Carlos Ghosn pode pegar até 10 anos de prisão

Executivo brasileiro CEO do Grupo Renault-Nissan-Mitsubishi é acusado de não declarar a totalidade dos seus rendimentos

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Redação WM1
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O brasileiro Carlos Ghosn, CEO do Grupo Renault-Nissan-Mitsubishi, segue sob custódia da polícia do Japão e pode ser condenado a até 10 anos de prisão, caso seja condenado por fraude fiscal. O executivo foi preso na segunda-feira (19) acusado de omitir ganhos de aproximadamente US$ 44 milhões (aproximadamente R$ 165,4 milhões), em um esquema que funcionava por oito anos e contava com a ajuda do diretor Greg Kelly, que também está detido.

Nesta terça-feira (20), o Conselho Administrativo da Renault se reúne para definir os rumos da empresa e deve desligar Ghosn. Já a Nissan deve confirmar na quinta-feira (22) a demissão do executivo, que era esperada para acontecer ainda na segunda-feira (19). As ações de Renault, Nissan e até mesmo Mitsubishi, a mais recente fabricante da Aliança, já sofreram fortes quedas com o escândalo financeiro.

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Legenda: Carlos Ghosn está preso acusado de sonegação fiscal no Japão
Crédito: Divulgação

A imprensa japonesa comenta inclusive uma possível dissolução do Grupo Renault-Nissan-Mitsubishi, algo que acabou sendo negado pelo presidente da Nissan, Hiroto Saikawa.

Além da acusação de sonegação fiscal, Ghosn é acusado de utilizar ativos do grupo para fins pessoais. Segundo reportagem exibida pela rede de TV japonesa NHK, o executivo teria reformado quatro mansões em diferentes países com dinheiro das empresas – uma delas na cidade do Rio de Janeiro.

Ghosn já era alvo de investigação interna na Nissan. Nota publicada na segunda-feira (19), horas depois de confirmada a prisão do executivo, a fabricante japonesa confirmava as irregularidades praticadas pelo brasileiro, que está há mais de 20 anos no Grupo e é considerado o responsável por salvar a Nissan da falência.

“A investigação mostrou que, durante muitos anos, tanto Ghosn quanto Kelly (direto) relataram valores de compensação no relatório de títulos da Bolsa de Valores de Tóquio que eram menores do que o valor real, com o objetivo de reduzir a quantia divulgada da remuneração de Carlos Ghosn”, diz a nota. “Além disso, em relação a Ghosn, vários outros atos significativos de má conduta foram descobertos, como o uso pessoal dos ativos da empresa, e o profundo envolvimento de Kelly também foi confirmado”, completa.

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Legenda: Carlos Ghosn carregou a Tocha Olímpica no Rio de Janeiro.
Crédito: Divulgação

CARLOS GHOSN

Nascido em 9 de março de 1954 em Porto Velho, Rondônia, Carlos Ghosn é um dos executivos brasileiros de maior sucesso. Filho de pais de origem libanesa, ele se mudou com a família para o Rio de Janeiro aos dois anos e posteriormente para Beirute, capital do Líbano, onde residiu por dez anos e completou os ensinos primeira e secundário. Ghosn também residiu na França, onde se formou na École Polytechnique, em 1974, e quatro anos depois na École de Mines.

Sua carreira profissional teve início na Michelin, onde ficou por 18 anos. Neste período chegou a morar novamente no Rio de Janeiro, quando ocupava o posto de Diretor de Operação para a América Latina. Também foi Diretor Executivo da fabricante francesa de pneus nos Estados Unidos.

Em 1996, Ghosn se torna Vice-Presidente Executivo da Renault. Nos anos seguintes trabalha na recuperação financeira da Nissan, salvando a fabricante de automóveis japonesa da falência e se tornando uma celebridade, ao ponto de se tornar um personagem de histórias em quadrinhos (mangá). E com um trabalho conhecido por cortar gastos, rapidamente transformou a Aliança Renault-Nissan em um dos maiores do mundo ao lado da Volkswagen e da Toyota. Recentemente, em outubro de 2016, incorporou a Mitsubishi ao Grupo.

 Carlos Ghosn está no Grupo Renault-Nissan-Mitsubishi desde 1996
Legenda: Carlos Ghosn está no Grupo Renault-Nissan-Mitsubishi desde 1996
Crédito: Divulgação
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