Quem pilotou, lá atrás, a Honda CB 600F Hornet, certamente nunca esqueceu. Era uma moto divertida, porém até um pouco difícil de controlar: além de não ter os aparatos eletrônicos disponíveis atualmente, os mais de 100 cv de potência eram entregues pelo motor de quatro cilindros em linha de forma quase histérica e nada progressiva.
Os tempos mudaram. Certamente ainda há gente que curte motocicletas com desempenho tresloucado. Mas hoje muitas outras pessoas já entenderam que boas, mesmo, são as motos com desempenho forte, porém progressivo, linear, seguro e controlável.

As fabricantes de motocicletas também já entenderam isso. Tanto que hoje fazem motos com recursos eletrônicos de segurança cada vez mais presentes, e que tentam equilibrar potência e torque para entregar diversão com segurança.
Esse é exatamente o caso da nova Honda CB 750 Hornet - ou apenas Hornet 750, seu nome comercial. No lugar do grande, pesado e bruto motor quatro-em-linha de outrora, um bicilíndrico leve e compacto. Produz menos potência, porém até mais torque. Some isso a um peso total menor e está aí a receita para uma moto que entrega exatamente isso: diversão com segurança.
Fui experimentar a nova Hornet 750 lá no Autódromo Capuava, no interior de São Paulo. Não é exatamente uma pista muito legal para motos médias ou grandes, mas já foi possível ter uma primeira impressão da moto. Mais adiante deve rolar um test-ride mais completo, e aí poderei fornecer informações mais detalhadas e completas.
Algumas motos intimidam logo de cara, ainda mais quem não é piloto de primeira grandeza. Que é o meu caso: sou um jornalista que pilota e avalia motos sempre focando no conjunto do produto, e não um piloto que vai pra pista para arrastar pedaleiras.
Mas a Hornet 750, curiosamente, não é uma moto intimidadora. Isso apesar de seu design bem agressivo, que lhe confere uma certa "cara de malvada". Pelo contrário: parece convidativa, como quem diz "bora passear, que vai ser maneiro".
Ao subir na moto, as primeiras surpresas: a posição de pilotagem é bem ergonômica, com pedaleiras apenas levemente recuadas e o corpo discretamente inclinado à frente. Ou seja, nada cansativo. Parece que vesti um terno feito sob medida. Além disso o banco é bem macio, algo não exatamente comum em motos naked médias. Para completar, o banco não é tão alto e eu, que tenho 1,70 m de altura, botei os dois pés no chão tranquilamente.
Na pista do Autódromo Capuava a Hornet 750 mostrou coerência: é, de fato, uma irmã maior da Hornet 500, que foi lançada em junho último. Mas que obviamente é menor, mais barata e mais mansa.
Nesta Hornet 750, que custa R$ 10.660 a mais que a Hornet 500 - R$ 53.700 contra R$ 43.040 -, a diversão e a adrenalina estão, também um degrau acima. Enquanto a irmã menor é agradável, segura, leve e ágil, mas não exatamente emocionante, a 750 é mais espevitada e bem-disposta.
Natural. Aqui são quase 70 cv de potência e 7 kgfm de torque, ambos a 7.000 rpm, enquanto a caçula entrega quase 50 cv e 4,5 kgfm. E o que faz diferença, mesmo, é o torque: aqui, qualquer aceleração mais forte (ou distraída) joga seu corpo para trás e faz a moto ganhar velocidade muito rapidamente.
Ainda bem que essa Hornet 750 tem recurso antiempinamento. Aqui, desavisados poderiam facilmente ver a roda dianteira passar por cima de suas cabeças. Isso, e mais o controle de tração, o ABS e os modos de condução compõem um conjunto de dispositivos que certamente vão salvar muita gente.
Subo as marchas no câmbio incrivelmente macio e logo já passei dos 100 km/h. A entrega da potência e do torque máximos na mesma faixa de giros, contudo, é feita de forma muito progressiva e linear. É uma característica bem comum às motos da Honda: sejamos emocionantes, mas também racionais.
Para além da diversão que é proporcionada pelo acelerador eletrônico, a Hornet 750 exibe outras virtudes. Além das já mencionadas - banco confortável, boa posição de pilotagem e desempenho satisfatório -, a moto também exibe enorme poder de frenagem e uma estabilidade surpreendente tanto nas retas quanto nas curvas. Ponto paras as suspensões Showa, que - com o perdão do trocadilho - sempre dão show.
A Hornet 750 sempre parece que está sobre trilhos. E ainda por cima exibe baixíssimos níveis de ruídos e vibrações. Em resumo, uma performance consistente e coerente com a proposta, mas também envolta em sensação de segurança e algum conforto.
Como nada é perfeito, os dois principais recursos que a moto não tem fazem alguma falta: ajustes na suspensão dianteira Showa e conectividade no painel de instrumentos. Nesse segundo aspecto, até motos mais menores e mais baratas já têm conectividade em algum nível.
Preço: R$ 53.694 (mais frete e seguro)
Cores: branca perolizada e preta metálica
Motor: dois cilindros em linha, oito válvulas, comando simples, refrigeração líquida, 755 cm³, potência de 69,3 cv a 7.000 rpm e torque de 7,04 kgfm a 7.000 rpm
Transmissão: câmbio de seis marchas com secundária por corrente, embreagem deslizante e assistida e controle de tração
Suspensões: dianteira com tubos invertidos Showa de 41mm de diâmetro e 13 cm de curso, e traseira monochoque pro-link Showa com sete ajustes e 13 cm de curso
Freios: disco duplo na frente e disco simples, com ABS
Pneus: sem câmara nas medidas 120/70 R17 na frente e 160/60 R17 atrás
Dimensões e peso: 2,09 metros de comprimento, 87,2 cm de largura, 1,08 metro de altura, 1,42 metro de entre-eixos, 14,1 cm de vão livre, banco do piloto a 79,5 cm do solo e 180 quilos (seco)
Tanque: 15,2 litros



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