O Ministério de Minas e Energia (MME) iniciou estudos para avaliar um novo aumento na mistura de etanol na gasolina vendida no país. A proposta analisa a viabilidade de elevar o percentual dos atuais 30% (E30) para até 35% (E35).
A mudança, porém, ainda não está confirmada e depende de testes técnicos que serão realizados ao longo dos próximos anos.

A iniciativa faz parte da implementação da Lei do Combustível do Futuro e prevê investimentos de R$ 30 milhões em pesquisas.
O objetivo é entender se o aumento da mistura pode ocorrer sem prejuízos para desempenho dos veículos, consumo de combustível, durabilidade de motores e emissões de poluentes.
Os testes incluirão análises laboratoriais e avaliações em veículos reais, com participação de montadoras, universidades e centros de pesquisa.
Essa não seria a primeira alteração recente na composição da gasolina. Em junho de 2025, o Conselho Nacional de Política Energética aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro de 27% para 30%. A mudança entrou em vigor em agosto daquele ano, marcando a transição do chamado E27 para o atual E30.
Na prática, isso significa que, hoje, quase um terço da gasolina vendida nos postos brasileiros já é composto por etanol.
Saiba mais:
A sigla usada no combustível indica o percentual de etanol anidro misturado à gasolina.
Vale lembrar que o etanol anidro, diferentemente do hidratado vendido nas bombas, passa por um processo de remoção de água e é usado exclusivamente na mistura com a gasolina.
A presença de etanol na gasolina não é novidade no Brasil e já passou por diversas mudanças.
Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o percentual já foi de cerca de 20% nos anos 1970 e chegou a cair para níveis próximos de 11%. Depois, ficou estável em 27% desde 2015 e aí subiu para 30% em 2025.
Agora, com a nova lei, o país abre caminho para chegar aos 35%, caso os estudos comprovem viabilidade.
Quando o E30 foi aprovado, o governo indicava potencial de redução no preço da gasolina, com estimativas de queda entre R$ 0,11 e R$ 0,20 por litro no médio prazo.
Isso ocorreria principalmente pela menor necessidade de importação de gasolina pura, já que o etanol é produzido internamente. No entanto, as reduções nos preços não aconteceram.
Agora, o eventual aumento para E35 ainda não tem projeções consolidadas de impacto no preço ou no consumo, pontos que serão justamente analisados pelos novos estudos.
O avanço do etanol na mistura da gasolina também está ligado à estratégia de descarbonização da matriz de transportes. Por ser um combustível renovável, o etanol tende a emitir menos gases de efeito estufa do que a gasolina pura, o que ajuda o Brasil a cumprir metas ambientais internacionais.
Apesar da previsão legal permitir a mistura de até 35%, o próprio governo reforça que qualquer mudança só deverá acontecer após validação técnica.
Os estudos vão analisar, entre outros pontos compatibilidade com a frota atual, possíveis impactos em carros mais antigos, eficiência energética e emissões de poluentes.