Jeep começa a mudar sua oferta híbrida no Brasil

Compass 4xe e Grand Cherokee 4xe somem do site e saem de linha sem aviso porque Stellantis já prepara nova fase híbrida

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André Deliberato
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Atenção: nesta virada para fevereiro de 2026, no comecinho do mês, os modelos Jeep Compass 4xe e Grand Cherokee 4xe desapareceram do site oficial da marca no Brasil. Eles haviam sido lançados não há muito tempo: em abril de 2022 e outubro de 2023, respectivamente. Nunca venderam bem.

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    O movimento da Jeep, silencioso e feito sem comunicado oficial, marca, portanto, o fim da linha para os dois SUVs híbridos plug-in que nunca conseguiram tração comercial no país. Só que essa decisão reflete não só o baixo desempenho de vendas, mas também uma mudança estratégica da Stellantis, que prepara o polo industrial de Goiana (PE) para uma nova fase de eletrificação nacional.

    Jeep Grand Cherokee chegou ao Brasil no final de 2023, mas não vendeu como o esperado
    Crédito: Divulgação
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      A nova estratégia eletrificada da Jeep

      O Compass 4xe foi lançado como uma espécie de vitrine tecnológica, com a proposta de combinar motor a combustão com propulsão elétrica recarregável em tomada (PHEV, ou plug-in).

      No entanto, o preço alto (ele teve uma série de descontos, já que foi lançado a R$ 350 mil) e a falta de infraestrutura de recarga no Brasil - além da oferta de modelos com proposta parecida com preços inferiores - limitaram sua aceitação.

      Já o Jeep Grand Cherokee 4xe, ainda mais caro e posicionado como produto premium, também não conseguiu acertar em cheio seu público.

      Ambos eram importados e conquistaram vendas residuais, insuficientes para justificar a continuidade - foram "quase 100 unidades" do Compass 4xe vendidas em 2025, segundo uma fonte ligada à marca, e apenas 36 do Grand Cherokee 4xe de acordo com a Fenabrave (que não confirma a informação do Compass justamente por não separar as versões dos modelos em seus relatórios).

      Jeep Avenger será outro produto da marca no Brasil que terá oferta de conjunto eletrificado
      Crédito: Ricardo Rollo/Webmotors
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      A estratégia agora é outra

      A retirada discreta dos dois SUVs mostra, porém, que a Stellantis já começou a ajustar sua estratégia. Em vez de insistir em híbridos plug-in importados, a empresa apostará em uma nova geração de veículos híbridos feitos no Brasil, com tecnologia adaptada à realidade local, inclusive com motor flex. O polo de Goiana (PE), que já fabrica Compass e Renegade, será o centro dessa transformação.

      Segundo fontes ligadas ao projeto, a Stellantis prepara para até 2027 a chegada das novas gerações de Jeep Renegade e Jeep Compass, ambos com conjunto Bio-Hybrid, que combina eletrificação leve (MHEV) com uso de etanol, combustível estratégico no Brasil. O Jeep Avenger, que chega este ano e será posicionado abaixo do Renegade, é outro produto que será oferecido com essa tecnologia.

      Essa solução promete maior eficiência energética sem depender de recarga externa, tornando os modelos mais acessíveis e práticos para o consumidor brasileiro.

      Só que plano não se limita à Jeep.

      A novíssima geração do Peugeot 3008, que compartilha plataforma com o novo Compass, também deverá ser produzido em Goiana com motorização híbrida. A estratégia reforça o papel da Stellantis em querer ser líder em eletrificação no país, com foco em soluções locais, diferentes das adotadas na Europa ou nos Estados Unidos.

      Novo Peugeot 3008 esteve no Salão do Automóvel de SP, o que prova o interesse pelo mercado nacional
      Crédito: Marcelo Monegato/WM1
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      A saída silenciosa da dupla de modelos "4xe", portanto, não é apenas uma decisão pontual. É parte de um redesenho maior: deixar de oferecer produtos importados de baixo volume e investir em híbridos nacionais, escaláveis e competitivos.

      A Stellantis já entendeu que o cliente brasileiro quer eficiência, mas também preço justo e praticidade. O Bio-Hybrid, ao dispensar recarga em tomada, pode ser a chave para popularizar a eletrificação.

      O mercado de SUVs médios, onde o Compass atua - e lidera desde 2016 -, é um dos mais disputados do Brasil. A chegada de novos modelos híbridos, pensados para disputar mercado com Toyota Corolla Cross Hybrid, GWM Haval H6, BYD Song e até mesmo com o Leapmotor C10, é a prova de que a Jeep já começou a se reposicionar.

      É exatamente por isso que a nova geração do Compass, híbrido e nacional, será crucial para manter a relevância da empresa no segmento. Já o Renegade, entre os compactos, terá papel estratégico para democratizar a tecnologia.

      Já o Grand Cherokee não deve ter um caminho tão livre como o Compass e pode voltar a ser vendido só em situações de nicho ou sob formato de encomenda.

      Em resumo, o desaparecimento dos Compass 4xe e Grand Cherokee 4xe do site da Jeep marca o fim de uma fase e o início de uma nova etapa. A transição é silenciosa, mas significativa: os híbridos plug-in importados saem de cena agora para dar lugar a uma estratégia nacional, escalável e competitiva.

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