Afinal, o que é SUV? Seu carro pode ser um SUV?

Depois de enxurradas de lançamentos na categoria mais desejada do mundo, resolvemos explicar o que exatamente é um SUV

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André Deliberato
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Vamos primeiro lembrar que atualmente há uma série de definições a respeito da palavra "SUV", que representa a categoria de carros mais desejada do mundo há alguns anos.

Em sua definição básica, SUV é a sigla para"Sport Utility Vehicle", ou "Veículo Utilitário Esportivo", ou seja, um carro destinado a carga/trabalho, como as picapes. Normalmente é equipado com tração nas quatro rodas e caracteristicamente de porte avantajado.

Só que, comparado a um veículo utilitário, o SUV seria como uma derivação mais refinada e menos rústica - consequentemente menos voltada para o trabalho, sem caçamba e com porta-malas.

Mesmo assim, normalmente mantinham a proposta de robustez, com tração nas quatro rodas (de preferência com caixa de marcha reduzida) e suspensão traseira independente.

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Legenda: Primeira geração do EcoSport: o grande criador do segmento de aventureiros urbanos
Crédito: Divulgação

Mudança de perfil

Só que esse perfil de SUV, como se fosse uma picape fechada, mudou e segue mudando com o passar dos anos. Com isso, muitos deixaram de ser feitos em plataformas de picapes e começaram a ser feitos baseados em carros convencionais - normalmente montados sobre  monoblocos.

Para dar um exemplo, vamos relembrar de dois deles: Chevrolet Blazer e Ford Explorer, lá dos anos 1990. Ambos eram feitos sobre as longarinas de S10 e Ranger, algo comum para um SUV àquela época.

Com os anos e a tendência de deixarem de ser produzidos sobre plataformas de picapes, a "obrigatoriedade" do uso de tração nas quatro rodas deixou de existir.

Isso criou outras alternativas de SUVs, como a do inovador Ford EcoSport, em 2003: ele era um SUV considerado urbano justamente por ser feito sobre a plataforma de um hatch compacto, o Fiesta.

A partir da (grande) ideia que a Ford do Brasil teve, muitos fabricantes quiseram surfar na mesma onda. Todos os rivais criados nesta categoria, de SUVs compactos, foram desenvolvidos justamente para conquistar os clientes do Eco, já que, como falamos, nascia ali a categoria mais promissora em anos.

Renault Duster e Jeep Renegade, além do próprio EcoSport, foram carros dessa categoria que ofereceram proposta próxima à de um "SUV original": robustos, mais altinhos e até com tração 4x4 em determinadas versões.

Já Honda HR-V, Nissan Kicks, VW T-Cross e vários outros concorrentes dessa categoria nasceram depois, para formar essa nova família, que ficou conhecida como "aventureiros urbanos".

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Legenda: Honda HR-V é um SUV com proposta urbana que usa a mesma plataforma de Fit, City e WR-V
Crédito: Divulgação

Outras categorias de SUV

Ao mesmo tempo, da mesma forma que nasceu este segmento de SUVs compactos e/ou SUVs urbanos, outros tipos de utilitários esportivos foram desenvolvidos/repensados, em diferentes tamanhos.

Como o mercado de automóveis se padroniza de acordo com o gosto do comprador, houve até marcas que antes não produziam SUVs. Mas resolveram se transformar para seguir essa tendência.

O maior exemplo é a chinesa JAC Motors: quando chegou ao Brasil, em 2011, vendia hatch, sedã e perua. Com a expansão dos SUVs ao longo da última década, resolveu montar uma gama de veículos só com utilitários.

Hoje, com o nascimento de uma nova propensão de veículos eletrificados, foi curiosamente a primeira fabricante que decidiu oferecer toda uma linha de veículos elétricos.

Crossovers

Com essa propagação de SUVs de todos os tamanhos, em diversos segmentos, muitos carros de outras categorias começaram a adotar as principais características dos utilitários para cativar compradores. Fique atento: muitos deles podem ser somente crossovers.

Crossover? Sim, quando um carro mescla características de segmentos diferentes, ele é chamado de crossover. Um exemplo é o Honda WR-V, praticamente uma fusão entre Fit (hatch) e HR-V (SUV).

A mesma expressão é utilizada em filmes e seriados: quando personagem X e Y se encontram em determinado episódio, este capítulo também fica conhecido como "crossover."

Detalhe que as peruas foram umas das primeiras a trilhar esse conceito de crossover. A Volvo XC70 Cross Country era um exemplo. E a Palio Adventure também, com suspensão elevada, pneus de uso misto e apliques jipeiros.

 Quando um carro une características de duas carrocerias ou mais, como o VW Nivus, ele é um "crossover"
Legenda: Quando um carro une características de duas carrocerias ou mais, como o VW Nivus, ele é um "crossover"
Crédito: Renato Aspromonte/OverboostBR

Pode reparar: a Honda e o mercado de forma geral classificam o WR-V como SUV. Tanto pelos ângulos de entrada e saída, que são mais "altinhos" que os de hatch convencional - como o Fit. Quanto pelo sentido comercial - afinal, no Brasil, qualquer ação tem mais retorno se o carro for diretamente conectado ao universo de utilitários.

Tem mais exemplos: o Citroën C4 Cactus é classificado e vendido como hatch na Europa. Por aqui, pelo preço e nível de equipamentos, a PSA tenta emplacá-lo como SUV.

Nós, do WM1, não estamos dizendo que isso é errado. Até porque cada marca deve classificar seu carro como achar ser correto. Porém, o Cactus é outro carro que une características de SUV e hatch, tornando-se um... crossover.

Mesmo assim, essa definição é bastante relativa e compreende diversas discussões, pois muitos destes novos "SUVs" deixaram de lado várias características de utilitários, e mantiveram somente o porte avantajado.

Nivus e Kwid são SUVs?

Devido a essa discussão do que é SUV, do que é crossover e do que é hatch, como dissemos, muitos carros pegaram carona na definição de sport utility para se caracterizar como tal, mesmo não sendo.

O Nivus é o exemplo mais recente: produzido sobre a plataforma do Polo (hatch), mas com porte maior que o do T-Cross (SUV), ele é claramente um crossover que será vendido com pegada de SUV-cupê.

Por falar nisso, todo SUV-cupê, mesmo que do segmento premium (BMW X6 e X4, Mercedes GLC e GLE Coupé, Audi Q8 e Porsche Cayenne Coupé), por mais que sejam derivados de carros que realmente são utilitários, poderiam ser classificados como crossovers, justamente pela definição que une dois tipos de carroceria: SUV e cupê.

O Kwid é outro exemplo: tem preço e porte de hatch de entrada, mas ângulos de entrada e saída de um SUV, sendo dessa maneira classificado por muitas entidades. A Renault aproveita a oportunidade e o chama de "SUV dos compactos".

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Legenda: Acredite: o Renault Kwid é classificado como SUV por atender aos requisitos do Inmetro
Crédito: Divulgação

Mas, afinal, o que é SUV?

Seu carro pode ser chamado de SUV? Fato é que o termo "SUV" foi banalizado do conceito original. E hoje passou a representar qualquer veículo que atenda às características determinadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).

Na prática, um SUV passou a ser qualquer carro alto (e não necessariamente parrudo) com altura livre do solo que o possibilite de vencer obstáculos mais altos que outros veículos.

Essa altura é medida debaixo dos eixos das rodas traseiras e dianteiras e abaixo do assoalho que fica entre elas. São os chamados ângulos de ataque, saída e do assoalho.

Para se enquadrar nesse critério, os veículos devem ter, no mínimo, 20 cm de distância do solo no espaço entre os eixos - o vão livre deve ser de 180 mm ou mais. Já o ângulo de ataque (entrada) deve ser maior que 23º; enquanto o de saída deve ser de 20º.

Para diferenciar SUVs compactos e grandes, o Inmetro faz a diferenciação com base na área de planta do veículo, como em apartamentos: para ser compacto, a área deve ser menor que 8 m²; para ser grande, maior que 8 m².

 Inmetro tem "nova" definição de SUV: carro alto, com ângulos de entrada e saída o suficiente para superar obstáculos mais altos
Legenda: Inmetro tem "nova" definição de SUV: carro alto, com ângulos de entrada e saída o suficiente para superar obstáculos mais altos
Crédito: Reprodução

O que diz o especialista?

"O mercado é quem dita as normas. Se quem comprou fala que é, então é”, explica o consultor da ADK Automotive, Paulo Garbossa. Ou seja, mesmo que o veículo não atenda às classificações do Inmetro citadas acima, ele pode ser visto pelos consumidores como utilitário esportivo.

De acordo com Garbossa, qualquer veículo pode receber essa classificação, desde que tenha o que ele chama de "apelo de SUV". Por incrível que pareça, o Kwid atende a todos estes requisitos e é classificado pela Renault - e por diversas entidades automotivas brasilerias - como SUV.

E para você, qual é a sua opinião sobre o assunto? Deixe no campo de comentários!

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