A XRE 190 é uma Bros melhorada?
Sim. Só que são upgrades que fazem diferença. A XRE 190 sempre foi mais bonita, encorpada e elegante. A linha atual tem carenagens encorpadas, farol bonito e um aspecto geral até sofisticado. Outras virtudes são o banco bem anatômico, a iluminação full-LED, o painel de instrumentos blackout completinho, as largas alças de garupa, as pedaleiras do garupa em alumínio e a tomadinha USB-C. São itens diferentes dos vistos na NXR 160 Bros, e que representam um upgrade de fato.A Bros, embora seja uma excelente moto e ótima opção de trail de baixa cilindrada que topa tudo, sempre foi magricela e com aparência de moto espartana. E, mesmo na linha atual, que foi modernizada no ano passado, ainda mantém essa impressão.
Ou seja, mesmo levando-se em conta que ambas compartilham, veja só, vários componentes - caso de rodas e chassi, entre outros -, no visual a distância entre as duas é grande.
Na condução, a XRE 190 também sempre foi melhor. Mais agradável e gostosa de pilotar, e um pouco mais confortável. E, também, mais "sólida", dando ao piloto a sensação de estar conduzindo uma moto mais encorpada.
Na Bros, a sensação é de estar pilotando uma moto levíssima, bem básica e até frágil - coisa que, claro, sabemos que não é. Mas que parece, parece. Novamente há uma boa distância entre as duas.
Na mecânica, as duas são próximas - até porque o motor de 160 cm³ da Bros "deu origem" ao de 190 cm³ da XRE. É o mesmo motor, apenas com capacidade cúbica aumentada.
Na Bros, o monocilíndrico flex, injetado e refrigerado a ar entrega 14,2/14,3 cv de potência a 8.000 rpm e 1,44/1,45 kgf.m de torque a 5.500 rpm (gasolina/etanol). Na XRE 190, são 15,9/16 cv de potência a 8.000 rpm e 1,65/1,66 kgf.m de torque a 6.000 rpm (gasolina/etanol).
Mas esses números tão próximos fazem diferença? Sim, fazem. Porque, na cidade, no anda-e-para, qualquer torque a mais faz diferença. E na estrada qualquer pocotó a mais, principalmente em giros altos, também muda a sua vida.
Quando pilotei a XRE 190 renovada, no ano passado, peguei um bom trecho de estrada. E vi uma moto desinibida, que responde com vigor - dentro de suas limitações, claro -, e que chegou a 120 km/h sem parecer que vai explodir. Porém, acima disso, em velocidade real, só nas descidas, com vento a favor e se o segundo sol chegar para realinhar as órbitas dos planetas.
Sob condução civilizada, porém até forte e buscando diversão, a XRE 190 não mostrou ruídos do motor ou vibrações excessivas. Me incomodaram apenas o banco, que apesar de mais anatômico continua duro, e o ruído aerodinâmico do ar passando pelos vincos da nova carenagem, que é relativamente larga. Num primeiro momento cheguei a pensar que aquele "rrrrrrrrr" era da rolagem dos pneus mistos no asfalto. Mas não era.
Além desses dois aspectos, é preciso falar do novo painel blackout: assim como em outros modelos da Honda, é bonito, mas tem a visibilidade prejudicada em certas situações: sob sol forte, com acúmulo de poeira ou simplesmente se o piloto estiver de óculos escuros. Ou seja, é mais bonito do que prático.
Fora isso, nada a ponderar. A XRE 190 anda bem, curva bem, freia bem e transmite prazer na pilotagem - algo que a Bros, uma moto valente, mas de "batalha", efetivamente não consegue.
Quanto custam as Honda NXR 160 Bros e XRE 190?
Agora vamos aos preços. A NXR 160 Bros custa, atualmente, R$ 21.960 com freios CBS e R$ 22.930 com ABS. Já a XRE 190 parte de R$ 24.050 na versão standard e R$ 24.590 na versão Adventure, que se diferencia apenas pela cor cinza e por grafismos exclusivos - ambas com ABS.Então, se você comprar a XRE 190 standard, de R$ 24.050, vai pagar R$ 2.090 a mais do que pagaria pela NXR 160 Bros mais barata - que não tem freio com ABS, algo realmente importante para a sua segurança. Ou vai pagar R$ 1.120 a mais do que pagaria na NXR 160 Bros já com ABS. Essas diferenças já foram menores, de menos de R$ 1.000. Mas, nos últimos reajustes que aplicou nos dois modelos, a Honda tratou de distanciá-los.
Conclusão: qual das duas é melhor para você?
A que conclusão chegamos? Na comparação direta, vale mais a pena compra a XRE 190. É mais bonita, mais confortável, mais equipada, mais potente e mais prazerosa na pilotagem. Mas seu custo/benefício a torna mais indicada para a mobilidade urbana do que para o uso no trabalho.E é aí que a NXR 160 Bros marca pontos. É a melhor opção para quem quer uma moto para uso no trabalho de delivery ou afins, justamente por ser mais barata e ter alguns componentes também mais baratos - caso dos pneus, por exemplo - algo que necessariamente entra a conta dessa turma.
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E existem mais duas opções...
Já quem quer uma trail de uso misto com desempenho mais forte deve investir na XRE 300 Sahara, que obviamente é mais cara - parte de R$ 30.990 -, mas já encara estradas com mais desenvoltura do que a dupla NXR 160 Bros/XRE 190.E, por fim, vale lembrar uma opção para quem quer uma trail casca-grossa para andar na cidade ignorando buracos, valetas e quebra-molas, e também curtir umas estradinhas de terra e trilhas nos finais de semana: a XR 300L Tornado 2025. Aí, caro leitor, é diversão garantida. Custa R$ 30.840, mas o que essa moto faz vale cada centavo. Não acredita? Confira aqui meu test-ride com o modelo!
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