O modelo que inaugurou o segmento de picapes monobloco foi a Renault Oroch. Lançada em outubro de 2015, estreou quatro meses antes da concorrente Toro. Mas quase ninguém se lembra disso, e uma das razões para isso é o domínio do modelo da Fiat nesse segmento. E é nesse verdadeiro vespeiro que a Renault pretende apostar mais uma vez com a Niagara, enquanto a Volkswagen prepara a Tukan.
No acumulado de 2026, o segmento de picapes monobloco somou exatos 35.811 emplacamentos. Desse total, 17.295 unidades foram da Fiat Toro. Uma fatia de 48,3% do bolo, que ainda tem os modelos Ram Rampage (22,8% dos licenciamentos), Chevrolet Montana (14,6%), Renault Oroch (10,5%) e Ford Maverick (3,8%).

Tecnicamente falando, uma picape monobloco é aquela com estrutura típica dos carros de passeio, no qual as chapas do assoalho, laterais e teto da cabine são unidas em uma "caixa" que dispensa outros elementos metálicos estruturais.
Processo diferente dos veículos com chassi, no qual a carroceria é montada sobre longarinas metálicas. Projeto muito usado em veículos de carga, como as picapes médias.
Já do ponto de visto do mercado, o termo "picape monobloco" é usado para designar as caminhonetes com estrutura monobloco e porte intermediário entre as compactas - como a Fiat Strada e a Volkswagen Saveiro - e as médias, como a Chevrolet S10 e a Ford Ranger.
A Renault Oroch pode até ter sido pioneira. Mas, no final das contas, era praticamente um Duster de primeira geração alongado e com caçamba. Uma picape que era mais SUV que picape.
E o SUV compacto da marca francesa até podia ser reconhecido pela sua robustez. Mas estava longe de atender a quem buscava um produto mais refinado.
Já a Fiat Toro, era um produto totalmente novo e que trazia mais características das picapes médias que a Oroch. E que atendia - e ainda atende - a uma ampla faixa de mercado, que vai das picapes compactas topo de linha até as caminhonetes tradicionais em suas variações de entrada.
E apesar de ainda conservar a estrutura monobloco como a dos carros de passeio, o fato de ter a opção de motorização diesel e a tração 4x4 - ambos elementos que nunca foram oferecidos na picape da Renault vendida no Brasil - também foram bons argumentos de venda. Principalmente nos primeiros anos de produção.
Foi uma fórmula tão bem bolada pela então FCA - hoje Stellantis - que, quando replicada na criação da Ram Rampage, explica como esses dois modelos, juntos, impressionantes 71,1% do segmento de picapes monobloco.
Com a terceira geração da Montana, em 2023, a Chevrolet até tentou investir na fórmula de uma picape que é mais SUV e menos caminhonete. Mas os números do modelo da marca da gravata no mercado mostram que a maior fatia do público quer exatamente o contrário.
Por isso mesmo, para enfrentar um concorrente tão consolidado no segmento, tanto a Renault quanto a Volkswagen vão se juntar à Stellantis. Bom, quase isso, já que ambas vão replicar a fórmula da Toro.
No caso da Niagara - que chega em setembro ao mercado -, a Renault resolveu corrigir a rota investindo em um produto maior, com visual mais robusto, e mais sofisticado que a atual Oroch. A nova caminhonete será praticamente um Boreal com caçamba, aproveitando o conjunto mecânico e a plataforma RGMP do novo SUV médio da empresa.
Se conseguir fechar tão bem a tríade equipamentos, acabamento e preço quanto o Boreal, a caminhonete da Renault terá fortes argumentos para conquistar o público desse segmento.
Justamente pelo peso da marca no Brasil, eu apostaria que a Volkswagen Tukan tem ainda mais chances que a Niagara para ameaçar a liderança da Toro.
Tanto que para compensar a demora em investir no segmento das picapes monobloco, a Tukan vai estrear combinando robustez e tecnologia, baseada em uma plataforma MQB modificada para aguentar o tranco e com a expectativa de ser o modelo de lançamento do novo conjunto motriz híbrido leve da Volkswagen aqui no mercado brasileiro.
Será que finalmente a Toro terá concorrentes fortes o suficiente para ameaçar o seu reinado?
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