Não deixa de ser um movimento natural: enquanto uma moto ou um scooter podem rodar até uns 50 quilômetros com um único litro de gasolina, os carros mais econômicos (sem contar os elétricos ou híbridos) ficam ali na casa dos 18 km/l. Além disso, usar uma moto no dia a dia muitas vezes é mais barato do que optar pelos transportes coletivos - principalmente se os trajetos forem relativamente curtos.
Por exemplo, uma moto de baixa cilindrada (125/150 cm³) faz, em média, 40 km/l. Então, quem roda 20 quilômetros por dia (10 de ida e 10 de volta) soma 100 quilômetros por semana e gasta 2,5 litros neste período - o equivalente a R$ 18,30, se considerarmos o preço médio da gasolina de R$ 7,32 no Brasil. Quem vai e vem de ônibus ou metrô gasta, em média, R$ 4,40 em cada trecho (referência São Paulo). São R$ 8,80 por dia, ou R$ 44 por semana.
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Claro que, em certos prazos, deverão entrar na conta da moto outros custos, como equipamentos de proteção no começo (capacete, luvas etc) e revisões e peças de reposição ao longo do uso (óleo, filtro, pneus etc) - já publicamos aqui no WM1 que a compra da moto inclui outros custos além do preço de vitrine.
Mas, ainda assim, a conta continua atraente por outras vantagens: de moto não há a ida para o ponto de ônibus ou estação; espera pelo transporte coletivo; aperto; lerdeza; e, no destino, outra caminhada. É "ponto a ponto", de garagem a garagem (ou estacionamento). Dá até para sair de casa mais tarde e chegar ao destino mais cedo.
Para Neto Mascellani, diretor-presidente do Detran de São Paulo, os números revelam a busca por uma mobilidade mais econômica. "A troca do carro pela moto é uma das alternativas encontradas pelos condutores que circulam constantemente", exemplifica.
Já o presidente do Sindicato das Autoescolas de São Paulo (Sindautoescola), José Guedes Pereira, lembra que o aumento na busca por habilitações de moto também tem relação com o desemprego causado pela pandemia, algo que visto desde 2020. "A procura aumentou durante a pandemia, pois muitas pessoas que perderam o emprego ou tiveram o salário reduzido viram o veículo de duas rodas como uma ferramenta para fonte de renda", explicou ele.
Mulheres ao guidão
Mas o cenário não é exatamente novo. Já no ano passado, dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) analisados pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo), entre novembro de 2020 e março de 2021, mostram que 985 mil mulheres tiraram habilitações para conduzir moto - boa parte por necessidade de ter um veículo próprio rápido, ágil e econômico, para seu trabalho autônomo.Aliás, contamos algumas histórias de mulheres motociclistas no Dia Internacional das Mulheres (8/3), como a da auxiliar administrativa Débora Souza, que roda feliz com seu scooter. "Antes eu levava duas horas para ir de casa até o trabalho. Agora, são 40 minutos", compara ela.
Esse número empurrou outra estatística: entre 2011 e 2020, o número e mulheres motociclistas quase dobrou: foi de 4 milhões para 7,8 milhões. Se voltarmos ainda mais no tempo, em 2019 uma pesquisa feita por este repórter que vos escreve mostrou que, já naquela época, cerca de 70% das vendas de motos eram feitas para pessoas que compravam sua primeira moto.
Por fim, vale destacar que, em março, pela primeira vez na história, as vendas de motos superaram as de carros no Brasil. Foram 110.083 motos contra 108.244 carros de passeio. A moto, definitivamente tornou-se uma opção relevante no país.
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