As concessionárias vivem um novo fenômeno. Nos meses de fevereiro e março, o BYD Dolphin Mini foi o carro mais vendido no varejo no mercado brasileiro, segundo dados oficiais da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). De quebra, o pequenino consolidou — ainda que momentaneamente — a liderança nesse formato de comercialização no acumulado do ano.
O dado, por si só, já chama atenção. Mas ele se torna ainda mais relevante quando se observa o contexto: trata-se de um hatch 100% elétrico liderando um mercado amplamente dominado por SUVs e, em sua grande maioria, por modelos a combustão.
Enquanto o Dolphin Mini soma, nos três primeiros meses do ano, 13.684 carros emplacados no varejo, os quatro modelos seguintes no ranking são SUVs movidos exclusivamente a gasolina ou etanol, sem sequer uma opção híbrida em suas configurações. São eles: Hyundai Creta (segundo colocado, com 12.305 emplacamentos), Volkswagen Tera (terceiro, com 12.026), Chevrolet Tracker (quarto, com 10.687) e Volkswagen Nivus (quinto, com 9.827).
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O cenário contraria, em parte, a lógica do próprio mercado. De acordo com a Fenabrave, 56,7% dos carros novos emplacados em março foram SUVs — número que considera a soma das vendas no varejo e das vendas diretas. Já os hatches pequenos responderam por apenas 24,7% do total, categoria em que o Dolphin Mini se encaixa ao lado de modelos tradicionais como Volkswagen Polo, Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Fiat Argo. No acumulado do ano, a predominância dos SUVs é ainda maior: 58% de participação, enquanto os hatches pequenos caem para 24,1%.
Os dados do primeiro trimestre ajudam a dimensionar esse contraste. Ao todo, 472.034 carros de passeio novos foram vendidos no período. Desse volume, apenas 30.928 eram 100% elétricos — como o Dolphin Mini —, o equivalente a 6,55% dos licenciamentos. Os híbridos somaram 64.541 unidades (13,67%), enquanto a esmagadora maioria, 376.565 veículos (79,77%), ainda corresponde a modelos movidos exclusivamente a combustão.
Resumindo, em um mercado onde os SUVs seguem como maioria absoluta e os motores a combustão ainda dominam, quem vem roubando a cena e assumindo o protagonismo — ao menos no varejo — é justamente um hatch compacto e 100% elétrico.
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