Proálcool completa meio século em novembro

Programa foi criado para reduzir dependência do petróleo externo e deu origem aos carros flex

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Fernando Calmon
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Em 14 de novembro de 1975, o Brasil tomou uma decisão importante ao criar o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), a fim de diminuir sua dependência de petróleo importado. Houve grande abalo na nossa economia em razão do primeiro choque do petróleo, em 1973, quando o barril quadruplicou de preço e o País produzia apenas 20% do que consumia. Em 1979, com o segundo choque, os preços mais que dobraram.

Proálcool completa meio século em novembro
Proálcool completa meio século em novembro
Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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    Como o Próalcool mudou a indústria automotiva brasileira

    A estratégia do Proálcool era aumentar a adição de etanol na gasolina, exportar este derivado excedente e importar petróleo para produzir diesel. Apenas uma parte da frota circulante foi convertida para uso do etanol (álcool etílico) e os fabricantes passaram a oferecer carros que rodavam exclusivamente com o combustível de origem vegetal. O País criou usinas autônomas que só produziam combustível, enquanto outras produziam etanol e açúcar.

    Ocorreu uma crise interna no final dos anos 1980, quando o Governo Federal cortou subsídios, plantou-se menos cana e o etanol escasseou. Chegou-se a importar uma mistura chamada MEG (metanol, etanol e gasolina) para evitar um racionamento. Surgiram filas nos postos para abastecer. A situação se acomodou, mas o etanol só voltou a se firmar a partir de 2003, quando houve o lançamento de carros flex (Volkswagen Gol 1.6). Estes aceitam derivado do petróleo ou combustível vegetal puro ou misturado em qualquer proporção.

    Proálcool completa meio século em novembro
    Chegada dos carros flex foi crucial para a popularização do Próalcool
    Crédito: iStock
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    A importância do etanol voltou a crescer em razão das emissões de CO² (gás carbônico). No processo de fotossíntese, a plantação de cana sequestra até 80% de CO² e devolve oxigênio à atmosfera, o que combate o efeito estufa responsável pelo aquecimento do planeta. 

    Mais recentemente, o milho no Brasil também ganhou importância na produção de etanol, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos, maior produtor mundial deste combustível usado lá para adição à gasolina. Hoje, em média, 33% dos motores flex (estão em 85% da frota circulante de veículos leves) usam etanol hidratado. Na gasolina, há uma mistura de 30% de etanol anidro. Na soma, quase dois terços.

    Importante frisar que milho e cana-de-açúcar não interferem na produção de alimentos. Nos dois casos, além de combustível vegetal, há subprodutos. A cana é ainda mais versátil, pois aproveita bagaço, palha, vinhaça, torta de filtro e levedura, enquanto do milho se obtém farelo rico em proteína, fibras e minerais para ração animal.

    Próalcool não interfere na indústria alimentícia brasileira
    Crédito: Divulgação
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