Primeiras Impressões: Renault Kwid Intense

Compacto entrega performance honesta e arroja naquilo que a maioria dos brasileiros mais se preocupa: preço!

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Marcelo Monegato
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Não é preciso impressionar ou surpreender para se destacar. Ser apenas simples e honesto é mais que o suficiente. E o Renault Kwid, pode acreditar, é exatamente isso: simples e honesto! Esta foi a impressão que o “SUV dos compactos” – apelido que recebeu dos marqueteiros com sotaque francês – me passou quando tive a oportunidade de rodar pelas ruas de São Paulo com a versão topo de linha Intense, que custa R$ 39.990.

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Legenda: Renault Kwid Intense
Crédito: Renault Kwid Intense

Minhas expectativas, confesso, eram baixas. Aliás, inexistentes. Um compacto de entrada com preço inicial de R$ 29.990 (configuração de entrada Life) não pode e nem deve deixar alguém ansioso. E esta falta de interesse nasceu no Salão de São Paulo, em 2016, quando o classifiquei como um ‘cara’ comum. Somente mais um na multidão.

Os números de consumo são de 14,9 km/l (gasolina)/10,3 km/l (etanol) – nota A no Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro

O Kwid, porém, come pelas beiradas e convence na sutileza. Com 3,68 metros de comprimento (2,42 metros de entre-eixos), não tem porte de SUV (óbvio), mas consegue transmitir pelo design certa robustez. Altinho (1,47 metro), tem ângulo de ataque de 24° e 40°, de saída. A altura livre do solo é de 18 centímetro – apenas 1 centímetro a mais que o Fiat Mobi Way, portanto, nada impressionante. O desenho não arranca suspiros, mas agrada. É possível ver um pouco de Captur, por exemplo, nas lanternas traseiras. E chega até ser bonito frente ao Mobi, Chevrolet Onix Joy, Chery QQ...

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Legenda: Renault Kwid Intense
Crédito: Divulgação

Dentro, a simplicidade ecoa. O acabamento é básico, com bastante plástico rígido e alguns poucos – e extremamente pontuais – cromados (maçanetas e contornos dos comandos do ar-condicionado). Tudo encaixado corretamente, sem espaços exagerados entre as peças. Ao contrário dos ‘irmãos’ Duster e Captur, a qualidade do interior do Kwid é condizente com a proposta do veículo, e não inferior.

A coluna de direção não oferece nenhum tipo de regulagem (altura ou profundidade) e o banco do motorista não tem ajuste de altura. Eu, com meu ‘gigantesco’ 1,72 metro de altura, consegui vestir razoavelmente bem o Renault. Os grandalhões não vão se sentir completamente à vontade. O Renault é para motoristas tamanho P e M, não G ou GG. No banco traseiro, o espaço é programado para três ocupantes – tem até três encostos de cabeça. A realidade, entretanto, é outra. Apenas dois conseguem ficar ‘de boa’, com uma distância mínima entre os ombros. O Kwid é visivelmente estreito (1,57 metro – sem os espelhos retrovisores).

Durante o teste, utilizamos o sistema de navegação da central multimídia Media NAV, que equipa os demais veículos da Renault e traz câmera de ré, também

Chamou atenção o espaço do porta-malas: 290 litros – 1.100 litros com o banco traseiro rebaixado. O Mobi tem somente 215 litros.

 Renault Kwid Intense
Legenda: Renault Kwid Intense
Crédito: Divulgação

AVENTUREIRO DO ASFALTO

O Renault Kwid é equipado com um único conjunto mecânico: motor 1.0 SCe (12V) de três cilindros (bicombustível) e câmbio manual de cinco marchas. Sem algumas tecnologias que o mesmo bloco oferece ao Logan e Sandero, como comando duplo de válvula variável, o ‘coração’ do compacto – ainda preciso ser convencido de que é um SUV – é um pouco mais fraco, gerando 9,8 kgf.m de torque a 4.250 rpm e 70 cv de potência a  5.500 giros, quando com etanol no tanque.

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Crédito: Renault Kwid Intense

​Parece pouco, mas para o Kwid está na medida. E o motivo é simples: peso! Na versão topo de linha, o Renault ‘sobe na balança’ e o ponteiro marca 786 quilos, somente. O Mobi Way tem 940 quilos – 154 quilos ou 19,6% mais ‘gordo’. Sendo assim, as acelerações e retomadas são ‘ok’ no perímetro urbano. Falando nisso, os números de consumo são de 14,9 km/l (gasolina)/10,3 km/l (etanol) – nota A no Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro.

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Legenda: Renault Kwid Intense
Crédito: Renault Kwid Intense

​Gostei bastante da transmissão. Além de ter um escalonamento equilibrado, bem casado com o motor e que evita constantes trocas de marcha, os engates são firmes, curtos e precisos. Apenas o pedal da embreagem poderia ser um pouco menos curto e mais firme. Já a suspensão tem um ajuste rígido, que poderia ser mais soft, focando o conforto. Em alguns buracos, a batida acabou sendo seca acima da média.

Já a direção elétrica é bastante confortável e, mesmo em baixas velocidades, não deixa o Kwid ‘bobo’. E à medida que a velocidade aumenta, acaba ganhando precisão.

O Renault Kwid é equipado com um único conjunto mecânico: motor 1.0 SCe (12V) de três cilindros (bicombustível) e câmbio manual de cinco marchas

Durante o teste, utilizamos o sistema de navegação da central multimídia Media NAV, que equipa os demais veículos da Renault e traz câmera de ré, também. De série na versão Intense, o recurso é interessante para o Kwid, mas os franceses estão perdendo a oportunidade de chegar com algo mais moderno, compatível como tecnologias como Android Auto e Apple CarPlay.

 Renault Kwid Intense
Legenda: Renault Kwid Intense
Crédito: Renault Kwid Intense

Entre os demais itens de série estão as rodas de aço de 15 polegadas e calota (correção: havíamos informado que as rodas eram de liga leve de 14 polegadas), travas e vidros elétricos, faróis de neblina, espelhos retrovisores externos com regulagem elétrica e abertura do porta-malas por comando interno.

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Crédito: Renault Kwid Intense

Em termos de segurança, além dos equipamentos que são obrigatórios pela legislação – airbag duplo frontal em freios com ABS (antitravamento) -, a Renault incorporou airbags laterais, EBD (distribuição eletrônica da força de frenagem) atuando junto ao ABS e dois Isofix para fixação da cadeirinha infantil no banco traseiro. Uma evolução interessante em relação aos seus concorrentes diretos.

 

CONCLUSÃO

Simples e honesto. O Kwid se diferencia dos demais concorrentes por entregar o básico como todos, mas com um preço mais competitivo e atraente. E preço, aliás, foi algo que a Renault trabalhou muito bem por ter total consciência que o consumidor deste segmento, antes de tudo, valoriza cada centavo que investe em um carro. O que adianta ser extremamente conectado, com um desempenho fantástico e com uma longa lista de equipamentos de série e opcionais se a prestação não cabe no bolso?

Se bem trabalhado pela rede de concessionários, tem tudo para ser um sucesso de vendas. Desbancar o Chevrolet Onix em um curto espaço de tempo? Acho que não. Mas que se cuide Hyundai HB20...

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