Vem aí o câmbio semiautomático com quickshifter

Kawasaki registra patente de dispositivo que conjuga o funcionamento dos dois sistemas. Será o futuro das transmissões?

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Roberto Dutra
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Sempre que mencionamos o quickshifter em alguma matéria aqui na editoria de motos do WM1, fazemos questão de explicar que é um dispositivo que permite ao piloto trocar as marchas para cima ou para baixo sem usar a embreagem e sem aliviar o acelerador. E também já explicamos, em detalhes, como ele funciona.

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A Kawasaki Ninja 1000 SX é a "cobaia" nos testes para o novo conjunto de embreagem com quickshifter
Crédito: Divulgação

Pois bem, o quickshifter é um recurso até bastante comum em motocicletas de alta cilindrada, predominantemente nas esportivas e nakeds. E, na pilotagem esportiva ou acelerada, funciona muito bem, ao agilizar as trocas de marchas. Mas, em uma condução tranquila do dia a dia, não é tão eficiente nem confortável - deixa a moto meio "boba".

A solução, claro, é simplesmente usar a embreagem normalmente. Mas e se nem isso fosse necessário e a moto continuasse rápida e ágil? É aí que entra a nova tecnologia patenteada pela Kawasaki - a marca pretende revolucionar o uso do quickshifter ao fazer com que funcione junto com um câmbio semiautomático.

O conjunto tem um atuador eletrônico para engatar ou desengatar a embreagem em um câmbio convencional, e também um outro software que "decide" quando o quickshifter será usado ou não. Desta forma, são esses "gnomos eletrônicos" que vão escolher entre usar só um ou os dois dispositivos, de acordo com a demanda detectada.

A marca considerou esse caminho melhor do que desenvolver um câmbio automatizado ou mesmo uma transmissão completamente automática, que teria o mesmo problema de deixar a moto "lerda" em certas situações.

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Câmbio de moto da Kawasaki: com o quickshifter, não é preciso acionar a embreagem nem aliviar o acelerador
Crédito: Divulgação

O sistema é testado em uma Ninja 1.000 SX e um documento anexo à patente explica que ele inclusive pode ser aplicado em uma moto híbrida - movida por motores a combustão e elétrico conjuntamente. Nada é por acaso: a marca japonesa está em fase de desenvolvimento, justamente, de uma moto assim.

Afinal, uma embreagem semiautomática ajudaria a evitar, por exemplo, os "trancos" que ocorrem no pequeno tempo entre a parada de um motor e o acionamento do outro. A patente, porém, não menciona o uso do sistema em conjunto com um sistema start-stop - aquele que desliga o motor em paradas longas, como já vemos em muitos modelos. E as ilustrações no documento da patente também não mostram nenhuma alavanca de embreagem convencional.

Kawasaki Quickshift Patent
Um dos documentos que mostram a patente registrada pela Kawasaki: engrenagens do câmbio semiautomático
Crédito: Divulgação

Importante ressaltar, também, que em uma aplicação híbrida o uso de embreagem e do acelerador pode não acontecer da forma que conhecemos. Afinal, o motor elétrico poderia ser usado apenas para a arrancada da inércia e o propulsor a combustão entraria em ação na sequência, para levar a moto adiante - desta forma, dispensaria o manete da embreagem.

Embora uma patente registrada não garanta que uma determinada tecnologia será levada à produção em série, essa novidade da Kawasaki nos permite imaginar uma moto híbrida com marcha convencional, mas sem embreagem manual. Será esse o futuro das transmissões das motocicletas?

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