O mercado brasileiro de veículos de duas rodas está em ebulição. A produção de motos e similares no primeiro bimestre deste ano foi a melhor em 15 anos, e as vendas no varejo foram simplesmente as melhores da história. E naturalmente o segmento de scooters está inserido nesse contexto.
Não por acaso, a todo momento as marcas presentes no país lançam novidades. E o caro leitor pôde ver aqui, há alguns dias, o lançamento do scooter SYM ADXTG 150 - modelo da marca taiwanesa SYM Sanyang montado no Brasil pela Dafra e vendido nas concessionárias das duas parceiras.
Segundo a SYM, o novo ADXTG 150 é um scooter "aventureiro". Essa palavra parece familiar? Pois é, virou moda no mundo os veículos - carros, motos e até scooters. Tenta dar a todos uma aura de veículo com aptidão para algo mais além da mobilidade urbana ou da rodagem no asfalto. E apenas raras vezes é verdade.
O ADXTG 150 é exatamente isso: tem visual "aventureiro - bonito, por sinal -, proposta "aventureira", campanha de marketing e slogan de "aventureiro", mas é um scooter fundamentalmente urbano. Não que isso seja demérito, absolutamente: essa é a proposta de uso da maioria absoluta dos scooters. Até encara uma terrinha, mas sua praia é mesmo o asfalto.
E o ADXTG 150 não está sozinho nessa pegada. Vai brigar diretamente com o Honda ADV 160, modelo que de certa forma inaugurou o subsegmento de "aventureiros" dentro do segmento de scooters. Lançado em 2020, é um produto bem-sucedido - embora não tão vendido como o best-seller Honda PCX 160.
Poderíamos mencionar o ADV 750, mas sempre vale ressaltar que, apesar do aspecto geral, não se trata de um scooter. Sequer tem transmissão CVT (é automatizada DCT), critério fundamental para se encaixar nessa categoria. Também poderíamos mencionar o Shineray Urban 150, scooter de verdade que, curiosamente, tem design muito parecido com o do Honda ADV 150. Mas o próprio nome já elimina qualquer intenção "aventureira".
Então a briga é mesmo SYM ADXTG 150 versus Honda ADV 160. E qual dos dois seria a melhor opção para você? A confiabilidade daquele que já está no mercado há anos ou a novidade com custo/benefício tentador? Vamos analisar!
O modelo tem um conjunto atraente: porte imponente, o estilo "aventureiro" que está na moda, mecânica conhecida e confiável, e ainda um preço bem competitivo. Levando-se em conta tudo isso, algumas especificações e o desempenho, que não impressionam tanto, não fazem a menor diferença.
O ADXTG 150m também exibe linhas retas, muitos vincos e carroceria corpulenta, e ainda um bom grau de modernidade com a iluminação full-LED e o painel com tela de TFT de cinco polegadas. Que, surpreendentemente, não tem conectividade - mas a marca assume que isso está nos planos futuros.
Outros baratos são a chave presencial, a abertura remota do bocal do tanque e do banco, a tomadinha USB para carregar dispositivos e o sistema start & stop, que desliga o motor nas paradas mais demoradas e o religa quando o piloto abre o acelerador.
O motor é o mesmo monocilíndrico com 149,6 cm³, quatro válvulas e refrigeração líquida do urbaníssimo Cruisym 150, que já é vendido no Brasil desde 2021. Só muda a calibragem. No veterano, são 14,3 cv de potência a 8.500 rpm e 1,3 kgfm de torque a 6.500 rpm.
Agora, no ADXTG, são 14,7 cv a 7.500 rpm e 1,4 kgfm a 6.000 rpm. Ou seja, números ligeiramente superiores e com entregas mais rápidas. Poderiam proporcionar um desempenho mais arisco, mas na prática apenas compensam os quase 10 quilos que o ADXTG pesa a mais que o Cruisym. No fim das contas, empate técnico.
A transmissão obviamente é CVT, como em qualquer scooter autêntico. As suspensões têm cursos de 9 cm na frente e atrás. O tanque é enorme para um scooter: 15 litros. A altura mínima do solo é de 12,5 cm e o banco está a 80 cm do solo.
Bem, de certa forma o Honda ADV 160 dispensa grandes apresentações. Está aí há seis anos, é um sucesso de vendas em seu nicho e somou mais de 17 mil unidades emplacadas em todo o ao passado. E já evoluiu desde que foi lançado - tinha motor de 150cm³ e mudou para 160 cm³.
O ADV 160 também é bem recheado. Tem para-brisa com ajuste de altura, freio dianteiro com ABS, controle de tração, tomadinha USB, iluminação full-LED, chave presencial e sistema start/stop. A suspensão traseira é bichoque, e de grife: Showa, com reservatórios externos - muito eficiente. O painel de instrumentos é digital com telinha de LCD, sem conectividade.
O motor do ADV 160 é o conhecido monocilíndrico de 149,6 cm³, injetado e refrigerado a água. Entrega potência de 14,7 cv a 7.500 rpm e torque de 1,4 kgfm a 6.000 rpm. Ou seja, é um pouco mais potente que o do ADXTG 150, e tem o mesmo torque. Como é 12 quilos mais leve que o rival, tem melhor relação peso/potência.
Outras vantagens do ADV 160 são a roda dianteira, com aro 14 ante aro 13 no rival (as traseiras são iguais, com aros de 13 polegadas), e as suspensões com cursos maiores: 13 cm na frente e 11 cm atrás, contra 9 cm nas duas do ADXTG 150.
Além disso, no ADV 160 o para-brisa tem ajuste de altura e no rival é fixo, a distância livre do solo é maior, de 16,5 cm contra 13,5 cm no SYM, e o entre-eixos é mais curto, de 1,32 metro contra 1,39 metro no rival - o que implica em mais agilidade.
Por outro lado, o tanque é bem menor, para oito litros, o ABS está somente na roda dianteira, enquanto no ADXTG150 está nas duas rodas, e o painel de TFT do SYM é bem mais moderno. Por fim, a suspensão traseira monochoque do rival é bem eficiente, mas a Showa bichoque do Honda ADV também é mais que satisfatória.
O novo ADXTG 150 chegou por R$ 21.990, já com frete e garantia de ótimos cinco anos. O Honda ADV 160, por sua vez, parte de R$ 25.520, mas sem frete e com garantia de três anos. Ou seja, o ADXTG 150 é inquestionavelmente mais barato. Mas bote outro dado na sua conta: a Honda tem mais de mil concessionários no país, enquanto a SYM/Dafra não chega a 100.
Conclusão: o melhor para você vai depender de suas prioridades. Se o caro leitor quer preço, custo/benefício, novidade, porte e mora em um lugar que tenha concessionária SYM/Dafra, vale a pena fazer um test-ride no ADXTG 150 e avaliar a possibilidade de levá-lo para casa.
Mas se quer confiabilidade, tradição, modelo consolidado, liquidez futura, desempenho e não se importa de pagar mais na compra e no seguro, sem dúvidas o ADV 160 é o "aventureiro" ideal.
Preço: R$ 21.990 com frete
Motor: monocilíndrico, 149,6 cm³, quatro válvulas, injetado e refrigerado a água. Potência de 14,7 cv a 7.500 rpm e torque de 1,4 kgfm a 6.000 rpm
Transmissão: continuamente variável (CVT)
Suspensões: tubos convencionais na frente e monochoque inclinado atrás, ambas com 9 cm de curso
Freios: a disco, com ABS nas duas rodas
Tanque: 15 litros
Pneus: 120/70 R13 na frente e 130/70 R13 atrás. Rodas de liga leve
Dimensões e peso: 1,98 metro de comprimento, 78 cm de largura, 1,22 metro de altura, 1,39 metro de entre-eixos, vão livre de 12,5 cm, banco a 80 cm do solo e 140 quilos a seco
Preço: R$ 25.520 com frete
Motor: monocilíndrico, 156,9 cm³, quatro válvulas, injetado e refrigerado a água. Potência de 16 cv a 8.500 rpm e torque de 1,4 kgfm a 6.500 rpm
Transmissão: continuamente variável (CVT)
Suspensões: tubos convencionais com 13 cm de curso na frente e bichoque atrás, com 11 cm de curso
Freios: a disco, com ABS na roda dianteira
Tanque: 8 litros
Pneus: 110/80 R14 na frente e 130/70 R13 atrás. Rodas de liga leve
Dimensões e peso: 1,95 metro de comprimento, 76,3 cm de largura, 1,19 metro de altura, 1,32 metro de entre-eixos, vão livre de 16,5 cm, banco a 78 cm do solo e 128 quilos a seco