Depois do golfinho, do mini-golfinho e da foca, o leão marinho. Sim, esse é o nome, traduzido, do Sealion 7, o modelo que a BYD lançou na semana passada no mercado brasileiro.
O modelo veio se juntar ao Dolphin, ao Dolphin Mini e ao Seal na linha carros com nomes de "inspiração marítima". É curioso como, além de divertidos, os nomes são pertinentes e se encaixam bem em cada modelo.

O leão marinho é um animal que tem na imponência, na agilidade e na robustez suas principais características. E o Sealion 7 é exatamente isso: imponente, ágil e - aparentemente - robusto.
É um SUV-cupê com pegada esportiva. Portanto, bem diferente do resto da "família marítima". Afinal, Dolphin e Mini Dolphin são modelos urbanos, enquanto o Seal é um sedãzão.
Tive a oportunidade de acelerar o bichão durante o lançamento, no Autódromo de Goiânia (GO). Claro que a pista estava cheia de chicanas e a experimentação foi curta - apenas duas voltas no circuito. Mas já pude perceber as emoções que o Sealion 7 pode proporcionar e algumas de suas principais características.
Antes, porém, veio a "barca". É que, enquanto eu esperava na fila, me foi oferecida a oportunidade de experimentar o Atto 8, um SUV de grandes proporções e pegada mais familiar. Falarei sobre este outro modelo lá no final da matéria.
Não vou entrar muito nas especificações técnicas do carro. Quero contar aqui como é acelerar o monstrinho. Detalhes e curiosidades, o caro leitor já viu - e pode ver de novo - nesta outra matéria, da repórter Nicole Santana.
Entrei no Sealion 7 e fiquei bem impressionado com o acabamento e o certo nível de sofisticação. Há muita tecnologia embarcada e boa parte dela diz respeito ao conforto e à segurança de motorista e passageiros.
Estão lá conectividade completa, som com 12 alto-falantes, assistente de voz, modos de condução, multimídia de 15,6 polegadas, painel de instrumentos de 10,25 polegadas, GPS nativo, head-up display, nove airbags e pacote ADS nível 2, entre muitos outros. Sim, o modelo obteve nota máxima no EuroNCAP.
O instrutor ao meu lado deu algumas dicas e parti para a pista. Fui envolvido por 2.750 quilos de um carro para cinco pessoas, que tem 4,83 metros de comprimento, 1,92 metro de largura, 1,92 metro de largura, 1,62 metro de altura e excepcionais 2,93 metros de entre-eixos. É bem espaçoso, principalmente no banco traseiro.
O peso parece grande, é é mesmo. Mas não para um powertrain composto por dois motores elétricos, que entregam 531 cv de potência e 69 kgfm de torque. E cujas forças são administradas por um sistema de tração integral com tecnologia iTAC - sigla em inglês para Controle Inteligente de Torque Adaptativo.
Esse sistema distribui automaticamente a força entre as rodas para melhorar aderência, estabilidade e segurança em curvas ou situações de baixa tração. Para completar, as suspensões foram calibradas para as condições brasileiras e são compostas por sistema com duplo "A" na frente (a famosa double wishbone) e multilink (multibraço) na traseira.
Importante destacar que essas duas configurações são especialmente eficientes. O duplo "A" usa dois braços triangulares sobrepostos para conectar a roda ao chassi. Ela é famosa por seu controle preciso de cambagem, mantendo o pneu plano em curvas para proporcionar máxima aderência.
Já a multilink é independente e conecta a roda ao chassi usando três ou mais braços articulados. Isso permite que cada roda se mova livremente, proporcionando muita aderência, estabilidade eficiente nas curvas e um rodar confortável.
Optei pelo modo Conforto - o outro é o modo Sport - e acelerei levemente no começo, para sentir o carro e conhecer o circuito. A primeira volta foi mansa e apenas nos 200 metros finais pisei mais forte. Meu corpo colou no banco e o carro parece ter entrado no modo Sport por conta própria. Mas não foi isso: o bicho acelera com força absurda, mesmo!
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Tanto que, segundo a BYD, é capaz de acelerar de zero a 100 km/h em 4,5 segundos e chegar à velocidade máxima de 215 km/h - limitada eletronicamente. Mas não aconselho se aventurar dessa forma, pelo menos em trajetos sinuosos. Conto abaixo os motivos.
Ocorre que, apesar de toda a eletrônica embarcada, o Sealion 7 ainda é grande, pesado e relativamente alto. E, na segunda volta, acelerando mais forte - ainda no modo Conforto -, o carro deu algumas escapadas. Mais de traseira do que de frente, e bem discretas, é verdade.
As reboladas não assustaram porque imediatamente os gnomos eletrônicos a bordo trataram de devolver o carro à trajetória ideal. Mas não é a mesma coisa que acelerar forte um carro mais baixo, leve e "pranchado" no chão - no Sealion 7, a distância mínimo do solo beira os 18 cm.
Dá para sentir a carroceria adernando discretamente e o aparato eletrônico tomando conta das situação. Quem não está habituado pode estranhar e até se assustar. Nem mesmo os ótimos amortecedores de frequência variável (FSD), que ajustam o comportamento conforme o piso e a condução, fazem milagres. Mas a sensação de segurança está ali.
Aproveitei uma reta e acelerei com força para, logo depois, avaliar a frenagem. Aí o Sealion 7 impressionou ainda mais, parando em curta distância, sem rebolar e transmitindo, mais uma vez, enorme sensação de segurança.
Para segurar todo esse ímpeto, o Sealion 7 tem bancos envolventes e confortáveis, embora não sejam supermacios. O que, aliás, é coerente com a proposta esportiva. Além disso, o condutor viaja em excelente posição, alta e com ótima visibilidade periférica - um pouco menos no vidro traseiro. Você vê o mundo de cima e acredita que pode conquistá-lo.
Comandos e os poucos botões estão bem ao alcance das mãos e a ergonomia é adequada. Destaque, também, para o volante - que proporciona ótima pegada e direção bem calibrada no peso. Aliás, este é um "suvão" que não requer esforço na condução.
O desempenho forte não cobra, aparentemente, um preço alto no consumo de energia. O Sealion 7 usa bateria Blade de 82,5 kWh e suporta carregamento rápido DC de até 150 kW. Segundo a BYD, é possível ir de 30% a 80% de carga em aproximadamente 30 minutos. Já a autonomia oficial, pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), chega a 360 quilômetros.
Não é tão grande como a de outros elétricos chineses, mas levando-se em conta o peso, o desempenho e a pegada esportiva do Sealion 7, é plenamente aceitável. E certamente será maior que isso se o motorista pegar leve no pedal direito.
Bem, antes de me esbaldar com o Sealion 7, dei duas voltas no Autódromo de Goiânia com o Atto 8. É um "SUVão" e o mais caro híbrido plug-in da marca chinesa no Brasil: custa R$ 399.990. Briga ali com outros grandões como o GWM Wey 07, tem sete lugares e um pacote de equipamentos de luxo.
Usa um motor a combustão e dois motores elétricos, que entregam 488 cv de potência combinada e 900 quilômetros de autonomia - no modo 100% elétrico, roda 111 quilômetros. Apesar do tamanho, também acelera forte: zero a 100 km/h em 4,9 segundos. Perceba: quase a mesma coisa que o Sealion 7. A tração é integral.
Com esse conjunto, o Atto 8 entrega um desempenho impressionante para seus 5 metros de comprimento, 1,99 metro de largura, 1,76 metro de altura e 2,95 metros de entre-eixos - e para seus 2.650 quilos em ordem de marcha. Isso mesmo, 100 quilos a menos que o Sealion 7.
Como é possível ver, o Atto 8 tem certas semelhanças com o Sealion 7. Mas, enquanto o SUV-cupê tem pegada esportiva e visual mais jovem e agressivo, o Atto 8 é mais familiar e conservador no visual.
Impressionante no conforto e no desempenho, é uma excelente opção para quem busca um SUV de sete lugares que entrega altíssimo nível de conforto com seus ótimos bancos, muita tecnologia e desempenho forte - e não faz questão do visual mais "surfista" do Sealion 7.
Entre os dois, eu ficaria com o Atto 8. Mas isso porque não faço questão de visual agressivo, modernoso ou esportivo e sou mais conservador. Mas quem curte essa pegada mais jovem pode ir no Sealion 7 sem medo de ser feliz. No fim das contas, há SUVs grandes para todos os gostos.
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