Peugeot 2008 repete acertos do 208

Crossover será fabricado no Brasil a partir do primeiro trimestre de 2015
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Ricardo Sant'Anna
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De Paris para São Paulo. Figurinha carimbada pelas ruas da capital francesa, o novo Peugeot 2008 poderá ser visto na capital paulista no final do mês. É que o crossover será a principal estrela da marca francesa no Salão do Automóvel, que acontece entre os dias 30 de outubro e 9 de novembro. O lançamento, porém, só acontecerá no primeiro trimestre de 2015, mas WebMotors foi à Europa conhecer o modelo em primeira mão para desvendar quais os seus trunfos para encarar o Ford EcoSport por aqui.

 

O 2008 será produzido em Porto Real (RJ), na mesma linha de onde sai o hatch 208, modelo do qual compartilha a plataforma e muitas outras virtudes. O porte é um pouco inferior ao do EcoSport. São 4,15 m de comprimento e 1,73 m de largura contra 4,24 m e 1,76 m, respectivamente, do Ford. Mas a principal diferença está na altura: 1,55 m no Peugeot e 1,68 m no Ford. O francês segue uma tendência de novos utilitários esportivos vendidos na Europa, com altura baixa em relação ao solo. Assim como acontece com o Mercedes-Benz GLA, o C4 Cactus e o recém-lançado Fiat 500X.

 

O visual repete o novo padrão de design da Peugeot já adotado no 208. Mas o 2008 tem personalidade, sobretudo por conta das linhas mais robustas tanto na frente, como na traseira. Chama atenção também uma barra plástica cromada, posicionada acima dos vidros laterais traseiros. O teto alto completa o visual junto do rack no teto. A grade cromada também chama atenção, assim como as rodas de 16 polegadas, calçadas com pneus 195/60 nessa versão Allure, intermediária na Europa, onde há 5 configurações diferentes.  

 

Assista ao teste exclusivo do WebMotors com o Peugeot 2008:

 

 

Por aqui, o 2008 deve seguir a mesma linha de versões do 208, hoje basicamente dividido entre Active, Allure e Griffe. Muito provavelmente haverão pequenas mudanças estéticas no 2008 nacional em relação ao europeu, como um uso menor de peças cromadas. Por dentro, o 2008 traz um requinte acima do seu concorrente direto. A qualidade de acabamento é superior e as linhas bem parecidas às do 208. O painel de instrumentos posicionado ao fundo ganha uma charmosa moldura iluminada na cor azul, que infelizmente não deve se repetir na versão brasileira. O modelo francês repete a mesma iluminação em volta do teto panorâmico.

 

O espaço é muito interessante e bem parecido com o do EcoSport, tanto para quem viaja na frente como no banco de trás — o entre-eixos é 1 cm maior no Peugeot: 2,53 m contra 2,52 m do Ford. O teto alto privilegia um espaço para a cabeça e o 2008 transporta até cinco adultos com uma boa dose de conforto.  Há até uma textura no painel que imita a fibra de carbono, que deve ser substituída no Brasil por tons mais sóbrios de cinza. A central multimídia é a mesma do 208 e merece elogios e críticas ao mesmo nível.

 

Tamanho e resolução são bons, mas seu funcionamento é confuso. O sistema abaixa demais o volume da música para passar instruções, enquanto é muito difícil encontrar pontos de interesse pela cidade. A alavanca de freio com formato quadrado e pouco convencional é um charme a parte e será adotada no Brasil também.

 

É você, 208?

 

A dirigibilidade do 2008 merece os mesmos elogios feitos ao 208 durante o seu lançamento em março do ano passado. O volante é pequeno e traz direção elétrica, enquanto a altura da carroceria próxima ao chão faz o crossover ter comportamento parecido com o de um hatch médio. Embora seja um concorrente do EcoSport, o 2008 acaba sendo um produto dinamicamente diferente, por não ter um comportamento de utilitário. Aqui não há um forte chacoalho da carroceria nas curvas, tampouco uma posição alta de dirigir.

 

A não ser que a Peugeot do Brasil eleve a altura do 2008 em relação ao solo, o crossover não é muito indicado para encarar terrenos e trilhas aos finais de semana. É o verdadeiro crossover de imagem para ser utilizado na cidade. No entanto, é possível encontrar tração integral no mercado europeu, embora os modelos de tração dianteira, como este testado por nós, sejam maioria. Há boa estabilidade para as curvas e conforto absoluto para enfrentar os buracos. Você só ouvirá uma batida seca da suspensão se passar muito rápido por algum obstáculo, característica comum entre os modelos da marca.

 

O 2008 testado dispõe de um motor 1.6 e-HDi movido a diesel e que certamente não virá ao Brasil, devido à lei que proíbe no país a venda de veículos de passeio movidos por esse tipo de combustível. O propulsor rende 115 cv de potência a 3.600 rpm e 27,5 kgfm de torque a 1.750 rpm. Estranha-se o ruído comum apenas em veículos de carga no Brasil, mas o desempenho do crossover agrada bastante no circuito urbano, embora seja difícil engatar além da terceira marcha no caótico tráfego da capital francesa. Destacam-se as arrancadas devido ao alto torque disponível numa baixa faixa de rotação. Segundo a Peugeot, o 2008 nesta configuração acelera de 0 a 100 km/h em 10,4 segundos.

 

A versão europeia também traz um inteligente sistema de Start&Stop, que conta o tempo em que o veículo fica parado e desligado através da central multimídia. A informação é excelente para ver de quanto foi a economia de combustível e desesperador para saber quanto tempo se perdeu no trânsito. Ainda é cedo para dizer se o 2008 terá esse dispositivo no Brasil, mas nossa reportagem apurou que ele deve partir de cerca de R$ 65 mil na versão de entrada para fazer frente ao EcoSport. Sob o capô, esta versão de entrada trará o mesmo motor 1.6 do 208, capaz de render 122 cv de potência e 16,4 kgfm de torque. Quer conhece-lo melhor? É só confirmar sua presença no Salão do Automóvel.

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