A gestação é um momento muito específico na vida da mulher. Teoricamente são apenas nove meses na condição de grávida, mas esse tempo envolve mudanças físicas, hormonais e emocionais profundas, deixando marcas que ficam para sempre.
Apesar de ser algo comum — quase metade da população mundial passa por essa experiência —, a gravidez ainda gera muitas dúvidas sobre o dia a dia, inclusive sobre coisas simples do cotidiano, como dirigir, por exemplo.

Dirigir é muito mais do que liberdade: é uma ferramenta essencial para facilitar a vida diária, seja para ir ao trabalho, levar os filhos à escola ou cumprir tarefas cotidianas. E para a grávida isso não é diferente.
Para mulheres gestantes ou já mães, manter a mobilidade com segurança é fundamental, e saber como dirigir de forma adequada pode fazer toda a diferença.
Com base nisso, consultamos especialistas para responder a algumas das principais dúvidas sobre dirigir durante a gravidez e no período pós-parto. E claro, também trago a minha visão - já passei por isso, e estou passando novamente!
De acordo com a doutora Lilian Kondo, ginecologista e obstetra, e membro da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (ABRAMET), alterações físicas, fisiológicas e psicossociais na gestação e no puerpério, na maioria das vezes, não impedem a mulher de dirigir, desde que ela tenha domínio do veículo e conduza com atenção.
Existem situações que exigem cuidado redobrado ou repouso, como uso de medicações com efeitos adversos, hiperêmese gravídica, pressão alta descompensada, diabetes, colo uterino curto ou ameaça de aborto. Nesses casos, dirigir pode aumentar o risco de acidentes, e a orientação é respeitar os limites do corpo e do tratamento médico.
Além disso, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não proíbe a gestante ou a puérpera de dirigir, contanto que não apresente sinais ou sintomas de incapacidade temporária que comprometam a segurança. Ou seja, a gestante só deve se abster de dirigir se houver condições médicas que indiquem risco real.
No meu caso, em dias de cansaço intenso, mal-estar ou indisposição, percebi que planejar trajetos curtos, fazer pausas frequentes e contar com a ajuda de outra pessoa se tornaram medidas essenciais para manter a segurança, tanto a minha quanto a do bebê.
Para dirigir de forma segura durante a gestação, a doutora Lilian Kondo e a ABRAMET recomendam algumas medidas práticas.
Algumas delas já são conhecidas e devem ser colocadas em prática por todo e qualquer motorista. Outras já são um plus a mais que a gestação agraga:
Ajustar banco, encosto, volante e retrovisores para manter postura correta e confortável.
Usar o cinto de três pontos corretamente, com a faixa subabdominal abaixo do abdômen e a faixa diagonal entre as mamas, sem pressionar o ventre.
Manter o airbag ativo e garantir distância segura entre o tórax e o volante.
Evitar trajetos longos e, quando necessário, viajar acompanhada.
Fazer paradas regulares para alongar-se e movimentar-se durante o trajeto.
Em viagens acima de quatro horas, movimentar membros inferiores, usar meias de compressão, manter circulação de ar e ingerir líquidos e alimentos regularmente.
Eu mesma adoto a prática de levar uma meia de compressão na bolsa. Como moradora de São Paulo sei que até trajetos curtos podem durar quase duas horas dependendo do trânsito - então acabo recorrendo a ela nesses momentos.
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Durante a gestação e no pós-parto muitas mulheres se veem bombardeadas por produtos vendidos como essenciais, incluindo dispositivos adaptados para o cinto de segurança. É comum encontrar opções com preços bem variados, prometendo conforto extra durante a gestação.
No entanto, a Resolução 951/2022 do CONTRAN é clara: é proibido usar dispositivos que travem, afrouxem ou modifiquem o funcionamento normal do cinto, sendo a única exceção os dispositivos de retenção para transporte de crianças.
Ou seja, além de não serem obrigatórios, esses adaptadores para grávida são proibidos, e o descumprimento da norma pode gerar multa e pontos na CNH.
É importante, portanto, separar o que é realmente necessário do que é marketing ou tendência, focando na segurança e nos equipamentos obrigatórios que a grávida e os demais motoristas devem usar.
Mesmo vivendo um momento único, com toda a questão hormonal, emocional e física, muitas vezes a grávida não pode abrir mão de dirigir — e nem deveria.
Para mim, dirigir não é apenas parte do trabalho como jornalista automotiva, mas também está ligado a momentos de prazer, passeios e distração.
Planejar trajetos curtos nos dias de maior cansaço, fazer pausas estratégicas para alongamento, hidratação e alimentação, ajustar corretamente postura e cinto, e viajar acompanhada podem ser a saída.