As fortes chuvas que atingiram a cidade de São Paulo e a região metropolitana no último domingo, 25 de janeiro, voltaram a expor um problema recorrente do verão: alagamentos em diferentes regiões da cidade, independentemente do bairro.
A chamada “chuva de verão”, marcada por pancadas intensas em curto período de tempo, deixou vias intransitáveis e reacendeu uma dúvida cada vez mais comum com a expansão da frota eletrificada no Brasil: carro elétrico é seguro em situações de enchente?
Para responder às principais questões, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) reúne esclarecimentos técnicos que ajudam a separar mitos de fatos — e mostram que, em muitos casos, os cuidados são exatamente os mesmos que devem ser adotados com veículos a combustão.
Esse debate ganha ainda mais relevância quando se observa o avanço consistente da eletrificação no país. Em 2025, 285.552 veículos eletrificados foram comercializados no Brasil, segundo dados do setor.
Desse total, 37% foram modelos PHEV, ou seja, híbridos plug-in que permitem recarga externa, enquanto 28% foram veículos 100% elétricos.
O restante das vendas foi composto por híbridos plenos e híbridos leves, que não dependem de alimentação externa para funcionamento.
A resposta curta é: não — assim como qualquer outro tipo de veículo. Segundo a ABVE, nenhum automóvel de uso civil, seja elétrico ou a combustão, é projetado para enfrentar enchentes. As exceções ficam por conta de veículos militares ou modelos fora de estrada extremamente específicos.
O alerta vale para todos os carros: se o nível da água ultrapassar a altura do cubo da roda, já não é seguro atravessar. Nesse ponto, componentes importantes do sistema de freios podem ser comprometidos, além do risco de danos mecânicos e estruturais. Ou seja, o cuidado deve ser o mesmo, independentemente do tipo de motorização.
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Esse é um dos mitos mais comuns — e também um dos que mais geram medo. De acordo com a ABVE, carros elétricos não dão choque em situações normais de alagamento.
Para que isso ocorra, seria necessário um cenário extremamente específico e improvável: ignorar alertas de segurança e tocar diretamente em cabos de alta voltagem (identificados pela cor laranja) com o isolamento danificado, localizados no cofre do motor ou no pacote de baterias sob o veículo. A própria associação compara essa possibilidade a algo menos provável do que ganhar na Mega-Sena.
A ABVE faz ainda uma analogia direta com eletrodomésticos: micro-ondas, geladeiras e outros aparelhos elétricos também podem causar choque se manuseados de forma inadequada, mas isso não significa que sejam inseguros. Questionar a segurança dos carros elétricos, nesse sentido, seria o mesmo que questionar a segurança de andar de elevador ou viajar de avião.
Sim, é totalmente seguro carregar um carro elétrico mesmo em dias de chuva. Os veículos e os sistemas de recarga são projetados para resistir a intempéries e dispõem de certificações de proteção, como IP67 ou IP68, que garantem resistência à água e à poeira.
Embora eletricidade e água não combinem, a prática já faz parte do dia a dia do brasileiro há décadas. O exemplo mais comum é o chuveiro elétrico, amplamente utilizado no país sem causar pânico ou desconfiança. Da mesma forma, os carros elétricos passam por rigorosos testes de vedação e segurança antes de chegar ao mercado.
Porém, embora seja comprovada a segurança dos eletrificados, em um cenário como o atual, de chuvas intensas e alagamentos frequentes, o comportamento do motorista é mais determinante do que o tipo de motorização do veículo. Evitar áreas alagadas, respeitar limites de segurança e não subestimar o nível da água continuam sendo as principais recomendações — para elétricos, híbridos ou modelos a combustão.