"Remap": os efeitos na Royal Enfield Himalayan 411

Uma viagem com o modelo 2022 já remapeado mostra como o comportamento melhorou e os riscos de problemas foram reduzidos

  1. Home
  2. Motos
  3. "Remap": os efeitos na Royal Enfield Himalayan 411
Roberto Dutra
Compartilhar
    • whats icon
    • bookmark icon

No final de dezembro, publicamos que a Royal Enfield convocou os proprietários de seus modelos para fazer o que a fábrica chamou de "atualização do software do módulo de controle da injeção". A convocação veio na forma de um recall - ou seja, algo obrigatório - e, na prática, era (e ainda é) um remapeamento da injeção para melhorar as respostas do motor à misturada gasolina brasileira.

O objetivo principal, não oficialmente declarado, era baixar a temperatura de trabalho dos motores e evitar falhas como os que aconteceram em algumas dezenas de Himalayan 411, que tiveram problemas de pré-ignição e, por isso, nos casos mais graves, precisaram trocar cabeçotes de motor danificados. A pré-ignição, também conhecida como "batida de pino", pode se tornar algo grave se resultar no acúmulo de resíduos na câmara de combustão, que pode levar a superaquecimento e danos graves. Embora a Meteor 350, a Interceptor 650 e a Continental GT 650 não tenham registrado casos assim, a convocação atingiu todos esses modelos.

Pois bem, agora, algum tempo depois, começamos a ter os resultados do "remap". Nas Meteor 350, os relatos indicam um desempenho melhor e sem a limitação da velocidade a 120 km/h, algo que incomodava muitos proprietários. Nas "twins" Interceptor 650 e Continental GT 650, ao que parece, tudo ficou como antes: ninguém reclamou nem elogiou - e isso é bom. E nas Himalayan, os donos informam um desempenho bem melhor.

A prova dos nove, porém, publicamos agora, com uma viagem de 2.700 quilômetros feita por Flavio Bressan da Luz, engenheiro de 52 anos, motociclista morador de Brasília e entusiasta da marca desde antes de sua chegada oficial ao Brasil, em 2017.

Bressan percorreu a Transamazônica com uma Classic 500 em 2015, foi o primeiro comprador de uma Himalayan no país, no dia do lançamento, em 2019, e já rodou mais 90.000 quilômetros com o modelo em lugares como a própria Transamazônica,  além de Cânion do Viana, Pantanal, Seridó e Araguaia, entre outros. Em resumo, virou uma referência no país quando o assunto é Royal Enfield, mas sem qualquer vínculo com a fábrica.

Viagem Do Bressan (8)
Agora mais valente, a Himalayan 411 enfrentou bem a movimentada BR-101. Aqui, perto da cidade de Torres (RS)
Crédito: Flavio Bressan/Arquivo pessoal
toggle button

Viagem com a Royal Enfield Himalayan 411

O trajeto: partida de Porto Alegre (RS), rodou 598 quilômetros até Florianópolis (SC), onde fez a primeira troca de óleo; depois mais 800 quilômetros até Londrina (PR). Em seguida, 470 quilômetros até a cidade de Fronteira (MG), na divisa de São Paulo e Minas Gerais, e por fim mais 730 quilômetros até Brasília (DF). Ufa!

Viagem Do Bressan (5) Royal Enfield Himalayan 411
A Himalayan 411 visita a Praia de Itapirubá, em Imbituba (SC). Placa mostra a distância até a África do Sul
Crédito: Flavio Bressan/Arquivo pessoal
toggle button

Com essa experiência na bagagem, Bressan diz que sentiu diferenças já no primeiro trecho da viagem, a bordo de uma Himalayan 2022 já remapeada e acompanhado de um amigo com uma 2019 não remapeada. Segundo ele, no trânsito urbano congestionado, o painel de sua moto acusava uma temperatura 6 graus menor que a da outra moto.

"Isso pode ter sido causado pela mudança na localização do termômetro da moto, que passou para a rabeta. Assim o dispositivo não é "contaminado" pelo calor do motor", avalia.

Viagem Do Bressan (4)
Ainda na Praia de Itapirubá, em Imbituba (SC), uma visita ao Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca
Crédito: Flavio Bressan/Arquivo pessoal
toggle button

Como a moto era novinha, Bressan respeitou o período de amaciamento andando a 60km/h. Não percebeu tanta diferença nas acelerações e retomadas, mas notou menos engasgos em baixa rotação. Após o amaciamento inicial, acelerou mais forte e constatou que uma velocidade de cruzeiro de 120km/h por longo período era totalmente viável, o que não acontecia antes.

"A moto não teve qualquer sinal de perda de potência ou de ruídos estranhos ao funcionamento normal. Chegou a atingir 130km/h, algo que não eu tinha conseguido com minha Himalayan anterior, uma 2019 (marcação de painel, não de GPS)", comparou

Não é a "Mão do Deserto", no Atacama: oficialmente aqui é o Monumento "Preservação Ambiental", em Jaci (SP)
Crédito: Flavio Bressan/Arquivo pessoal
toggle button

Bressan destaca, ainda, que o consumo ficou dentro do esperado tanto no amaciamento quanto depois, sem diferença relevante em comparação à moto "antiga" - fez 36km/l durante o amaciamento, 22km/l quando pôde manter cruzeiro de 120km/h e média geral de 29km/l. Ele ressalta que os proprietários provavelmente vão sentir um consumo mais alto, já que o remapeamento permite usar a moto em giros mais altos por mais tempo sem riscos, e fatalmente os proprietários farão isso. O motociclista diz que a Himalayan ficou mais gostosa, segura e divertida de pilotar.

"Com o 'remap', ela tem 10% a mais de potência e torque. Além disso, a curva de potência sobe antes e ficou mais plana. Com isso, a moto ficou mais 'esperta' que antes, sem o remapeamento", diz.

A Himalayan fez sozinha a travessia de balsa sobre o Rio Paranaíba, na divisa de Minas Gerais com Goiás
Crédito: Flavio Bressan/Arquivo pessoal
toggle button

A ciclística não mudou, mas a nova bolha mais baixa e sem ajustes no ângulo de inclinação reduziu o conforto. "Se eu levantar 5 cm do banco, não recebo turbulência, mas para meus 1,78 m e sentado normalmente, ficou incômodo - já era incômodo antes, também. Se eu me abaixar atrás da bolha, recebo menos vento, mas é uma posição desconfortável principalmente em longos trechos. Os pilotos de menos estatura, porém, não devem sofrer com isso."

Já no retorno, a moto encara um trecho de terra na BR-154, perto do município de Itapagipe (MG)
Crédito: Flavio Bressan/Arquivo pessoal
toggle button

Já o sistema de navegação por GPS Tripper, que ele não tinha na moto anterior, ajudou a encontrar caminhos para visitar amigos nas cidades pelas quais passou. Bressan se diz avesso a GPS e navegadores no guidão, mas achou o aparelhinho bem prático.

rápido de ativar, botar o mapa e sair rodando. Durante a pilotagem, ele fica 'escondido' ali no canto do olho e não atrapalha nem fica atraindo o olhar e desviando a atenção da pista. Testei não seguir as indicações, e rapidamente o aparelho recalculou a rota e indicou um novo caminho. Já recebi reclamações de lentidão na sinalização de esquinas, mas não tive esse problema. Pode ser sinal fraco no celular do usuário ou dificuldade de entender as setinhas, entre outros", acredita.

A viagem-teste de Bressan com a Himalayan 411 remapeada:

Comentários