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Tera ou Sonic: qual pode destronar a Fiat Strada?

Chevrolet e Volkswagen têm potencial de grande volume e para medalha de ouro, mas a liderança depende das vendas diretas

por André Deliberato

A liderança da Fiat Strada no mercado brasileiro, que acontece desde 2021, parece cada vez mais consolidada. Mas a chegada de novos modelos de grande apelo popular começou a levantar uma dúvida aqui na redação: Chevrolet Sonic ou Volkswagen Tera têm potencial para se tonar o carro mais vendido do Brasil?


Acredite: a resposta para a questão dessa reportagem passa muito menos pelo consumidor "comum" e muito mais pelas vendas diretas, segmento que hoje sustenta boa parte dos emplacamentos da picape da Fiat. Ou seja, se as vendas de um dos dois novos SUVs urbanos decolarem nesse segmento de frotistas, ou daquelas vendas que são registradas via CNPJ, há grandes chances de termos um novo líder. Mas talvez não ainda em 2026...




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No varejo, por outro lado, tanto Sonic quanto Tera têm argumentos extremamente fortes. O SUV compacto da Volkswagen rapidamente ganhou espaço entre os carros mais vendidos graças ao posicionamento agressivo, visual moderno e preços competitivos - tanto que já chegou a 100 mil unidades produzidas, cerca de um ano após o lançamento.

Já o novo Chevrolet Sonic chegou há quase duas semanas com preço promocional para ser uma das maiores apostas recentes da GM para recuperar volume no mercado brasileiro. Ocupa uma faixa estratégica entre o Onix Activ, um hatch aventureiro, e o Tracker, outro SUV compacto. E tem sido bem vendido neste primeiro mês.

O problema está justamente aí: liderar o mercado brasileiro hoje exige mais do que apenas ser bem vendido para pessoa física. A Strada se tornou um fenômeno nacional exatamente porque domina o segmento de vendas diretas - seja para locadoras, empresas, produtores rurais e demais frotistas. É um setor gigantesco, que tem mais da metade do mercado atualmente, e por isso extremamente importante para os rankings de emplacamento.

A picape da Fiat também faz sucesso porque tem diversas versões e consegue unir baixo custo operacional, manutenção simples, robustez e ampla aceitação comercial. Não por acaso, virou a escolha padrão para pequenas empresas, para entregadores, serviços urbanos e grandes locadoras espalhadas pelo país.

Tera e Sonic podem superar a Strada?

Na prática, isso significa que Sonic e Tera podem até superar a Strada em determinados momentos no varejo, mas dificilmente conseguirão assumir a liderança geral sem entrar com força no canal corporativo. E, cá entre nós, sabemos que Tera e Sonic não têm perfil de carro comercial.

É justamente aí que mora a maior diferença entre os modelos.

A Volkswagen talvez tenha vantagem importante nessa disputa. A marca tem boa presença em vendas diretas e costuma trabalhar bem com locadoras - Polo, Virtus e até o SUV T-Cross aparecem há anos com volumes relevantes nesse tipo de operação. Se o Tera repetir essa estratégia, pode ganhar musculatura suficiente para ameaçar a liderança da Fiat Strada em médio prazo.

O Chevrolet Sonic também nasce com potencial de volume, principalmente por ter motor turbo, bom pacote de equipamentos e preços posicionados abaixo dos de SUVs compactos maiores. E a Chevrolet, inclusive, depende bastante do mercado corporativo para ampliar sua participação no Brasil. Ainda assim, há um desafio extra: o Sonic entra em um segmento ultra competitivo e sem o apelo comercial que ajuda a Fiat Strada a vender tanto.

Esse é outro detalhe fundamental nessa conta.



A Fiat Strada não é só carro de passeio. Também é vendida como ferramenta de trabalho - isso que amplia o alcance da picape da Fiat e explica os números tão altos, mesmo após vários anos de mercado.

Em outras palavras, o modelo atende desde o consumidor que quer um veículo compacto até empresas que precisam de capacidade de carga e baixo custo operacional.

Tera ou Sonic não conseguem ocupar esse espaço. Ambos dependem bem mais do consumidor urbano tradicional, especialmente famílias e motoristas que buscam SUVs compactos modernos. Isso naturalmente limita o alcance comercial em comparação com uma picape extremamente versátil.

Vale sempre destacar que o mercado brasileiro mudou muito nos últimos anos. As vendas diretas ganharam peso enorme e hoje representam uma fatia decisiva dos emplacamentos totais. Não basta mais ter um carro desejado no showroom: hoje é preciso ter volume em locadoras, contratos corporativos e boas negociações empresariais.

Por isso, apesar do enorme potencial comercial de Tera e Sonic, a Fiat Strada parece jogar em um campeonato diferente. O domínio nas vendas corporativas deve seguir ainda por um bom tempo sendo a grande arma da picape para manter a liderança nacional. Se Volkswagen e Chevrolet quiserem realmente ameaçar esse posto, precisarão fazer exatamente o que a Fiat começou a fazer anos atrás.

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