No absolutismo, o monarca era o chefe supremo e inquestionável escolhido por Deus. No segmento das minivans, a Chevrolet Spin é uma espécie de rei absoluto, sem rivais diretos. Porém, a GM sabe que esse reinado não é obra divina e por isso chegou a hora de modernizar o monovolume para não deixar algum SUV da vida lhe roubar o trono.
A Spin 2019 tenta aperfeiçoar sua proposta única de minivan com espaço bem aproveitado, imagem de robustez e preço competitivo, agora a partir de R$ 63.990 na nova versão de entrada LS. Esse movimento começa pela roupa, que ganhou traços de outros membros da família e que visam melhorias aerodinâmicas. Opção topo de linha Activ7 chega por R$ 83.490.

Os faróis afilados, a nova grade e o capô inclinado remetem ao Onix e Cobalt recentemente remodelados. Na traseira, as lanternas bipartidas também foram espichadas. O vidro agora tem contornos arredondados e a minivan ganhou um controverso spoiler no alto da tampa.
Muito do reinado da Spin deve-se aos seus fiéis súditos - segundo a fabricante, trata-se do modelo com maior índice de fidelidade dentro da marca. Afinal, que taxista ou motorista de aplicativo conseguirá um carro tão espaçoso para acomodar passageiros e kit de GNV? Que frotista também arruma veículo tão versátil a custo baixo?
Para ressaltar tais virtudes, o encosto dos bancos dianteiros foi redesenhado para dar mais 2,6 cm de espaço para pernas e joelhos de quem vai atrás. Esse vão pode ser ainda melhorado, já que o banco traseiro passa a ser deslizante com deslocamento de até 11 cm. De quebra, ainda aumenta a excelente capacidade do porta-malas de 710 para 756 litros (até o vidro) com esse assento todo para a frente.
Na cabine, o quadro de instrumentos é o mesmo do novo Tracker e o computador de bordo foi repaginado. Comandos de vidros e travas, porta-luvas e saídas de ar foram reposicionados. O acabamento continua simples, mas há novos materiais de revestimento de painéis e bancos.
A LTZ, uma das mais caras (R$ 78.490 manual e R$ 81.990 automática), tem detalhes cromados e costuras aparentes nos bancos e no revestimento do volante. De novidade para toda a linha, encosto de cabeça e cinto de três pontos para todos os passageiros de trás, Isofix, regulagem de altura dos faróis, lanterna de neblina e repetidores de setas nas laterais.
A partir da LT (R$ 68.490 na manual), o sensor de ré e os retrovisores elétricos passam a ser de série, mas não estão na nova configuração de entrada LS. Já a pseudo-aventureira Activ (iniciais R$ 79.990) felizmente se livrou do estepe pendurado na traseira (o pneu sobressalente foi para o assoalho do bagageiro). Isso baixou o centro de gravidade da variante aventureira da linha, que passa a ter opção de sete lugares, chamada Activ7 (R$ 83.490).

Na parte mecânica, a GM fez pequenos ajustes de olho no conforto dos súditos. Segundo a GM a suspensão agora tem calibragem mais macia, enquanto o câmbio automático de seis marchas foi reprogramado e promete menos trancos. A caixa manual, também de seis, não foi alterada.
O motor, porém, continua usando as arcaicas estruturas de poder. E o velho 1.8 de 111 cv, heranças de dinastias anteriores da GM. Pelo menos, com o sistema de grade interna - que se abre para melhorar a refrigeração do motor - e as “mudanças aerodinâmicas”, a Spin melhorou seu consumo. Pelo Inmetro, as médias urbanas são de 10,4 km/l (G) e 7,8 km/l (E) e rodoviárias de 13,2 km/l (G) e 9,0 km/l (E).

Jornalista viajou a Foz do Iguaçú (PR) a convite da Chevrolet