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Teste WebMotors: Mercedes-Benz C200 agrada, mas não justifica preço

Versão intermediária do Classe C carece de acessórios básicos

Rodrigo Ribeiro
Rodrigo Ribeiro

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– Tenho um negócio para você: que tal comprar um sedã médio, com motor de 184 cv e com todos os itens de série básicos para o segmento? Falta sensor de estacionamento, navegador GPS e faróis de xenônio, mas garanto que é um bom negócio. Afinal, o que mais você consegue comprar por R$ 150.900, preço sugerido pelo Mercedes-Benz C200?

A resposta, sob diversos ângulos, é: “muita coisa”. Porém, por mais que um Chevrolet Omega seja mais potente 292 cv e um Honda Accord mais espaçoso 2,80 m de entre-eixos, nenhum deles têm o prestígio de um Mercedes. Coisa que a montadora sabe, e cobra caro por isso.

Estrela no peito
Para entender o porquê do Classe C custar tanto, é preciso se desapegar de algumas questões, como custo-benefício e racionalidade. Isso acontece facilmente assim que se vê o Classe C. Recém-reestilizado, o modelo ganhou novos faróis e capô, deixando o sedã mais agressivo. Outra mudança é que todo Classe C vendido no Brasil agora carrega a estrela da marca na grade do radiador, ao invés da tradicional peça no capô. Menos clássico, mais imponente.

A traseira ganhou apenas mudanças discretas no para-choque e nas lanternas – o que não é necessariamente ruim, já que o modelo manteve a tradição de ter uma traseira bem-resolvida. Mas essa geração ainda padecia de um grande defeito: a simplicidade do painel.

As críticas dos consumidores parecem ter sido ouvidas pela Mercedes, que basicamente abandonou o console anterior e projetou um completamente reformulado. Mais anguloso e com materiais de melhor qualidade, a nova peça faz jus à sobriedade e qualidade geralmente associada à estrela estampada no volante – que, aliás, é similar ao usado no SLS AMG.

Luxo relativo
Algumas características do pacote de equipamentos geram estranhamento no início. Os bancos dianteiros, por exemplo, são “parcialmente” elétricos. A altura posterior do assento e a inclinação dos bancos são feitos por botões, enquanto a distância e altura da parte anterior do assento são regulados manualmente.

Esse detalhe, somado à ausência dos itens mencionados no começo da matéria, resumem o lado espartano do C200. O contraponto fica pelo uso do couro e alumínio por toda a cabine, teto-solar elétrico e outros mimos típicos de um Mercedes, como a saudação com a imagem do carro projetada na tela multifunção no centro do velocímetro – cujo ponteiro fica ancorado ao redor do círculo, e não no centro.

Vou botar muita pressão
Em relação ao C180 R$ 116.900, o C200 tem como principal diferença o teto-solar. O topo de linha C250 R$ 191.900 adiciona faróis de xenônio, sensor de estacionamento, GPS, bancos totalmente elétricos e rodas AMG. Em comum todos são equipados com o novo motor de quatro cilindros de 1,8L com turbo e câmbio automático de sete marchas, mas com potências distintas: 156 cv C180, 184 cv C200 e 204 cv C250.

E aqui vem a notícia que muito dono do C200 e C250 não vai gostar de saber: a diferença básica entre os motores das versões situa-se na pressão do turbo. Quanto maior, mais potência é gerada. Ou seja, na teoria, um C180 pode ficar com 204 cv apenas com o remapeamento da injeção. A mudança não é recomendada pelo WebMotors, pois, junto com a potência extra, os controles eletrônicos são reprogramados e suspensão, direção e freios são recalibrados.

Medida quase certa
Com 1.505 kg, o C200 tem uma relação peso/potência de bons 8,2 kg/cv. Isso explica o desempenho equivalente ao de alguns sedãs mais potentes, como o Jetta TSI. Segundo a Mercedes, o C200 cumpre o 0 a 100 km/h em 7,8 s, chegando aos 235 km/h de velocidade máxima.

O modelo consegue entusiasmar mesmo quando carregado, mérito tanto do motor quanto da transmissão, suave e bem escalonada. A tração traseira completa o pacote para quem gosta de acelerar e a suspensão firme mantém a carroceria nos trilhos sem precisar do auxílio do controle de estabilidade e tração.

O turbo lag existe até os 2.300 rpm, mas é contornado pelas respostas rápidas do motor através do acelerador. Virtude importante principalmente no trânsito urbano, onde o C200 transpareceu mais sua maior agilidade em relação ao C180. Não dá para ficar com sono guiando ele, mas caso isso aconteça, o detector de fadiga alerta o motorista dorminhoco quando o carro está acima dos 65 km/h.

Se o preço de tabela fosse uns R$ 30 mil mais barato, o C200 estaria na medida certa para quem procura um sedã médio com bom desempenho e requinte alemão. O problema é que essa versão cobra R$ 34 mil por míseros 28 cv extras – ah, e tem teto-solar elétrico, também. O argumento de que se está pagando por uma grife é válido, mas não justifica a discrepância entre as duas versões. O C200 é um carro espaçoso, luxuoso e, acima de tudo, um Mercedes-Benz. Mas para quem quer comprar o primeiro sedã da marca, o C180 é mais negócio. E quem faz questão de ser bem tratado, o C250 é mais condizente com seu preço.

FICHA TÉCNICA – Mercedes-Benz C200 2012
























































Motor Quatro cilindros em linha, dianteiro, transversal, 16 válvulas, 1.796 cm³
Potência 184 cv gasolina a 5.250 rpm
Torque 270 Nm / 27,5 kgfm gasolina a 1.800 rpm
Câmbio Automático, com sete marchas
Tração Traseira
Direção Por pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica
Rodas Dianteiras e traseiras de liga-leve de aro 17
Pneus Dianteiros e traseiros 225/45 R17
Comprimento 4,59 m
Altura 1,45 m
Largura 2,01 m
Entre-eixos 2,76 m
Porta-malas 475 l
Peso em ordem de marcha 1.505 kg
Tanque 66 l
Suspensão Dianteira independente, tipo McPherson; traseira independente, tipo multibraço
Freios Disco ventilado na dianteira e sólido na traseira, com ABS
Preço R$ 150.900


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Rodrigo Ribeiro

Escrito por Rodrigo Ribeiro

Repórter, WM1

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