O setor automotivo espera aumento de 25% na produção de carros, comerciais leves, ônibus e caminhões para 2021. Embora otimista, a projeção de que 2,52 milhões de unidades sejam fabricadas este ano é considerada conservadora pela própria indústria.
De acordo com Luiz Carlos Moraes, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o volume representa ociosidade de 50%. Hoje, a capacidade de produção do setor é de 5 milhões de veículos por ano.
"A gente continua com certa preocupação. As estimativas são conservadoras, pois ainda existem incertezas. Mesmo assim, acreditamos que teremos crédito suficiente para atender ao crescimento do mercado, já que os bancos dizem que o nível de inadimplência está sob controle", comentou Moraes.
Para a Anfavea, o Brasil deve ter um crescimento de 3,5% do PIB em 2021. Além disso, segundo Luiz Carlos Moraes, boa parte disso será por conta do desempenho da indústria automobilística. Ele, porém, fez questão de ressaltar que o crescimento efetivo do PIB do Brasil deve ser um pouco menor. O Banco Mundial, por exemplo, estima alta de 3%.
Quanto às exportações, a previsão da Anfavea é de crescimento de 9%, para 353 mil. Vale destacar que, em 2020, a exportação de veículos teve queda de 24,3%.
No total, de acordo com a Anfavea, foram 323 mil embarques no ano passado. Este é o pior número registrado pela indústria nos últimos 18 anos. Segundo a associação que representa os fabricantes, a queda vertiginosa é resultado da crise da Argentina e de outros fatores.
"Sempre falamos sobre o Custo Brasil. Há uma questão estrutural que temos tentado atacar, que afeta o desempenho não apenas do setor automotivo, mas também de outras áreas", afirmou Luiz Carlos Moraes.
A Anfavea projeta que a venda de novos tenha aumento de 15% em 2021, com 2,37 milhões de unidades comercializadas. Todavia, a associação considera que um dos obstáculos na comercialização de veículos em 2021 seja a nova alíquota do ICMS, em São Paulo, sobre veículos novos e usados.
"Foi uma surpresa. A gente não imaginava que São Paulo fosse fazer uma proposição deste tipo. Quero destacar nosso desapontamento com o governo de São Paulo", comentou Moraes. Ainda de acordo com o presidente da Anfavea, o ICMS de veículos usados no estado, em alguns casos, subiu 207%. Além disso, para novos, a alíquota passará de 12% para 13,3% no dia 15 de janeiro. A partir de abril, o ICMS vai para 14,5%.
Para a Anfavea, além da volatilidade cambial e dos insumos, o "aumento de impostos" também poderá contribuir para um consequente repasse para o consumidor final, o que tornará os veículos mais caros. "As montadoras têm feito o trabalho de aumentar o volume para diminuir ociosidade e evitar o repasse. Em alguns casos, claro, é impossível. Esperamos, com o dólar sob controle, que consigamos crescer em volume sem muitos aumentos de preço. No entanto, decisões como essa, do governo do Estado de São Paulo, são prejudiciais", disse Luiz Carlos Moraes.
Em 2020, o balanço da Anfavea revelou que 2.014.055 automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões foram produzidos. No ano retrasado, o número foi de 2.994.988. Queda de 31,4% ante 2019 e o pior resultado da indústria desde 2003.
Em dezembro passado, o setor produziu 209.296 unidades. O número representa aumento de 22,8% em relação ao mesmo mês de 2019. Naquele período, 170.504 veículos foram fabricados. Para a Anfavea, isso é resultado de um "grande esforço para atender a demanda" reprimida. Mesmo assim, a indústria começa 2021 com os estoques mais baixos da história, suficientes para apenas 12 dias de venda.