Conheça Toni Bianco, o criador de carros brasileiros

Aos 83 anos, inventor do Bianco produziu mais de 1 mil carros e encabeça novo projeto
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Redação WM1
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Uma rápida caminhada e um bom banho são suficientes para o despertar de Toni Bianco, que passa o restante do dia dentro de uma apertada garagem na Zona Oeste da capital paulista. É de lá que sairá sua próxima criação, o conversível Bruna. Mas não é este carro que o imortalizou como um dos principais nomes da indústria automotiva brasileira. Suas criações do passado já fizeram isso. WebMotors  visitou Toni e conta a história deste italiano que se especializou em criar carros genuinamente brasileiros.


A história começa em 1952, ano em que Ottorino Bianco desembarcou no Brasil vindo de sua cidade na Itália, na província de Concordia Sagittaria. Emigrante de um país devastado pela guerra, Toni mal sabia falar português ou tinha qualquer especialização. “Chorei e não queria descer do navio em Santos, até que um comissário fez o favor de me jogar pra fora da embarcação”, lembra em meio a risadas.


Toni chegou a trabalhar em banco e até na construção de casa de madeira, mas foi nas oficinas que encontrou sua paixão: consertar e construir automóveis. Logo se envolveu com nomes consagrados do automobilismo brasileiro como Chico Lande e a família Losacco, a quem deve boa parte da experiência adquirida no início da carreira.


Assista ao vídeo do WebMotors com Toni Bianco:




Mas foi o piloto Ciro Cayres, falecido em 1990, que lhe deu a primeira oportunidade de construir um projeto importante. “Fizemos um chassi junto com Victor Losacco, que me ensinou muito. Colocamos um motor Corvette e terminamos o carro”, lembra com orgulho. Ciro utilizou o modelo para estabelecer o recorde de tempo da época em Interlagos com uma volta de 3min37s, tempo que levou 10 anos para ser superado.


Nem mesmo os 83 anos completos no dia 8 de janeiro fizeram com que Toni tenha perdido o forte sotaque italiano. Ele ainda está presente, assim como os diversos sorrisos que o fizeram e ainda fazem uma pessoa extremamente carismática. “Deus me deu uma cabeça muito boa. É a cabeça que se une com as mãos para trabalhar”, agredece o religioso Toni, que nega ser engenheiro ou ter qualquer formação.


Então qual seria sua especialidade? No máximo, um jogo de martelos, segundo ele próprio. Toni tem uma dezena deles, inclusive alguns construído por ele próprio, e mostra uma habilidade única em moldar chapas de alumínio com as ferramentas. “No começo, eu não sabia nem soldar alumínio, bati todo o alumínio, aí eu aprendi”, relembra enquanto martela uma chapa sobre uma base de madeira que usa desde a década de 60.


Furia inicia trajetória de sucesso


O tempo passou e Toni construiu mais uma série de modelos de competição.  Seu forte estava na construção de chassis tubulares e carrocerias que nasciam a partir de bases de arame. De onde vinha a inspiração para o desenho dos modelos? Naturalmente, de superesportivos italianos. O primeiro passo de Toni, até hoje, antes de criar um carro, é fazer uma miniatura em arame. “Nunca fui bom de desenhar, então pego arames, soldo e crio um carro que vem da minha cabeça. Dá um trabalho do diabo”, conta.


Tempos depois, um novo projeto da pistas o consagraria novamente. Trata-se do Furia, que teve cinco unidades produzidas com motor Alfa Romeo, Ferrari, Lamborghini e BMW. “Eu tinha feito um projeto que ainda tenho guardado, e achei 40 anos depois, de um chassis que se chamava Furia. E comecei a fazer um carro e então nasceu o Furia”, relembra.  O projeto contou com o incentivo de Vitório Massari, da antiga revendedora Camionauto.


Nasce o mito Bianco


A versatilidade do Furia fez com que Toni abrisse a cabeça para a construção de um modelo de produção em série, segundo a indicação de um amigo. “Um cara me perguntou por que eu não transformaria o Furia num carro de passeio. Mas eu não tinha mais nenhum chassi, nada”, conta Bianco. A sorte se fez presente e o construtor encontrou um velho chassi jogado em um ferro velho. Não pensou duas vezes e arrematou a peça.


Toni então levou o que restava do Furia para sua oficina Toni Bianco Competizione, na região do aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP), e comprou um velho Fusca. Estilizou a carroceria do modelo por alguns meses e utilizou boa parte das peças do Volkswagen até que nasceu o Bianco. “Eu nem lembro bem como surgiram as linhas do Bianco”, conta.


O modelo tinha linhas arrojadas inspiradas em carros de corrida que lembravam também modelos de marcas italianas como Ferrari e Lamborghini. A característica nacional estava identificada na dianteira com faróis de Brasília e, claro, na mecânica mais utilizada da época, o motor Volkswagen 1.600 refrigerado a ar.


O lançamento aconteceu em 1976 durante o Salão do Automóvel de São Paulo. “Foram vendidas 180 unidades só durante a exibição, foi um sucesso. Creio que nós fabricamos mais de 1 mil unidades do Bianco”, orgulha-se Toni. O modelo, de fato, fez sucesso e ganhou não só o país como o mundo. Foi exibido até mesmo no Salão de Nova York de 1978, nos Estados Unidos e também na Argentina, onde ganhou prêmios. Hoje, uma unidade do Bianco em bom estado vale cerca de R$ 50 mil. Toni guarda apenas uma em uma casa no interior de São Paulo.


O incansável


Por uma discussão entre sócios, o Bianco saiu de linha às vésperas da década de 80.  Mas Toni não parou por aí e criou outros projetos em parcerias com empresários que acreditavam em suas criações. Um deles foi o Dardo FL3, um esportivo desenvolvido em parceria com Bruno Caloi, um dos criadores da marca de bicicletas Caloi. Além deste, se juntou ao concessionário Grancar e criou a minivan Futura, uma cópia da Renault Espace, produzida na década de 80. Ambos os projetos não atingiram tanto sucesso quanto o Bianco e até mesmo Toni prefere desconversar sobre eles.


Nem mesmo um enfarto aos 80 anos tirou o fôlego de Toni, que aos 83 investe em mais um projeto. “Se um homem da minha idade fica sem fazer nada, ele morre antes do tempo. Encontrei os chassis do Furia, coloquei os tubos no chão e aí nasceu o carro”, conta Toni. Trata-se de um conversível que utiliza motor, direção, câmbio e até rodas de um Hyundai i30, comprado batido.


“Meu genro não queria me ver parado e então comprou esse i30 para que eu pudesse construir o carro”, conta com brilho nos olhos. O esportivo ainda está em fase de construção, mas já tem nome definido: o mesmo da primeira neta de Toni: Bruna. “Se Deus me dar saúde, ainda vou construir um carro para cada uma das minhas outras netas, que se chamam Isabella e Giovanna”, diz. Que Deus te ouça, Toni!

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