Por muito tempo, a existência do Chevrolet Sonic pareceu difícil de justificar. Afinal, qual o sentido de lançar um carro por valores entre R$ 130 mil e R$ 136 mil, sendo que dentro da própria marca existe um Onix aventureiro de R$ 116.190 e um Tracker de entrada que custa menos de R$ 120 mil? Em teoria, esse "espaço" não existia. Só que na prática, após alguns quilômetros ao volante do Sonic, deu para entender por que a GM insistiu no projeto.
O Chevrolet Sonic é daqueles carros que fazem mais sentido quando guiados do que quando analisados por ficha técnica. E talvez esse seja justamente o maior mérito da Chevrolet. Pense com a gente: o modelo foi claramente pensado para atender ao cliente de varejo, aquele que quer um carro com jeitão de SUV, posição de guiar mais altinha, bom espaço interno e comportamento equilibrado para o dia a dia, sem complicações.
Apesar de compartilhar plataforma, mecânica e boa parte dos componentes com o Onix - e alguns detalhes até com Montana e Tracker -, o Sonic consegue ter personalidade própria.
Acredite, está longe de ser só um "Onix bombado", mas também não é um Tracker reduzido. Na verdade, o novo utilitário se posiciona exatamente no meio do caminho entre os dois, embora um pouco mais perto do hatch do que do SUV, principalmente na parte da cabine.
Ao volante, o conjunto agrada. O conhecido motor 1.0 turboflex tem 18,9 kgfm de torque, número suficiente para o uso urbano e para viagens ocasionais.
Mas uma coisa fica clara: não é um carro que pretende impressionar pelo desempenho, ainda que tenha uma versão RS com adereços mais esportivos. Mesmo assim, cumpre aquilo que pequenas famílias, casais e boa parte dos consumidores brasileiros procura: respostas espertas na cidade, ultrapassagens bem seguras por conta do conjunto turbinado e, ainda assim, consumo equilibrado.
Os dados oficiais indicam nota "A" em eficiência energética, pelo Inmetro. Com gasolina, consegue fazer médias de 12,1 km/l na cidade e 14,8 km/l na estrada. Com etanol, 8,4 km/l e 10,4 km/l, respectivamente. Em nossas mãos, em teste feito nesta semana pela região entre Belo Horizonte e Brumadinho, em Minas Gerais, registrou 13,5 km/l no painel. Com gasolina no tanque.
Outro ponto positivo é a calibração do conjunto mecânico. A união entre o motor e o câmbio automático de seis marchas foi muito bem acertada, com trocas suaves e comportamento previsível.
O volante também merece destaque: tem respostas diretas (ainda melhores que as do Onix), passa confiança e ajuda a tornar a tocada mais agradável. Mesmo com o parentesco com os irmãos hatchback e SUV, o Sonic é diferente.
A suspensão talvez seja uma das maiores evoluções em relação ao Onix. A Chevrolet trabalhou para deixar o conjunto mais preparado para os desafios das ruas brasileiras, e absorve melhor as irregularidades, as valetas e as lombadas.
O resultado é um carro mais confortável para o dia a dia e menos suscetível aos impactos do nosso asfalto. A própria Chevrolet nos destacou que o Sonic recebeu calibração exclusiva para suspensão e direção.
Nem tudo, porém, passa a sensação de novidade. Ao entrar na cabine, fica evidente a origem do projeto. O painel lembra o do Onix, especialmente pelo desenho geral e pela disposição dos elementos.
Mas isso não chega a ser um problema, já que o conjunto continua funcional e moderno. Só que uma coisa é fato: para os mais exigentes, isso não ajuda o Sonic a se distanciar totalmente do hatch.
Por outro lado, o aproveitamento interno agrada bastante. O porta-malas com capacidade para 392 litros acomoda muito bem as necessidades de uma família pequena, enquanto o banco traseiro tem espaço suficiente para dois adultos viajarem sem sofrimento. Nesse aspecto, o Sonic surpreende positivamente.
Comparando com os rivais diretos, o Sonic entrega bom nível de conforto e praticamente a mesma sensação de espaço interno que um Volkswagen Nivus - ainda que seu preço seja próximo ao de um Volkswagen Tera.
Talvez a grande sacada da Chevrolet tenha sido entender que existe um público que não quer mais um hatch aventureiro como o Onix Activ, mas também não vê necessidade de partir para um Tracker. É justamente nesse espaço que surgiu o Chevrolet Sonic.
Após o teste, ficou a impressão de que a GM acertou a mão em um dos projetos em que a marca menos podia errar. O carro tem visual bacana, é bom de guiar, tem ótimo pacote de segurança e conectividade, espaço interno adequado e ainda tem um conjunto mecânico conhecido, de manutenção relativamente barata.
Se a Chevrolet conseguir manter a política de preços competitiva por mais tempo e evitar reajustes agressivos de valor nos próximos meses, a tendência é clara: o Chevrolet Sonic tem tudo para ser um dos lançamentos mais bem-sucedidos da marca nos últimos anos no Brasil.
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