Se você, assim como eu, precisa de um carro com bom espaço interno, mais performance e um mínimo de conforto, talvez o mercado de zero-quilômetro não seja para você — principalmente se o orçamento estiver limitado.
Hoje, os modelos novos partem de cerca de R$ 80 mil, como é o caso do Citroën C3 - R$ 77.290. Logo atrás vêm nomes como Renault Kwid e Fiat Mobi, que custam R$ 78.690 e R$ 82.560. Mas nessa faixa o que se leva para casa costuma ser o básico do básico: motor 1.0 aspirado, acabamento simples, poucos equipamentos e espaço interno limitado.
É aí que entra a pergunta: carro usado vale a pena?
A seguir, uso o meu como exemplo porque ele é exatamente esse contraponto — mas essa lógica vale para vários modelos do mercado.
No zero-quilômetro de entrada, você provavelmente vai levar um 1.0 aspirado com pouco mais de 70 cv. Ele cumpre a função urbana, mas não entrega fôlego em estrada ou retomadas.
Já no mercado de usados, com algo na casa dos R$ 30 mil, é possível encontrar modelos com um desempenho superior, e nesse caso, independe da categoria.
No minha garagem, por exemplo, tem um Chevrolet Vectra 2007 movido por um motor 2.0 aspirado de até 127 cv de potência. A velocidade máxima é de 197 km/h.
Se performance é prioridade e o orçamento é limitado, o usado costuma ser mais interessante.
Aqui está um ponto que pouca gente fala. Muitos carros mais antigos têm acabamento mais caprichado do que vários compactos atuais. Soft-touch no painel, melhor isolamento acústico, portas mais pesadas, sensação de robustez.
Hoje, para reduzir custo, o zero-quilômetro básico entrega muito plástico rígido e isolamento simplificado.
Se você valoriza sensação de qualidade, o usado pode surpreender. Na Webmotors, é possível encontrar unidades do Toyota Corolla 2006 com bancos em couro por R$ 38 mil.
Veja também:
Se você precisa de espaço de verdade, a diferença fica ainda mais evidente.
Enquanto muitos modelos novos de entrada são compactos com entre-eixos curto e porta-malas limitado, um sedã médio usado oferece uma distância entre os eixos maior, proporcionando mais conforto para quem vai atrás e porta-malas amplo.
Ainda usando o Vectra como exemplo, o entre-eixos é de 2,70 metros, e sinceramente, as vezes ainda parece pequeno para quem precisa colocar dois bebês conforto na segunda fileira de bancos e ainda encontrar um jeito de um adulto sentar entre eles, como é o meu caso. O porta-malas é um verdadeiro show à parte, excelentes 526 litros para eu carregar tudo e mais um pouco.
E não é só no sedã. SUVs usados de categorias superiores também podem entregar muito mais espaço do que um SUV compacto zero de entrada, e obviamente muito mais que um carro de entrada na faixa dos R$ 80 mil.
Aqui podemos citar o Hyundai Tucson 2010, que também é encontrado na Webmotors por cerca de R$ 38 mil e garante 528 litros de capacidade volumétrica.
Quer um exemplo prático? Ar-condicionado digital e saída para a segunda fileira de bancos. Itens que muitas vezes não existem no zero básico de hoje — ou só aparecem nas versões intermediárias e mais caras. No carro usado, isso pode estar ali, incluso, dentro do seu orçamento.
Vamos concordar que certos detalhes fazem toda a diferença no dia a dia, certo? Em alguns carros usados na faixa dos R$ 30 mil existem mimos que hoje em dia é difícil de encontrar até nos carros novos mais completos, como abertura e acesso ao porta-malas pela segunda fileira, encosto bipartido, e até mesmo saída do ar-condicionado no porta-luvas. Algo simples, mas que é capaz de manter o compartimento refrigerado e a sua bebida fresca.
A lista também pode ficar ainda mais completa com os ajustes elétricos dos retrovisores externos, e itens de segurança como o alerta sonoro de velocidade e o aviso de troca de marchas.
Aproveite:
Não se trata de dizer que carro zero não vale a pena. Mas se o seu orçamento está limitado e você precisa de mais motor, mais espaço e mais conforto, talvez o mercado de usados entregue exatamente o que você procura.
No final, acaba sendo uma conta simples de categoria: um usado médio pode oferecer mais do que um compacto zero básico.
No entanto, não podemos deixar de lado as vantagens que só o carro novo tem, como garantia de fábrica, tecnologia mais recente e menor risco inicial.