom é que, porém, é que apesar empolgante, seus melhores esforços são acompanhados por uma trilha sonora rouca e pouco empolgante. 

Pelas colinas e montanhas próximas da pista de teste, o turbo-diesel do Giulia assusta com sua capacidade em encarar estradas vicinais. Para solavancos, rachaduras, buracos bizarros e reparos mal feito, o Alfa deu de ombros, demonstrando boa calibração de amortecimento e conforto surpreendente para um sedan com uma proposta latente de esportividade. O nível de aderência é alto, uma evidência do alto grau de investimento em suspensão. Enquanto o Giulia resiste de lavada em curvas estreitas quando o inevitável contraesterço acontece, a direção também “telegrafa” facilmente o que está para acontecer.

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Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 06
Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 06

2.0 A GASOLINA

Foi uma longa espera para testar a versão 2.0 a gasolina. Isto é em parte porque pequenas falhas em segurança comprometeram o carro que iríamos testar. Nosso substituto foi impecável, mas outros relataram inúmeras falhas em relação ao sistema de informação e entretenimento. Isto não é comum em lançamentos de carros, mas ainda um pouco preocupante. Segurança — ou falta dela — assustou compradores potenciais de Alfa Romeo no passado. 

Vale a pena esperar pelo quatro cilindros a gasolina. É, definitivamente, uma melhor opção que a configuração diesel. É mais silencioso e parece melhor. Contudo, ambos são silenciosos e confortáveis para passar o tempo na estrada. Onde o excelente automático de oito velocidades faz valiosa poupança de combustível nas descidas para gastar nas subidas.

Com o teste de condução bem feito, dá-nos tempo para apreciar a cabine. É boa quanto ao estilo, mas em termos de qualidade, o Audi A4 passa por cima de tudo. Curiosamente, o Giulia fica de fora do sistema de infoentretenimeto U Connect mais atualizado do império Fiat Chrysler. No lugar de uma tela sensível ao toque, está um trabalhoso controlador rotativo  atrás da alavanca de câmbio. Espera-se que a Alfa Romeo o abandone como parte de um “facelift” no Giulia dentro de alguns anos.

O acesso aos assentos traseiros é mais complicado do que se espera – culpa das aberturas relativamente estreitas. Os assentos traseiros estão em plano mais baixo, mas muito bem projetados, e a compensação está na boa altura livre e espaço de sobra para que os mais altos se sentem atrás. Isso graças à longa distância entre os eixos. O espaço do compartimento de bagagem é bom, mas não maior do que os dos rivais BMW e Audi.

Eficiência é outra carta na manga apresentada pelo menor sedã da Alfa Romeo. Em números declarados, mesmo o QV mais poderoso consegue média de 12,2 km/l, emitindo 189 g/km de CO². O diesel, mais eficiente, corresponde à capacidade do BMW 320d em devolver um bom resultado de 23,8 km/l (109 g/km de CO2).

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Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 84
Alfa Romeo Giulia Quadrifoglio 2016 1600 84

TECNOLOGIA E CONFORTO

À especificação padrão do modelo de entrada espera-se incluir o mais recente alarme de colisão e sistema autônomo de freio de emergência, além do alerta de mudança de faixa e controlador/limitador de velocidade. Alinhados com o mercado europeu, o nível do acabamento dos carros de entrada terá a especificação média elevada nas rodas de liga leve de 16 polegadas para 17 polegadas, o revestimento dos assentos será alterado de tecido para couro, e também serão adicionadas borboletas de alumínio ao câmbio automático de oito velocidades.

A faixa top do QV calça os maiores aros de 19 polegadas e assentos mais adaptados, mas ainda há uma longa lista para melhorar o desempenho, como os discos de carbono-cerâmico, um ativo divisor dianteiro e assentos envolventes de fibras de carbono que, infelizmente, aumentarão o preço final do ‘bólido’.

Vamos deixar isso para você decidir se a Alfa Romeo tem feito o bastante em aparência para conquistar o comprador. Em alguns aspectos, gostaríamos que fossem um pouco mais corajosos. Ousados. Parece, no entanto, ao primeiro contato, que o Giulia tem mais do que charme e talento suficiente para ser uma alternativa vibrante para os maçantes e sombrios alemães.E a versão topo de linha QV já se parece com um gigante assassino…  Se liga, M3!

Prós

  • Tração traseira é o ponto alto da condução
  • Motor 2.9 V6 Biturbo é o coração ideal

Contras

  • Falta agilidade para o câmbio de 6 marchas
  • Discos de freio de carbono apenas opcionais

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Escrito por Motoring

Repórter, WM1

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