Este ano, três filhos de bilionários alinharão no grid. Competir com tantas cifras é tarefa ingrata para os postulantes a uma vaga na F1. Não à toa, é muito pouco provável que vejamos um piloto brasileiro como titular na categoria em 2022. Espero, claro, estar redondamente enganado.
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Pietro Fittipaldi e Felipe Drugovich talvez sejam os que mais tenham chances de conseguir uma vaga em um dos 20 carros do grid de 2022. Embora ainda não tenha renovado com a Haas, Pietro deve continuar como reserva da equipe em 2021. O piloto pretende conciliar o posto com uma vaga de titular na Indy. Todavia, mesmo com suas boas performances na Fórmula 1 ano passado e com o sobrenome que carrega, ele ainda não conseguiu patrocínios para disputar a competição.
Caso não consiga a vaga na IndyCar, a tendência é que Pietro rume para o Mundial de Endurance ou para a ELMS. Se não têm tanta exposição quanto a categoria norte-americana, pelo menos têm calendários que permitem com que o piloto consiga disputar suas provas e que participe de bom número de fins de semana de grande prêmio na Fórmula 1.
Já o caso de Felipe Drugovich é interessante. O paranaense teve um 2020 surpreendente na Fórmula 2. Pela modesta MP Motorsport, Drugo conquistou três vitórias - duas nas sprint de sábado e uma na corrida longa de domingo. O desempenho o credenciou a uma vaga na UNI-Virtuosi, uma das equipes mais fortes do grid, em 2021.
Com um carro mais competitivo, Drugovich terá a chance de desfilar seus predicados regularmente. Muito bom nas classificações e cada vez melhor na administração dos pneus durante as corridas, ele tem plenas condições de lutar pelo título da Fórmula 2 em 2021. Brigará pelo campeonato com Robert Shwartzman, da Prema, Jüri Vips, da Hitech, e Christian Lundgaard, da ART. No entanto, seu principal adversário será o provável companheiro de equipe: Guanyu Zhou.
A família do chinês é dona da UNI-Virtuosi. Em sua terceira temporada na F2, o rápido Zhou certamente será favorecido pelo time em momentos decisivos. Restará ao brasileiro mostrar, voltemos ao chavão do primeiro parágrafo, na base do talento, que é superior ao companheiro. Até mesmo porque ele não terá a chancela de uma academia de pilotos da Ferrari como Callum Ilott, que correu pelo time em 2020.
Academias não garantem passagem para a F1
Um dos mais talentosos pilotos da Academia da Ferrari, o supracitado Callum Ilott é um claro exemplo de que a vaga na F1 não está garantida nem mesmo para quem faz parte da base de um grande time. O britânico terá de se "contentar" com a reserva na Scuderia em 2021, já que foi preterido por Mick Schumacher e pelos bilhões de dólares do filho de Dmitry Mazepin na Haas.Os brasileiros, claro, vivem situação muito parecida. Sérgio Sette Câmara, ainda chancelado pela Red Bull, fará temporada completa da Fórmula E pela Dragon/Penske. Embora a categoria tenha ganhado prestígio, ainda é vista como alternativa para pilotos que deixam a Fórmula 1 e querem se manter nas disputas de monopostos. Além disso, a equipe do mineiro sequer é das mais fortes do grid.
Campeão da Fórmula 3 Regional Europeia, Gianluca Petecof fez parte da Academia da Ferrari até o ano passado. Ele correrá em 2021 pela Campos Racing na Fórmula 2. O time teve desempenho medíocre na categoria em 2020 com Guilherme Samaia, Jack Aitken e Ralph Boschung.
Escanteado pela Prema, Petecof viu Arthur Leclerc, vice da Regional Europeia, garantir vaga pela forte escuderia na F3. Pesou o dinheiro. E o sobrenome. Arthur é irmão de Charles Leclerc, titular da Ferrari na Fórmula 1.
Já Igor Fraga, que teve um 2020 complicado na Fórmula 3 pela fraca Charouz, não é mais um membro da academia de pilotos da Red Bull. Agora, terá missão difícil para conseguir uma vaga em um time competitivo na categoria. Enzo Fittipaldi por sua vez, é presença quase certa no grid da F3 em 2021, já que é integrante da Academia da Ferrari.
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Caio Collet, vice da F-Renault Eurocup, também busca espaço na Fórmula 3. O paulistano faz parte da academia da Renault e é visto como um piloto de muito potencial. No entanto, os franceses apostam, hoje, todas as suas fichas em Oscar Piastri. Atual campeão da F3, o australiano pode surpreender em sua temporada de estreia na Fórmula 2.
Fora do eixo
O Brasil ainda tem duas promessas que podem chegar à Fórmula 1, mas de maneira pouco menos ortodoxa. Tanto Eduardo Barrichello quanto Kiko Porto iniciaram suas trajetórias na seara de monopostos nos Estados Unidos.Dudu, filho de Rubens Barrichello, foi vice-campeão da USF2000, categoria de entrada da IndyCar Series, no ano passado. No entanto, ele deixa os EUA para se mudar para a Europa em 2021. Barrichello disputará a F3 Regional Europeia pela italiana JD Motorsport.
Já Kiko Porto, contudo, deve seguir no caminho para a Indy. A revelação pernambucana fará mais um ano pela DEForce Racing, equipe a qual já defendeu em 2020. O início da temporada 2021 da USF2000 está previsto para o fim de semana de 15 a 18 de abril, no Barber Motorsports Park, em Birmingham, Alabama.
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