Atenção: nesta virada para fevereiro de 2026, no comecinho do mês, os modelos Jeep Compass 4xe e Grand Cherokee 4xe desapareceram do site oficial da marca no Brasil. Eles haviam sido lançados não há muito tempo: em abril de 2022 e outubro de 2023, respectivamente. Nunca venderam bem.
O movimento da Jeep, silencioso e feito sem comunicado oficial, marca, portanto, o fim da linha para os dois SUVs híbridos plug-in que nunca conseguiram tração comercial no país. Só que essa decisão reflete não só o baixo desempenho de vendas, mas também uma mudança estratégica da Stellantis, que prepara o polo industrial de Goiana (PE) para uma nova fase de eletrificação nacional.
O Compass 4xe foi lançado como uma espécie de vitrine tecnológica, com a proposta de combinar motor a combustão com propulsão elétrica recarregável em tomada (PHEV, ou plug-in).
No entanto, o preço alto (ele teve uma série de descontos, já que foi lançado a R$ 350 mil) e a falta de infraestrutura de recarga no Brasil - além da oferta de modelos com proposta parecida com preços inferiores - limitaram sua aceitação.
Já o Jeep Grand Cherokee 4xe, ainda mais caro e posicionado como produto premium, também não conseguiu acertar em cheio seu público.
Ambos eram importados e conquistaram vendas residuais, insuficientes para justificar a continuidade - foram "quase 100 unidades" do Compass 4xe vendidas em 2025, segundo uma fonte ligada à marca, e apenas 36 do Grand Cherokee 4xe de acordo com a Fenabrave (que não confirma a informação do Compass justamente por não separar as versões dos modelos em seus relatórios).
A retirada discreta dos dois SUVs mostra, porém, que a Stellantis já começou a ajustar sua estratégia. Em vez de insistir em híbridos plug-in importados, a empresa apostará em uma nova geração de veículos híbridos feitos no Brasil, com tecnologia adaptada à realidade local, inclusive com motor flex. O polo de Goiana (PE), que já fabrica Compass e Renegade, será o centro dessa transformação.
Segundo fontes ligadas ao projeto, a Stellantis prepara para até 2027 a chegada das novas gerações de Jeep Renegade e Jeep Compass, ambos com conjunto Bio-Hybrid, que combina eletrificação leve (MHEV) com uso de etanol, combustível estratégico no Brasil. O Jeep Avenger, que chega este ano e será posicionado abaixo do Renegade, é outro produto que será oferecido com essa tecnologia.
Essa solução promete maior eficiência energética sem depender de recarga externa, tornando os modelos mais acessíveis e práticos para o consumidor brasileiro.
Só que plano não se limita à Jeep.
A novíssima geração do Peugeot 3008, que compartilha plataforma com o novo Compass, também deverá ser produzido em Goiana com motorização híbrida. A estratégia reforça o papel da Stellantis em querer ser líder em eletrificação no país, com foco em soluções locais, diferentes das adotadas na Europa ou nos Estados Unidos.
A saída silenciosa da dupla de modelos "4xe", portanto, não é apenas uma decisão pontual. É parte de um redesenho maior: deixar de oferecer produtos importados de baixo volume e investir em híbridos nacionais, escaláveis e competitivos.
A Stellantis já entendeu que o cliente brasileiro quer eficiência, mas também preço justo e praticidade. O Bio-Hybrid, ao dispensar recarga em tomada, pode ser a chave para popularizar a eletrificação.
O mercado de SUVs médios, onde o Compass atua - e lidera desde 2016 -, é um dos mais disputados do Brasil. A chegada de novos modelos híbridos, pensados para disputar mercado com Toyota Corolla Cross Hybrid, GWM Haval H6, BYD Song e até mesmo com o Leapmotor C10, é a prova de que a Jeep já começou a se reposicionar.
É exatamente por isso que a nova geração do Compass, híbrido e nacional, será crucial para manter a relevância da empresa no segmento. Já o Renegade, entre os compactos, terá papel estratégico para democratizar a tecnologia.
Já o Grand Cherokee não deve ter um caminho tão livre como o Compass e pode voltar a ser vendido só em situações de nicho ou sob formato de encomenda.
Em resumo, o desaparecimento dos Compass 4xe e Grand Cherokee 4xe do site da Jeep marca o fim de uma fase e o início de uma nova etapa. A transição é silenciosa, mas significativa: os híbridos plug-in importados saem de cena agora para dar lugar a uma estratégia nacional, escalável e competitiva.