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Será que o Citroën Aircross tem espaço para vencer o Ford EcoSport?

Desbancar o óbvio é uma das tarefas mais árduas da indústria automotiva. O que a Citroën quer é quase o mesmo que a Fiat também quer…

Rodrigo Samy
Rodrigo Samy

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– Em um mercado determinado por segmentações quem se sobressai é aquele que se encaixa sem arestas em um determinado perfil de consumidor. A Fiat fez o que fez para emplacar o novo Uno e ainda não conseguiu, acabou retirando o Palio da jogada. A italiana quer por que quer brilhar também como a dona do automóvel mais vendido do Brasil. Para evitar que a Fiat vença a parada, a Volkswagen recentemente colocou uma pedra no caminho chamada de Volkswagen Gol Rallye. Se no mundo dos hatch quem manda é o Gol, no planeta dos utilitários esportivos quem manda é o Ford EcoSport, onde foram comercializadas em 2010 cerca de 30 mil unidades.

Com as vendas programadas para o próximo mês o Citroën Aircross chega com a missão de quebrar a hegemonia do Ford EcoSport. Força e conteúdo para isso o automóvel da Citroën tem. O segundo colocado da lista dos utilitários esportivos é o Hyundai Tucson, durante 2010 o veículo comercializado pelo grupo Caoa vendeu algo em torno de 10 mil unidades a menos que o Ford.

O WebMotors foi convidado para o lançamento do Citroën Aircross no Rio de Janeiro e apontou que: “Desenvolvido para o Brasil, Aircross é aposta da Citroën para fazer volume e se consolidar no país”. De lá também divulgamos que os valores sugeridos para comprar o novato:R$ 53,90 mil para a versão de entrada GL, R$ 56,40 mil para a intermediária GLX e R$ 61,90 mil Exclusive para a topo.

O WebMotors rodou durante uma semana com a versão topo, que tem como principais equipamentos de série – ar-condicionado digital, airbag duplo, sistema de som, ABS e EBD – e entendeu que o carro é uma boa pedida. Vale antes de fechar o negócio analisar o que a concorrência oferece.

Com design agressivo e inovador, o Citroën Aircross chama a atenção por onde passa. Arrancar olhares com ele não é uma tarefa difícil. Segundo boas línguas, “andar com ele é como fazer uma Cirurgia Plástica em tempo recorde, com a vantagem de ser mais em conta”.

De acordo com a Citroën do Brasil, o novo Aircross não utiliza componentes do modelo europeu que deu origem a sua concepção, o :Citroën C3 Picasso. Apesar de ter desenho e plataforma semelhantes as do modelo europeu, o Aircross é um produto que atinge 80% do índice de nacionalização.

O C3 Picasso vendido na Europa tem 4,08 m de comprimento, 1,73 m de largura e 1,62 m de altura e um porta-malas de 500 litros. Já o brasileiro Citroën C3 Aircross tem 4,28 m lembre-se do estepe de comprimento, 1,72 m de largura, 1,70 m sem as barras de altura e um porta-malas de 403 litros. A diferença do volume do porta-malas pode ser justificada pelo local de acomodação do estepe. Mesmo com o estepe colocado para o lado de fora, o Aircross já guarda o desenho de um estepe embaixo do forro do porta-malas. No local há uma caixa de ferramentas de isopor com chave de roda, macaco, triângulo e etc e tal. Um perfeito indicador para a chegada do C3 Picasso. Qual a vantagem que “Maria” leva ao produzir primeiramente o modelo pseudoaventureiro, antecipando a chegada do modelo europeu? O segredo está na preparação do território e no calculo mais definido da aceitação do público brasileiro. Ou seja, se o Aircross vingar como pretende a Citroën, com certeza o C3 Picasso virá a cavalo. Afinal, fornecedores estarão mantidos e as chapas já montadas.

O felizardo que adquirir um Aircross terá em suas mãos um utilitário esportivo baseado na mesma plataforma do C3 brasileiro com um aproveitamento maior do espaço e da plataforma. Oficialmente, o Citroën Aircross usa o entre-eixos do C3 em 80 mm alongado.

O sistema de fixação do estepe, composto por um suporte basculante da roda, uma trava e um parafuso de segurança com segredo, foi desenvolvido visando máximo equilíbrio entre forma e função. O sistema conta com um grande diferencial: a possibilidade do destravamento por meio de um comando na chave. Diferente do Volkswagen CrossFox, o Citroën pede que você primeiro destrave o estepe para que depois seja feita a abertura da tampa do porta-malas.

Ao volante

Dirigir o Citroën C3 Aircross é como conduzir o C3, só que em proporções maiores. Além de usar o mesmo motor do seu irmão menor, o Aircross também herdou o mesmo câmbio. A vantagem dessa história é que o powertrain já é um velho conhecido e conceituado conjunto. O lado ruim é que o utilitário francês pesa 1.404 kg quando está abastecido com todos os fluidos, ou seja, uma relação peso/potência de 12,7 kg/cv. O compacto pesa 1.152 kg, registrando uma relação peso/potência de 10,5 kg/cv.

O motor do C3 e do Citroën Aircross é o 1.6 litro de 16V, flexível em combustível, com quatro cilindros que oferece 113 cv de potência a 5.800 rpm com álcool e 110 cv a 5.800 rpm com gasolina. O torque é de 155 Nm a 4.500 rpm com álcool e 142 Nm a 4.000 rpm com gasolina. Para dar mais força ao utilitário a caixa de câmbio manual de 5 velocidades teve as relações de marcha encurtadas em 15%. A largada do Aircross ficou muito boa, mas a vontade de se manter em velocidade cruzeiro ficou um pouco difícil. Ou seja, não existe segredo. Se a busca foi pela força, foi-se para o ralo a velocidade final. O reflexo do peso/potência e do câmbio mais curto ficou no consumo. Totalmente abastecido a álcool, o Aircross fez em condições normais de uso e no critério tanque a tanque 4,9 km/l na cidade, 5,75 km/l em circuito misto e 6,7 km/l no cenário rodoviário.

Apesar de não ter aquela aptidão para altas performance, o Citroën Aircross tem um rodar suave e macio. Os pneus Pirelli Scorpion 205/60 R16 para uso misto 50% terra e 50% asfalto foram desenvolvidos exclusivamente para o modelo. Outro ponto positivo no quesito rodar está nas rodas de liga leve denominadas de Buggy com acabamento diamantado em preto brilhante. Segundo a Citroën, essas rodas foram desenvolvidas e são produzidas no Brasil.

Ergonomia e dirigibilidade

A versão avaliada, a Exclusive, estava equipada com todos os opcionais – sensor de estacionamento traseiro, acendimento automático de faróis, sensor de chuva, airbag lateral e sistema de navegação – A sensação ao dirigir que é oferecida pela área envidraçada do Citroën Aircross é diferente, pode-se dizer que esse é um “plus” a mais do carro. O volante tem um desenho diferenciado e os comandos estão à mão. O GPS é uma das novidades do Citroën AirCross, ele conta com 1.300 cidades mapeadas e vem aplicado no mesmo lugar dos inclinômetros e da bússola, presentes nas versões de entrada GL, GLX e Exclusive. O ponto falho do acessório está no fato da tela não ser retrátil.

Na frente, a suspensão é independente, tipo McPherson, com molas helicoidais, barra estabilizadora e amortecedores pressurizados. Na traseira, o conjunto é formado por uma travessa deformável, com molas helicoidais, amortecedores pressurizados e barra estabilizadora. O pênalti fica por conta dos elementos de segurança ABS e EBD, eles só podem ser encontrados na versão Exclusive. Nas versões inferiores o conjunto de letrinhas não está nem no cardápio de opcionais.

Concorrência

O concorrente direto do Citroën AirCross é o Ford EcoSport. Seu valor sugerido, na versão Freestyle equipada com motor 1.6 é de R$ 60,83 mil. O modelo da Ford ainda pode ser comprado na sua versão topo, equipado com motor 2,0 litros, por R$ 65 mil. Mas o Citroën Aircross é muito mais carro que o EcoSport, a percepção está nítida na evolução de equipamentos, no espaço e na construção de plataforma.

O novato também enfrenta concorrência dentro da própria casa, o Citroën Xsara Picasso tem um valor sugerido de R$ 58 mil na versão Exclusive e o C4 Picasso importado tem um preço mais salgado de R$ 78 mil.

O Aircross chega ao mercado com sete opções de cores de carroceria: Blanc Banquise, Gris Aluminium, Rouge, Perla Nera, Manitoba, Dolomites e Hickory. Além dos três anos de garantia contratual e os doze anos de garantia anticorrosão perfurativa, a Citroën oferecerá um Pacote Promocional de Lançamento, válido para todos os clientes que comprarem o Citroën Aircross até 31/12/2010. Este pacote consiste nas três primeiras revisões gratuitas em qualquer concessionário Citroën. Ela inclui as operações de manutenção, mão de obra e peças preconizadas em cada uma das três primeiras revisões 10.000, 20.000 e 30.000 km constantes no manual de manutenção e garantia do veículo.FICHA – TECNICA –

Motor Quatro cilindros em linha, dianteiro, transversal, 16 válvulas, 1587 cm³
Potência 113 cv etanol / 110 cv gasolina a 5.800 rpm
Torque 155 Nm etanol / 142 Nm gasolina a 4.500 rpm
Câmbio Manual, com cinco marchas
Tração Dianteira
Direção Por pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica
Rodas Dianteiras e traseiras em aro 16” de liga-leve
Pneus Dianteiros e traseiros 205/60 R16
Comprimento 4,28 m
Altura 1,72 m
Largura 1,70 m
Entre-eixos 2,54 m
Porta-malas 403 l
Peso em ordem de marcha 1.404 kg
Tanque 55 l
Suspensão Dianteira independente, tipo McPherson; traseira dependente, tipo barra de torção
Freios Disco ventilado na dianteira e tambor na traseira
Preço R$ 53,90 mil GL, R$ 56,40 mil GLX e R$ 61,90 mil Exclusive

Fotos do lançamento do Citroën C3 Aircross no Rio de Janeiro

Citroen AirCross Rio de Janeiro fotos Rodrigo Samy 3
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Rodrigo Samy

Escrito por Rodrigo Samy

Repórter, WM1

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