As montadoras chinesas deixaram de tratar o Brasil como mercado de teste e passaram a enxergar o País como base estratégica de produção. Depois de anos dominado por fabricantes tradicionais, o parque industrial brasileiro começa a ganhar um novo capítulo, agora puxado por novas marcas, como BYD e GWM.

Essa última que já inaugurou sua primeira fábrica brasileira em Iracemápolis (SP), agora terá uma segunda unidade, desta vez em Aracruz, no Espírito Santo. E o tamanho do projeto mostra que a ambição é grande. Os informações foram divulgadas pelo Governo do estado capixaba.
Logo de cara, o impacto chama atenção: a futura planta capixaba terá 1,7 milhão de metros quadrados de área útil. Para efeito de comparação, a unidade de Iracemápolis ocupa 1,2 milhão de m². Ou seja, a nova fábrica será significativamente maior em extensão territorial.
Mas o salto mais expressivo está na capacidade produtiva. Enquanto Iracemápolis tem capacidade inicial para produzir 50 mil veículos por ano, a fábrica do Espírito Santo poderá chegar a até 200 mil unidades anuais quando atingir plena operação, ou seja, quatro vezes mais.
Durante a solenidade, representaram a empresa o diretor de Assuntos Institucionais, Ricardo Bastos, o CFO (Chief Financial Officer), Way Chien, o head de Comunicação, Zeca Chaves, e o gerente de ESG & Projetos Estratégicos, Thiago Sugahara. Também esteve presente o governador do Estado, Renato Casagrande, o vice-governador Ricardo Ferraço, o secretário de Estado de Desenvolvimento, Rogério Salume e o prefeito de Aracruz, Luiz Carlos Coutinho.
Confira:
O empreendimento, será instalado no Parque Industrial de Aracruz, na região de Barra do Riacho. O projeto prevê processo produtivo completo, incluindo estamparia, soldagem, pintura e montagem final, o mesmo modelo industrial já adotado em Iracemápolis, mas em escala maior.
Vale lembrar que quando chegou no Brasil, a marca anunciou um plano de investimentos de R$ 10 bilhões em dez anos. E parte relevante desse montante será direcionada ao Espírito Santo.
Durante a fase de implantação, a expectativa é gerar entre 1.500 e 3.500 empregos, principalmente na construção civil. Quando estiver em operação plena, o número pode alcançar até 10 mil empregos, somando postos diretos e indiretos.
O projeto ainda está em fase inicial. As próximas etapas incluem levantamentos topográficos, sondagens, licenciamento ambiental e preparação do terreno.
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Antes de avançar para o Espírito Santo, a GWM já deu seu primeiro passo industrial no Brasil com a inauguração da fábrica de Iracemápolis, no interior de São Paulo.
A unidade paulista, inaugurada em agosto, foi a primeira da marca nas Américas e no Hemisfério Sul. Hoje, conta com 94 mil m² de área construída dentro de um terreno de 1,2 milhão de m² e capacidade produtiva de 50 mil veículos por ano.
Atualmente, cerca de 600 trabalhadores atuam na planta, com previsão de chegar a 1 mil empregos diretos até o fim do ano e ultrapassar dois mil postos no futuro, especialmente com o início das exportações para a América Latina.
A fábrica produz três modelos, os SUVs Haval H6 e Haval H9, e a picape Poer P30.
Saiba mais:
O movimento da GWM mostra uma estratégia clara: transformar o Brasil em base industrial para a América Latina. Não se trata apenas de montar veículos, mas de estruturar cadeia de fornecedores, ampliar conteúdo local e desenvolver tecnologia no País.
Se Iracemápolis representou a entrada industrial da marca, Aracruz sinaliza expansão e consolidação. A diferença de capacidade produtiva — de 50 mil para até 200 mil veículos por ano — evidencia que a empresa não está pensando pequeno.