Nível 0 a 5: entenda os carros autônomos

Conheça os níveis de automação e saiba o que já está disponível no Brasil para o consumidor

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Karina Simões
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Na mesma semana em que um Uber autônomo se envolveu em um acidente fatal no Arizona, eu estava testando para o WM1 um Mercedes-Benz AMG E63 S equipado com assistentes de condução semiautônoma. O monstro de 612 cv e 86,7 kgf.m de torque me seduziu pelo conjunto mecânico, obviamente, mas também porque com ele eu percorri sem interrupção mais de 25 quilômetros entre as marginais Pinheiros e Tietê, uma das principais vias da cidade de São Paulo, sem precisar encostar no freio, no acelerador e até mesmo no volante.

Este é um dos veículos vendido no Brasil que já conta com tecnologias semiautônomas. Eu estava 100% do tempo atenta para assumir a direção, mas não passei nenhum susto, já que mantive as faixas da direita e baixa velocidade por conta do trânsito massante – nas faixas da esquerda os sensores ficaram malucos e o sistema desabilitou por conta dos motociclistas que andam no corredor.

Funciona basicamente assim: sensores e câmeras instalados no carro leem as faixas de rolamento da via e mantêm o carro dentro da trajetória, enquanto o controle cruzeiro adaptativo regula a frenagem e aceleração do veículo, mantendo uma distância segura do carro à frente. Foi uma experiência muito interessante, sobretudo na questão da comodidade, mas eu estava cometendo uma infração média, já que nossa legislação não prevê este tipo de veículo.

Motoristas não podem, segundo o Código Brasileiro de Trânsito, tirar uma mão do volante enquanto estão conduzindo um veículo, imagine as duas! Meu ‘teste’ em vias públicas poderia me render uma multa de R$ 130,16 e 4 pontos na CNH. Carros com nível 2 de automação são realidade nas nossas ruas e não podemos fechar os olhos para eles, mas a tecnologia está muito mais avançada neste campo.

 Processo para colocar um veículo autônomo nas ruas
Legenda: Processo para colocar um veículo autônomo nas ruas

Conheça os estágios da revolução “sem motorista”

De acordo com a NVIDIA, ciadora da GPU – o supercomputador dos carros autônomos - o segredo para dar o grande salto e sair da fase dos protótipos cheios de racks de servidores para roaming nas rodovias é colocar mais capacidade computacional em menos espaço.

No congresso anual da empresa que acontece na Califórnioa, o GTC, a NVIDIA apresentou em 2017 o Xavier, um ‘system-on-a-chip’, ou SoC, com mais de 9 bilhões de transistores. Para vocês verem como as coisas avançam rápido neste campo, na semana passada durante o GTC 2018 eles mostraram o Drive Orin, seu próximo processador que vai equipar os carros autônomos. A tecnologia virá para suceder o Xavier e o chip Drive Pegasus, apresentado no ano passado e que chegará ao mercado até o final deste ano.

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Legenda: Nvidia Constellation
Crédito: Karina Simões

A Society of Automotive Engineers (SAE International) detalhou os níveis de recursos autônomos, é uma maneira de facilitar o entendimento e classificar os veículos nos níveis de tecnologia existentes. Entenda:

O nível 0 classifica um veículo com zero automação. Isso abrange uma ampla gama, desde os primórdios dos veículos com motor, direção e câmbio até carros ano 2018 com sistemas de assistência ao motorista que emitem alertas visuais e sonoros, tais como os já conhecidos alertas de mudança de faixa ou detecção de objetos em movimento. Nesta categoria, bipes e flashes são o limite — o carro ainda permanece totalmente dependente de humanos para a condução.

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Legenda: O Nissan Kicks conta com sistema de detecção de pedestres
Crédito: Divulgação

Neste nível, os veículos estão equipados com câmeras e sensores que oferecem funcionalidades como o alerta de colisão e o assistente de frenagem, que reduzem a velocidade do veículo até a frenagem total automática quando o veículo detecta que vai colidir com o carro à frente. Outra tecnologia que se enquadra no nível 1 é o controle de cruzeiro adaptativo, que regula a velocidade e mantém a distância do veículo à frente, pré estabelecida pelo condutor. No Brasil há diversos modelos que oferecem esta tecnologia em suas versões mais caras, entre eles estão o Nissan Kicks, Ford Focus, Volkswagen Golf, Volvo V40 e Jeep Compass.

 As câmeras, sensores e lidars são responsáveis por coletar os dados que serão processados posteriormente
Legenda: As câmeras, sensores e lidars são responsáveis por coletar os dados que serão processados posteriormente

A maioria dos sistemas avançados de assistência ao motorista se enquadram no nível 2, tais como o Autopilot da Tesla, o Super Cruise do Cadillac e o Pilot Assist da Volvo. Enquanto os veículos de nível 1 controlam a velocidade e mantêm a distância dos veículos à frente, os de nível 2 incluiem recursos como centralização de faixa, ou seja, ele faz curvas leves sem que o motorista precise controlar a direção. O modo autônomo é limitado a certas condições, as faixas precisam estar bem demarcadas e os motoristas precisam estar atentos para assumir à direção a qualquer momento.  Esta tecnologia está disponível em diversos modelos premium à venda no país.

 Autopilot é o modo de condução semiautônomo da Tesla
Legenda: Autopilot é o modo de condução semiautônomo da Tesla
Crédito: Divulgação

Segundo a NVIDIA,  embora os carros com autonomia de nível 2 estejam nas ruas atualmente, ainda há espaço para avanços. A próxima etapa é mesclar entradas de sensores colocados dentro e fora do carro para o veículo reagir ao motorista — e ao ambiente em torno dele — de modo mais inteligente. Mesmo se o carro não estiver se autoconduzindo, ele pode tomar decisões para manter o motorista e os passageiros em segurança. A NVIDIA chama isso de Super nível 2, tecnologia que exige uma grande quantidade de capacidade computacional.

Os veículos de nível 3 podem acelerar, desacelerar, manobrar e ultrapassar outros carros sem intervenção humana. Eles são capazes de tomar decisões e permitem que o motorista tire as mãos do volante e os pés dos pedais também em situações específicas.

A Audi anunciou que o Audi A8 será o primeiro veículo de nível 3 comercialmente disponível. Previsto para chegar às ruas em 2018, o carro pode se autoconduzir a velocidades de 60 km/h, lidar com situações adversas e dá aos motoristas 10 segundos para que eles retomem o controle.

 Audi A8 será o primeiro autônomo de nível 3 no mercado.
Legenda: Audi A8 será o primeiro autônomo de nível 3 no mercado.
Crédito: Divulgação

De acordo com as diretrizes da SAE, um carro de nível 4 deve ser capaz de se autoconduzir com segurança, “mesmo se um humano não responder adequadamente a uma solicitação para intervir”. Um veículo nesta categoria  pode reduzir, encostar ou estacionar sozinho em um local seguro. É uma tarefa que usará volumes enormes de capacidade computacional.

Hoje, os carros de teste autônomos geralmente têm um porta-malas cheio de computadores, o que a NVIDIA pretende mudar com o Drive Xavier, cujo desempenho é de 30 trilhões de operações por segundo em um pacote compacto.

Os primeiros carros de nível 4 devem chegar ao mercado em 2021. Como vimos na última edição da CES, esses carros não serão apenas unidades de transporte, mas também serão pequenos escritórios, restaurantes ou lojas sobre rodas, para suprir as necessidades das cidades conectadas.

Os veículos com automação nível 5 podem substituir o motorista humano, graças à Inteligência Artificial e ao Deep Lerning. Você apenas deve dizer ao carro aonde quer ir e ele te leva. Estes tipos de veículos podem tornar-se módulos de transporte automatizados conduzidos em qualquer situação, no asfalto ou na terra. Ainda deve demorar alguns anos até que a tecnologia esteja disponível, especialmente depois de tanta polêmica em torno dos acidentes envolvendo modelos em modo de condução semiautônoma nas últimas semanas. Por conta disso, a NVIDIA suspendeu temporariamente os testes com veículos autônomos nas ruas e lançou um sistema de testes em ambiente virtual, chamado Constellation.

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