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Veículos maiores e direção semiautônoma preocupam em estudos de segurança viária

Aumento de acidentais fatais na Europa e EUA indica que o Brasil também precisa aumentar o grau de alerta na segurança

Fernando Calmon
Fernando Calmon

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A tendência atual de veículos que cada vez mais ganham tamanho, altura e peso, como picapes e SUVs, já despertam preocupações entre entidades especializadas em segurança. E isto ocorre nos dois continentes separados pelo norte do Oceano Atlântico.

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Ram Dakota Laramie 037
As picapes e os SUVs cada vez mais maiores e mais altos despertam preocupações entre entidades especializadas em segurançaCrédito: Divulgação

No Brasil, o fenômeno se repete e o País tem um perfil de frota desse tipo maior que o da Europa, mas bem inferior ao dos EUA – embora em crescimento no segmento de SUVs, principalmente, e de picapes.

Reportagem recente do jornal New York Times, com base em registros federais de acidentes nos EUA, constatou que a mudança acelerada na frota de picapes e SUVs, mais altos e pesados, ​​foi responsável por cerca de 400 mortes adicionais de pedestres a cada ano.

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Chevrolet Silverado V8 2
Reportagem do jornal New York Times, com base em registros federais de acidentes nos EUA, constatou que picapes e SUVs cada vez mais altos e pesados foram responsáveis por cerca de 400 mortes adicionais de pedestres nos EUACrédito: Divulgação

Dados oficiais de 2016 a 2024 apontam que 3.000 pedestres morreram no país em razão do aumento da altura do capô dos veículos em comparação à frota que rodava no início deste século. Cada aumento de uma polegada (2,54 cm) na altura do capô resulta no acréscimo de 2,8% na probabilidade de morte de pedestres.

Além disso, 39% dos veículos da frota americana atual são altos o suficiente para derrubar no chão um homem de estatura média (1,75 metro), em vez de o projetarem sobre o capô. Em 2002 essa relação era de 29%.

Os pontos cegos nas tão populares picapes de grande porte aumentaram drasticamente nas últimas duas décadas. Em alguns modelos chegaram a dobrar. A preocupação é ainda maior sobre a altura dos veículos, segundo a organização independente Conselho Europeu de Segurança dos Transportes (em inglês, ETSC).

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Pedestre Vulnerável Dentro Da Faixa
Os pontos cegos nas tão populares picapes de grande porte aumentaram nas últimas duas décadasCrédito: Reprodução

O comprimento médio dos veículos novos cresce ao ritmo de 1,2 cm por ano e a altura total, em 0,5 cm. A largura total e o capô alto também aumentam 0,5 cm a cada ano. Assim, a altura média do capô da frota na Europa chegaria a 86,2 cm em 2040, em comparação aos 80,6 cm atuais.

Entidade alerta para riscos causados por picapes grandes

De 2026 a 2040, mantida a tendência atual, cerca de 2.600 mortes adicionais de usuários vulneráveis ​​ocorreriam nas vias públicas durante o período. Com base nesses registros, o CEST destacou o risco à segurança provocado pelas grandes picapes, que estão em alta no mercado europeu.

Lá, as vendas cresceram 20% somente em 2024. Por isso, a recomendação da organização sem fins lucrativos sediada em Bruxelas é de que a União Europeia não ceda em negociações comerciais.

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A preocupação é que, se não houver restrições, as vendas de SUVs e picapes ainda mais altos e pesados no mercado europeu poderá aumentar . Neste capítulo, regulamentações de segurança nos EUA são menos rigorosas do que as europeias.

E o Brasil também precisa se acautelar, a fim de que acidentes entre veículos de massas e portes diferentes não aumentem ou se agravem.

Cerco à direção autônoma também cresce

Outra preocupação é em relação ao sistema FSD, Full Self-Driving (Supervised), da Tesla. A questão surgiu como um dos aspectos mais controversos na iniciativa do fabricante americano. Seu sistema de “Direção Autônoma Total”, em tradução livre, controla a velocidade e o volante do veículo, contudo pede a constante atenção do motorista. Na Europa é obrigatório o termo “Supervisionado”.

No manual do proprietário, a Tesla explica como os motoristas, ao usarem o FSD, podem ativar velocidades até 50% maiores. Isto transforma um limite de 50 km/h em um teto de 75 km/h, ou em uma zona urbana restrita a 30 km/h para 45 km/h.

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Direção Autônoma
A direção autônoma total da Tesla controla a velocidade e o veículo, mas pede a constante atenção do motoristaCrédito: Reprodução

A CEST afirmou que os reguladores dos países europeus deveriam rejeitar a função de compensação de velocidade, pois os riscos à segurança aumentam. Conforme seus estudos, a probabilidade de um pedestre morrer a 50 km/h em zonas restritas (tráfego intenso em ruas estreitas) é cinco vezes maior do que a 30 km/h.

Os relatórios apontam que “compensação de velocidade” não é apenas indesejável por motivos de segurança, mas expressamente proibida pela regulamentação dos sistemas de assistência ao condutor na União Europeia. “Não são pormenores técnicos insignificantes”, disse Frank Mütze, especialista em automação do CEST.

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Tesla Autopilot
A função "velocidade máxima contextual" da Tesla permite que o próprio veículo defina sua velocidade, tendo como base o tráfego ao redorCrédito: Reprodução

Outra função no sistema autônomo da Tesla, “velocidade máxima contextual”, também foi considerada controversa. Permite que o próprio veículo defina sua velocidade, tendo como base o tráfego ao redor.

Um motorista cercado por outros que excedam o limite também poderia ter justificativa para também superá-lo. Este conceito é aceito em alguns países ou em regiões específicas de muito pouco tráfego, a exemplo de longas retas em desertos.

No entanto, o especialista exagera: “Se o carro puder interpretar a infração de outros veículos como justificativa para a sua própria infração e a União Europeia aprovar qualquer uma das duas outras funções do atual sistema autônomo da Tesla como estão, entregará a todos os fabricantes um motivo para ignorar os limites de velocidade nos futuros lançamentos de novos
modelos”.

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