O mercado brasileiro pode acompanhar uma virada histórica nos próximos anos. Ao menos na visão da BYD, já que é exatamente isso que a marca pretende fazer. "Queremos continuar nossa revolução", revelou Alexandre Baldy, vice-presidente e head comercial e de marketing da BYD, à reportagem do WM1 nesta semana.
Em reunião com alguns jornalistas na fábrica da BYD em Camaçari (BA), nesta terça-feira (03/02), o executivo foi o porta-voz da BYD para alguns questionamentos diretos sobre os planos da empresa. Ele endossou o objetivo global da marca de reduzir a temperatura do planeta Terra em 1°C e também falou sobre as futuras metas da fabricante no país.
Algumas informações revelaram uma estratégia agressiva e ousada da marca chinesa. O que foi dito não só faz parte de um plano de expansão: é uma verdadeira declaração de guerra às líderes atuais.
A BYD vai atacar e entrar em novos segmentos no Brasil, incluindo o que mais cresce atualmente, o de SUVs subcompactos. É nesse nicho que hoje estão modelos como Volkswagen Tera, Fiat Pulse, Honda WR-V, Citroën Basalt, Renault Kardian, Nissan Kait e o futuro Chevrolet Sonic.
A chegada de um "suvinho" da BYD nesse território promete bagunçar o tabuleiro e botar pressão direta sobre os campeões de vendas, ainda mais por ser um modelo eletrificado e com promessa de ser bicombustível.
Outro ponto explosivo é a fábrica em Camaçari, na Bahia. Hoje ela só monta Dolphin Mini, King e Song Pro. Mas de acordo com Baldy, até o final do ano a planta irá fabricar de fato o trio, mais o Song Plus. "Nunca deixamos de cumprir o contrato e o cronograma", explica o executivo.
A promessa da BYD é de que as obras sejam concluídas até 2027. A unidade vai operar em três turnos, 24 horas por dia, para produzir 300 mil carros por ano.
Mas a ousadia não para aí: a marca já planeja erguer uma segunda unidade, quase que um "espelho" da primeira, no terreno ao lado. Com isso, a capacidade do local dobra para 600 mil carros/ano, o que transformará o polo baiano em um hub estratégico para toda a América.
O Brasil já é hoje o maior mercado da BYD no mundo depois da China, e a marca já não esconde mais que pretende assumir a liderança por aqui.
Para isso, vai investir também em picapes, com uma linha completa que irá de um modelo compacto, rival da Fiat Strada, a uma full-size para enfrentar Ram 1500, Ford F-150 e Chevrolet Silverado.
Ou seja, no meio do caminho haverá uma intermediária para disputar espaço com Fiat Toro, Chevrolet Montana, Ford Maverick e a futura Renault Niágara (e já falamos sobre ela por aqui); uma média para bater de frente com Toyota Hilux e cia e a Shark, que já existe - e fica entre as médias e as grandes.
Não perca as contas: serão quatro novas picapes da BYD nos próximos anos (compacta, intermediária, média e uma grande do tipo full-size, sem contar a Shark).
Só que, apesar da diversificação, o foco principal da marca - no Brasil e no mundo - continua sendo o segmento de SUVs, que a BYD considera estratégico para consolidar sua participação.
Ou seja, a marca ainda estuda ampliar sua atuação em utilitários, o que reforça ainda mais a ideia de que a BYD não quer apenas competir, mas sim dominar.
O recado, portanto, é claro: a BYD não veio ser coadjuvante. Com plano industrial gigante, entrada em novos segmentos e uma ofensiva direta contra os líderes de mercado, a marca chinesa prepara uma nova fase de sua "revolução" que pode redefinir o futuro da indústria automotiva brasileira.