Brasileiro ex-CEO da Nissan foge da prisão

Carlos Ghosn estava em prisão domiciliar aguardando julgamento no Japão, mas fugiu para o Líbano

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Renan Rodrigues
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Uma bomba caiu sobre a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi em novembro do ano passado. O brasileiro Carlos Ghosn, CEO do grupo, havia sido preso sob a acusação de fraude fiscal. Segundo as informações divulgadas, o executivo não teria informado seu rendimento total ao fisco, deixando de declarar cerca de US$ 44 milhões (aproximadamente R$ 165,4 milhões) ao longo de cinco anos.

Agora, pouco mais de um ano depois e enfrentando acusações que poderiam condená-lo a 10 anos de prisão, Ghosn se envolveu em outra grande polêmica. O brasileiro deixou o Japão, onde estava em prisão domiciliar, sem o consentimento das autoridades. O paradeiro era desconhecido até ele mesmo confirmar a fuga para o Líbano.

Carlos Ghosn
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Legenda: Carlos Ghosn durante lançamento do Captur no Brasil
Crédito: Divulgação

"Estou agora no Líbano e não serei mais refém do manipulado sistema de justiça japonês, onde a culpa é presumida, a discriminação é desenfreada e os direitos humanos são negados, em flagrante desrespeito às obrigações legais do Japão sob o direito internacional e os tratados que deve obedecer. Eu não fugi da justiça, eu escapei da injustiça e da perseguição política. Eu posso agora finalmente me comunicar livremente com a imprensa e pretendo fazê-lo a partir da semana que vem", disse Ghosn, por meio de comunicado divulgado hoje (31).

É golpe?

Desde quando foi preso, o brasileiro disse ser vítima de um complô da Nissan para tirá-lo do poder. Ele ainda reclamou do tratamento recebido pelos japoneses e viu, recentemente, o vazamento de informações do seu caso pararem na imprensa. Há pouco mais de um mês, os seus quatro filhos também reclamaram do sistema e definiram como "cruel e injusto", especialmente com os imigrantes.

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Legenda: Carlos Ghosn então presidente da aliança Nissan-Renault
Crédito: Divulgação

"Cada um de nós tenta entender como um país tão desenvolvido quanto o Japão pode permitir que os direitos humanos - que deveriam beneficiar nosso pai - sejam desprezados", diz um trecho da carta.

Por que o Líbano?

Um dos motivos para escolher o Líbano diz respeito à proibição de extradição de qualquer cidadão. Apesar de nascido no Brasil, Ghosn se mudou para o Líbano cedo, onde passou a infância e adolescência. Por esse motivo, conseguiu a cidadania local. Além disso, familiares e amigos moram por lá. O executivo também possui negócios no país.

Por fim, o governo libanês sempre foi um apoiador e entusiasta de Ghosn durante sua carreira. O executivo foi até tema de uma coleção de selos em 2017. O apoio diminui após a prisão, mas as chances dele ser obrigado a voltar ao Japão são mínimas.

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