Como a Fiat voltou a dominar o mercado após 5 anos

Marca fechou primeiro semestre na primeira colocação, com 22,2% de participação, mesmo sem (ainda) ter um SUV compacto

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André Deliberato
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A Fiat deve recuperar o posto de marca automotiva que mais vende carro no Brasil no final deste ano, depois de perder o título nas últimas cinco temporadas. E o mais incrível é que isso acontece mesmo sem considerar as vendas de todo o conglomerado Stellantis (que engloba também os veículos das marcas Jeep, Peugeot e Citroën) e o fato de que a marca ainda não tem um SUV compacto em seu line-up.

Só em 2021 já são mais de 220 mil veículos zero km emplacados, segundo dados da Fenabrave. De acordo com a Fiat, este foi o melhor primeiro semestre da marca desde 2013. Mas como isso é possível? A resposta está listada abaixo, em alguns pontos que foram cruciais e determinantes para essa transformação.

A Fiat tem chips!

A crise de falta de chips semicondutores, que afeta a GM e diversas outras marcas, parece não ter abalado o esquema de produção da principal marca do Grupo Stellantis no Brasil - e esse é o principal fator que alavancou a empresa nos últimos meses.

Fabricafiatbetim
Maior fábrica da FCA fica em Betim (MG): crise dos semicondutores parece não afetar a empresa
Crédito: Divulgação
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Como prova temos a lista de carros mais vendidos de junho: foram cinco modelos da Fiat entre os dez primeiros colocados - Strada e Argo conquistaram a dobradinha no topo, e sete modelos do Grupo Stellantis estiveram no top 10 (Jeep Renegade e Compass ficaram com a quinta e sétima colocações, respectivamente).

Vendas para frotistas seguem em alta

Outra coisa que influencia esses números é o ótimo relacionamento que a Fiat tem com locadoras de veículos, os principais compradores quando o assunto é vendas para frotistas. Segundo especialistas nestes números, a marca teve 31% de participação nesse segmento de janeiro a junho, se considerarmos carros de passeio e comerciais leves (onde se enquadram Strada e Toro).

O número é quase o dobro que o da Volks, segunda colocada, que teve 18,5%. E se levarmos em conta somente os números de comerciais leves (picapes, vans e furgões), o número é ainda mais brutal: 57,4% para a Fiat contra 11,5% da marca alemã.

Você acha que esses números não importam? Então saca só: de todas as Strada que são vendidas mensalmente - lembramos aqui que falamos do possível carro mais vendido do Brasil em 2021 -, cerca de 78% dos emplacamentos vão para este segmento.

Fiat Mobi Trekking 2021 (1)
Fiat tem feito sucesso até com modelos que não vendiam tanto, como Mobi (foto), Argo e Cronos
Crédito: Divulgação
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Sucesso da Strada

Além de ter se organizado melhor previamente com o lance dos chips semicondutores e de todo mês arrebentar, positivamente, com as vendas para frotistas, outro fator que influencia diretamente no sucesso atual da Fiat é o fervor causado pela nova Strada, que trocou de geração no ano passado e explodiu nas vendas desde então.

Sozinha, ela é responsável por quase 30% dos cerca de 220 mil veículos da marca vendidos este ano - são pouco mais de 60 mil exemplares comercializados no primeiro semestre, o que representa a primeira colocação geral de todo o mercado nacional. Ao lado da Toro, a Fiat tem mais de 54% de participação na categoria de picapes.

E aqui vale apontar que a Strada ainda não tem versões com motor turbo e câmbio automático, que devem surgir até o final deste ano ou começo de 2022 e inflar ainda mais as vendas do modelo. "As versões de cabine dupla e quatro portas viraram alternativa a muitos clientes que não colocavam uma picape no seu radar", afirma Herlander Zola, diretor da marca Fiat na América Latina.

E você, caro leitor? Acha que a Fiat consegue amassar ainda mais as montadoras adversárias até o final deste ano ou crê que as rivais diminuirão a diferença nos próximos seis meses?

Fiat Toro (foto) e Strada, juntas, têm mais de 54% de participação na categoria de picapes no Brasil
Crédito: Ricardo Rollo/WM1
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