'Hell's Revenge' de Jeep Cherokee Trailhawk

WebMotors traz todos osm detalhes de uma das trilhas mais perigosas do mundo

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Marcelo Monegato
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Como definir se um carro 4x4 é ‘bruto’ o bastante para ganhar as ruas e satisfazer o mais exigente cliente off-road? No caso da Jeep a resposta é simples: “manda o candidato para as trilhas de Moab. Se ele sobreviver, temos um merecedor de nossa insígnia”. O WebMotors viajou até Utah, nos Estados Unidos, para conhecer de perto este belo – e ligeiramente inóspito – laboratório a céu aberto.

Moab fica em uma região cheia de canyons extremamente bela. Enquanto sobrevivemos em um local árido, com umidade do ar abaixo dos 20% e temperatura que passa com frequência dos 40ºC, no horizonte encontramos montanhas enormes com o pico nevado. Algo que não encontramos no Brasil, por exemplo. Inevitável – para aqueles que nasceram da década de 1980 para trás – não lembrar da propaganda daquela marca de cigarros do cowboy: “venha para onde está o sabor...”

À beira do rio Colorado, iniciamos nossa jornada que é curta de quilometragem, mas longa de tempo. São cerca de 210 km rodados em mais de 12 horas ao volante por algumas das trilhas mais perigosas do mundo – muitas delas beirando penhascos com algumas centenas de metros de altura. Aliás, uma das trilhas atende pelo carismático e singelo nome de Hell’s Revenge (Vingança do Inferno).

Para encarar o inferno, digo, a expedição, a viatura é o novo Cherokee Trailhawk, que aqui no Brasil tem preço inicial de R$ 230 mil. O modelo é equipado com motor 3.2 V6 Pentastar a gasolina de 271 cv de potência e 32,2 kgf.m de torque. A transmissão é automática de 9 marchas – o mesmo utilizado pelo Jeep Renegade, versão diesel.

O conforto dita o tom da aventura nos primeiros quilômetros. Por um asfalto que lembra um tapete, rodamos em comboio até a entrada de Hell’s Revenge. Pelo caminho cruzamos inúmeros veículos 4x4 – maioria jipes modificados e vestidos à caráter (preparados) para grandes desafios. Pelo caminho também estão inúmeros campings, grupos de motocicletas e suas Harleys e ciclistas.

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HELL’S REVENGE E MUITA POEIRA

No primeiro desafio, o Trailhawk mostra que será um excelente parceiro. Por meio de um seletor no console central, mas especificamente ao lado da manopla do câmbio, selecionamos a opção ‘Rock’ (pedra) de condução – as outras são Auto/Sport/Lama e Areia. E para ‘escalar’ as paredes rochosas, optamos pela 4x4 reduzida. Na realidade transformarmos o SUV da Jeep em um trator. Todos os obstáculos impostos pela ‘revanche do inferno’ foram superados sem dificuldades pelo Cherokee.

Nas descidas mais íngremes – e coloca íngremes nisso -, utilizamos o Down Hill Control, que freia o Jeep automaticamente (não é necessário colocar o pé do freio). O legal deste sistema é que permite ao motorista, por meio da alavanca do câmbio, chamar as trocas de marchas para o modo manual e soltar aos poucos o carro subindo as marchas.

Ponto positivo para a suspensão. Com um ajuste mais robusto que a versão mais ‘on-road’ Limited, o Trailhawk torce inteiro, mas não perde a compostura. Não há batidas secas dos amortecedores e raramente o fundo do carro – com uma proteção que vai muito além do famoso protetorzinho de cárter – é tocado pelas pedras. Mais do que isso. Impressiona o conforto que gerado aos ocupantes. Os obstáculos são superados com maciez. O ranger do sistema de tração trabalhando – freando as rodas que estão no ar e jogando a tração para as que estão em solo com o objetivo de sair de uma situação incômoda torna-se comum com o passar dos quilômetros.

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Os pneus de uso misto e as rodas de liga leve de 17 polegadas ajudam o Cherokee rodar em velocidades mais altas em estradas de terra batida. O pó sobe e o comboio vai avançando. Os Wranglers que nos acompanham são raramente requisitados – uma ou outra vez para tirar algum jornalista metido a jipeiro experiente de uma situação pouco confortável.

Dentro da cabine não há o que reclamar. O sistema de ar-condicionado de duas zonas ajuda a amenizar o calor ‘senegalês’ entre os canyons de Moab. Entre um desafio e outro, paramos em mirantes de tirar o fôlego. Paisagens de fazer qualquer foto, tirada do mais vagabundo aparelho celular, parecer um cartão postal. Interessante é que não encontramos vida animal. Apenas pequenos lagartos e roedores.

Os bancos são revestidos em couro e podem ser aquecidos ou ‘refrigerados’. A posição ao volante é excelente. Controles elétricos do banco ajudam a preservar a coluna. Por falar em coluna, a de direção também tem ajustes de altura e profundidade. Alguns modelos trazem teto solar, algo que a unidade que testamos não tinha (infelizmente). Ponto positivo também para a central multimídia com GPS, tela de 7 polegadas sensível ao toque e até wifi para os ocupantes – fotos foram postadas a todo momento no Instagram.

A noite cai tarde. Depois das 21h30. No acampamento temos com teto um céu extremamente ensolarado. Coisa que quem vive em Paulista não está acostumado a ver. A temperatura não cai muito. Em volta da fogueira, um violeiro country vestido ao melhor estilo John Wayne canta de tudo um pouco – ‘Sweet Home Alabama’, ‘Hotel California’...

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DAY 2

O segundo dia amanhece logo às 5h. Hora de levantar acampamento e seguir viagem. A trilha agora é menos espetacular que Hell’s Revenge, no entanto é muito mais técnica. Os degraus rochosos são galgados com maior dificuldade, mas são superados sem qualquer auxílio. A cabine chacoalha mais. O grupo trafega mais devagar. As belas paisagens são mais raras. No olhar dos ‘trilheiros’ é possível ver o cansaço. Já o Cherokee transmite a sensação de querer mais. Talvez desafios mais intensos.

Não menos que de repente, voltamos para o asfalto e seguimos para o hotel. As belas imagens agora estão no celular e na memória. E a única interrogação que fica na cabeça é a seguinte: “como será que o brasileiro Renegade encarou estas trilhas?” Quem sabe em 2016 o WebMotors não volta para responder a esta questão. O fato é que o Cherokee fez tudo com ‘um eixo nas costas’.

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