O caro leitor viu aqui no WM1 que o mercado brasileiro de motos tem bombado neste começo de 2026. A produção de motos em Manaus (AM) foi a segunda melhor da história - 561.448 unidades -, e a produção por lá, especificamente em março, foi recorde histórico - 212.716 unidades.
Além disso, as vendas no varejo também foram as maiores de todos os tempos, tanto no acumulado do primeiro trimestre quanto no mês de março. Nos três primeiros meses de 2026, as vendas no varejo totalizaram 571.728 unidades, resultado 20,6% superior ao observado no mesmo período do ano anterior.
Em março, especificamente, foram licenciadas 221.618 motocicletas, o que representou um crescimento de 33,5% na comparação com o mesmo mês de 2025 e de 29,2% em relação a fevereiro. Considerando os 22 dias úteis do mês, a média diária de vendas alcançou 10.074 unidades.
Resultado: para o fechamento de 2026, a Abraciclo projeta uma produção superior a 2.070.000 unidades, o que seria um crescimento de 4,5% em relação a 2025. E, também, o licenciamento de 2.300.000 motos - neste caso, um avanço de 4,6% na comparação com o ano anterior.
Mas, neste cenário todo, quais são as marcas que fizeram a diferença? É importante ver isso, pois são justamente esses dados que revelam as preferências, as necessidades e as realidades do consumidor brasileiro. Então vamos mostrar aqui quais foram as marcas que mais venderam motos no país no primeiro trimestre deste ano.
Confira abaixo. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), entidade que reúne as concessionárias de todas as marcas, de todos os tipos de veículos de passeio e comerciais leves - presentes no País. No caso das motos, inclusive das marcas que não são filiadas à Abraciclo. Ou seja, refletem as vendas reais, já que contabilizam emplacamentos.
Os dados acima revelam alguns aspectos interessantes. Para começar, a líder Honda vende quase cinco vezes mais motos que a segunda colocada, a Yamaha. Além disso, a Shineray, que não produz em Manaus (AM) - e, portanto, não tem as isenções tributárias de lá - consolidou-se em terceiro, mas ainda está longe de ameaçar a Yamaha.
Em quarto lugar, com surpreendente solidez, aparece a Mottu, marca de motos que vende um único modelo, a Sport 110i. Que, no fim das contas, não é marca de motos, não vende motos e cujo modelo não é esportivo como o nome sugere.
A Mottu é uma startup de mobilidade que aluga motos - na verdade, uma TVS produzida na Índia e montada em Manaus (AM) - para a turma do delivery. E, dentro dos planos de aluguel, o usuário pode comprar a moto no fim do contrato.
A Avelloz, por sua vez, também não produz na Zona Franca, e tem sido resiliente na quinta colocação, mas é provável que em algum momento seja superada pela Bajaj, a sexta, que recentemente aumentou sua capacidade de produção.
Desta forma, a indiana também deverá se distanciar da conterrânea Royal Enfield, a sétima, que embora aumente progressivamente o lineup e também a produção, deverá permanecer como marca mais de nicho - apesar de praticar preços bem competitivos.
Mais abaixo no ranking, a Haojue, oitava, continua sendo o principal alicerce do grupo J.Toledo/JTZ Motos, já que as outras marcas do grupo - Zontes, Kymco e principalmente Suzuki - permanecem com números discretos. A Zontes, aliás, estacionou na 12ª posição, logo à frente da Dafra, 13ª - ambas mantém vendas estáveis, mas não decolam.
Já entre as marcas premium, a BMW, nona, domina com folga. Supera até a Kawasaki, 10ª, que é um pouco menos premium e tem uma bela linha de modelos, mas que continua com capacidade produtiva mais limitada. A Triumph, 11ª, vem logo atrás, e pelo que tem mostrado nos últimos anos poderá ultrapassar a concorrente japonesa.
Ainda falando em marcas premium, a Harley-Davidson, que nos últimos anos enxugou suas operações no mundo e também no Brasil, aparece em uma distante 18ª posição. E a italiana Ducati, que efetivamente nunca deslanchou no mercado brasileiro, nem aparece no ranking das 21 marcas que mais vendem motos no Brasil, atrás até de desconhecidas como GCX, Mobilli e Amazon.